
NATU3
NEUTRONatura
Varejo & ConsumoPreço Atual
Preço Alvo
Potencial
A Natura chega ao mercado num momento de transição, com destaques mistos: a Advent já construiu uma posição econômica de cerca de 8% do capital (90,7 milhões de ações diretas = 6,6% mais exposição via TRS de 1,4%), a um preço médio implícito de R$9,75 por ação, e a operação reforça um catalisador de governança — migração dos fundadores para conselho consultivo, novo presidente do conselho e direito de indicar dois conselheiros após consolidação da participação — embora o timing dessas indicações permaneça incerto. Operacionalmente, o trimestre foi fraco: receita consolidada em R$4,7 bilhões (-7,7% a/a), EBITDA ajustado em R$567 milhões (-27%) com margem EBITDA de 11,9% (-330bps), prejuízo líquido ajustado de R$224 milhões e fluxo de caixa livre negativo de R$430 milhões; a dívida líquida subiu R$565 milhões, impactada por pagamentos relacionados ao litígio Chapman e perdas de hedge cambial de R$261 milhões, parcialmente compensadas por R$170 milhões da venda na Rússia e efeito cambial de R$209 milhões. No contexto do setor de varejo e consumo, temas macro (juros elevados, inflação) e competição digital intensificam a busca por teses resilientes; plataformas ampliam crédito (carteiras de FIDC em bilhões), criando nova camada competitiva, mas com risco de NPLs à medida que carteiras amadurecem. Riscos-chave para Natura incluem alavancagem em ambiente de juros altos, execução da reestruturação da Avon, estabilização da base de consultoras e exposição à Argentina/FX. Investidores devem acompanhar de perto a efetivação das mudanças de governança, a conversão das reduções de custos em geração de caixa, a trajetória de desalavancagem e a evolução das margens operacionais, além dos desdobramentos da exposição cambial e da qualidade dos fluxos de caixa à medida que as iniciativas operacionais avancem.
