20 Prime – Ações (Fevereiro 2026)
20 Prime – Equity
Condições financeiras favoráveis, demanda doméstica resiliente, maior crescimento em 2026
Um cenário macro dos EUA com viés altista está cada vez mais evidente. A demanda doméstica privada segue como suporte de crescimento no curto prazo, com o consumo ainda acima de 3%, enquanto o ciclo de capex em IA deixou de ser um tema marginal e passou a ser um driver macro relevante, contribuindo com cerca de 0,75 p.p. para o crescimento anualizado do PIB ao longo do último ano. Olhando para 2026, a combinação de afrouxamento monetário defasado, um impulso fiscal antecipado (OBBBA) e um caminho plausível para redução do impacto negativo de tarifas sustenta um perfil de crescimento acima da média, consistente com nossa visão de PIB de 2,75% em 2026. A dinâmica de inflação é menos benigna no curto prazo: efeitos sazonais, fricções de preços e repasse de tarifas sugerem leituras mais persistentes no primeiro semestre, mas a trajetória de médio prazo ainda aponta para desinflação gradual, com a inflação core desacelerando para cerca de 2,5% em 2026, à medida que avança a normalização do mercado de trabalho e as pressões de commodities se estabilizam. O mercado de trabalho parece apertado, porém equilibrado, o que limita preocupações com crescimento em queda e permite ao Fed manter uma postura paciente; um cenário-base de dois cortes de 25 pb no segundo semestre de 2026 se encaixa em uma função de reação de “manter no primeiro semestre, afrouxar depois”. Por fim, a narrativa de sucessão no Fed, especialmente com Warsh visto como um candidato de continuidade, reduz o risco de cauda de descontinuidade institucional, ajudando a manter as condições financeiras construtivas mesmo enquanto o Comitê administra um retorno mais lento da inflação à meta.
Nosso preço-alvo para o S&P 500 é 7.900
Isso implica um potencial de alta de 13,5%, que, somado um yield de dividendos de 1,6% estimado pelo consenso de mercado, sugere um retorno total de 15,1% até o fim do ano. Esta revisão se apoia em alguns fatores. Primeiro, a atividade econômica vem superando expectativas, rodando acima do seu potencial de longo prazo e bem acima de pares; nossa equipe macro projeta crescimento robusto de 2,75%, com assimetria altista. O cenário microeconômico também é favorável, e estimamos expansão de 14% a/a do lucro líquido. Para os juros, projetamos uma taxa livre de risco de 3,8%. Por fim, definimos o prêmio de risco de ações em 4,25%, em linha com médias históricas, porém ligeiramente acima da nossa premissa usual (em 15 pb) para refletir maior imprevisibilidade de política econômica sob a administração atual.
IA, mais cíclicas domésticas, menos disrupção não precificada
Estruturalmente, nossas teses centrais permanecem intactas, mas vemos uma oportunidade de melhorar o risco-retorno do portfólio por meio de uma rotação seletiva, à medida que narrativas e fatores de risco de curto prazo mudaram. Em saúde, as mudanças são específicas por empresa, e não guiadas pelo setor: migramos de UNH para HCA para privilegiar maior visibilidade de lucro líquido no curto prazo e maior exposição a uma dinâmica resiliente de utilização e capacidade de precificação, e trocamos ABBV para JNJ para aumentar a exposição a um compounder mais diversificado, com balanço patrimonial mais resiliente e mix mais estável entre Farma e MedTech. Em software, o risco de disrupção se tornou a variável dominante; apesar da boa execução em diversas franquias, preferimos ficar de fora do setor até que a dinâmica competitiva impulsionada por IA e a capacidade de precificação se estabilizem, realocando de NOW para Micron, onde os fundamentos em memória estão apertando, com melhora de oferta e demanda e ventos favoráveis de maior conteúdo de IA. Também saímos de CRWD, onde a taxa de retorno implícita para sustentar um desempenho superior parece mais elevada dado o ambiente competitivo e o posicionamento mais desafiador, e adicionamos BABA para aumentar diversificação em emergentes versus um conjunto de exposição a IA cada vez mais concentrado nos EUA. Por fim, substituímos CRWV por URI, migrando de uma exposição adjacente à infraestrutura de IA, com timing de monetização mais variável, para uma tese industrial doméstico dos EUA com maior exposiação a construção não residencial, atividade de infraestrutura e intensidade de locação.
Separadamente, seguimos sustentando uma visão de demanda excepcionalmente forte por data centers de IA e aumentamos de forma relevante a exposição a semicondutores, em especial em NVDA, AVGO e TSM, refletindo a escala e a persistência dos compromissos de capex dos hyperscalers.
