20 Prime – Ações (Março 2026)
Ver Relatório Completo20 Prime – Equity
Choque geopolítico, mercado de trabalho mais fraco, momento atual em software
O pano de fundo de curto prazo do mercado está sendo moldado por três forças em paralelo, mas nenhuma delas, na nossa visão, é suficiente, por si só, para justificar uma mudança estrutural no regime mais amplo de ações. Primeiro, o choque no Oriente Médio criou um prêmio de risco de petróleo justificável, dada a relevância estratégica do Estreito de Ormuz, que movimenta cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados, ou aproximadamente 25% do comércio global de petróleo transportado por via marítima. Ainda assim, se o conflito não se estender de forma material, o mercado pode estar precificando persistência excessiva do conflito. Rotas alternativas via Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos oferecem apenas mitigação limitada, enquanto o papel da China como principal compradora do petróleo iraniano cria algum incentivo econômico contra uma interrupção prolongada, autoimposta, nas exportações. Segundo, os dados de payroll de fevereiro foram fracos, mas o número de -92 mil provavelmente exagerou a deterioração subjacente do mercado de trabalho, com greves, clima e distorções sazonais tendo papel importante. Ainda assim, as revisões foram fracas e a tendência de três meses perdeu momento. Terceiro, a recente contração de múltiplos em software segue relevante, mas é historicamente familiar e ainda parece mais cíclica do que estrutural.
Nossa visão sobre ações permanece intacta
Do ponto de vista cross-asset, seguimos interpretando o movimento recente como um evento de volatilidade, e não como uma mudança de regime. O petróleo reprecificou para refletir risco de disrupção, mas ainda há evidência limitada de um comprometimento durável da oferta global. Comentários recentes de Trump sugerindo um conflito potencialmente mais curto reforçaram a ideia de que os preços estão sendo guiada não apenas por preocupações com oferta física, mas também por mudanças nas expectativas sobre duração e escopo final da disrupção. Em paralelo, o sinal do mercado de trabalho está mais fraco. A alta do desemprego foi puxada principalmente por novos entrantes na força de trabalho, e não por um aumento relevante de desligamentos permanentes, o que, na nossa visão, deve reduzir a narrativa mais hawkish para juros que vinha ganhando tração e reforçar junho como o ponto de partida mais provável para o próximo ciclo de cortes.
Em termos de posicionamento, nossa visão central permanece inalterada, e não fizemos mudanças de portfólio neste mês. Seguimos vendo o portfólio como uma construção “all-Weather ” (resiliente), desenhada para performar em uma ampla gama de cenários macro e de mercado, e não para expressar uma visão estreita dependente de um regime específico. A forte performance relativa do portfólio neste mês, na nossa leitura, reforça o valor desse framework e destaca o benefício de manter negócios de alta qualidade, com fundamentos duráveis, perfis de lucro líquido mais resilientes e caminhos mais claros de monetização.
Seguimos construtivos em tecnologia de qualidade, especialmente em áreas alavancadas à demanda por infraestrutura de IA, onde a visibilidade de receita ainda é a mais forte, abrangendo computação, redes, memória, energia e capacidade de implantação. Ao mesmo tempo, seguimos seletivos em software, onde o mercado ainda está recalibrando as implicações de longo prazo de IA para precificação e competitividade. Essa seletividade não deve ser interpretada como uma visão estruturalmente negativa para o setor, mas como reconhecimento de que a liderança em transições de plataforma tipicamente evolui ao longo do tempo.
No geral, entendemos que o portfólio segue bem balanceado para o ambiente atual: resiliente para absorver volatilidade, e ainda assim posicionado para capturar as oportunidades mais atrativas no médio prazo.
