
NATU3
NEUTRONATURA COSMETICOS S.A.
Consumer Non-DurablesPreço Atual
Preço Alvo
Potencial
A Natura reportou 2T26 fraco, em linha com as estimativas e no topo do consenso, mas com deterioração operacional relevante no Brasil: receita líquida de R$5,2 bi, -9,1% a/a, EBITDA contábil de R$620 mi, -5,8% a/a, com margem de 12%, e EBITDA ajustado de R$591 mi, -25,7% a/a, com margem de 11,4%, pressionado por menor alavancagem operacional, descasamento tributário temporário e custos não recorrentes com demissões. O principal foco negativo foi o Brasil, com receita de R$3,07 bi, -14,8% a/a, afetada por ambiente macro mais difícil, indisponibilidade de produtos após integração de sistemas e impacto tributário temporário de ~2 p.p. no crescimento; em contraste, Hispana surpreendeu positivamente, com receita de R$2,1 bi, +0,7% a/a e +7% em moeda constante, puxada por México, mercados maduros da Wave 2 e melhora gradual na Argentina. Por marca, Natura somou R$4,1 bi, Avon R$830 mi e Home & Style R$191 mi. O lucro líquido contábil caiu para R$35 mi, ante R$446 mi no 2T25, enquanto as despesas financeiras líquidas de R$297 mi vieram piores, refletindo R$318 mi em hedge da dívida em dólar. Ainda assim, a dívida líquida caiu R$179 mi no trimestre, apoiada por FCFF de R$342 mi, e a alavancagem recuou para 2,35x, de 2,41x no 1T26 e 2,54x a/a, mesmo após R$37 mi em recompra. A principal âncora do trimestre foi o corte de guidance: a companhia deixou de mirar margem EBITDA recorrente acima de 14,1% em 2026 e passou a buscar margem EBITDA contábil acima de 10%, sinalizando execução mais fraca e menor visibilidade de recuperação. Em governança, a Advent alcançou 8% de exposição econômica, a preço médio implícito de R$9,75 por ação, o que reduz incerteza sobre sua entrada e pode reforçar a credibilidade da reestruturação. Com P/L setorial ainda pressionado por juros altos, endividamento das famílias em 49,8% da renda e tráfego digital fraco em higiene e beleza, a tese segue dependente de melhora de execução no Brasil. Para investidores, recomenda-se acompanhar normalização operacional, margem no Brasil e eventuais novas revisões de estimativas.
