Asset Strategy | Abril 2026
Ver Relatório CompletoUm choque no meio do caminho
O mês de março iniciou com o conflito entre EUA-Irã, resultando na morte do líder religioso Ali Khamenei, que ocupava tal posto desde 1989, além de importantes membros do governo iraniano. Dentre outros fatores, uma das principais consequências econômicas foi o fechamento do Estreito de Hormuz, região entre o golfo Pérsico e o golfo de Omã por onde escoa cerca de 20% da produção mundial de petróleo bruto. Como resultado, o preço do contrato futuro do petróleo Brent subiu cerca de 43% em março, levando o preço do contrato futuro da gasolina RBOB se elevar em torno de 40% e pressionar não apenas as expectativas de inflação ao redor do mundo, mas sobretudo redirecionar a tendência da política monetária nas principais economias desenvolvidas. Como exemplo, antes do conflito a curva de juros americana precificava -60bps de corte até o final de 2026; hoje, a precificação é de manutenção nos fed fund rates. Movimento maior ocorreu nos contratos futuros de juros da Zona do Euro, que saiu de um potencial corte de -25bps na precificação de 27 de fevereiro para os atuais +67bps até o final deste ano.
No Brasil, os impactos também foram significativos. A inflação implícita de 2 anos saiu de 4,6% para 5,6% sob a perspectiva de que a alta nos preços internacionais dos combustíveis provocaria uma forte defasagem em relação aos preços domésticos, pressionando a Petrobras repassar aos distribuidores a fim de evitar maiores prejuízos. Neste momento, a Petrobras fez um pequeno ajuste no preço do diesel e, até agora, não anunciou nenhum ajuste no preço da gasolina. O governo tem feito algumas medidas de compensação, como a isenção momentânea de alguns impostos federais além de propostas de subvenção.
No fim, o resultado é um ambiente de maior desconfiança sobre os efeitos inflacionários do choque externo, que levou a curva de juros local a reprecificar o ciclo de corte de juros deste ano dos 12% anteriores ao conflito para os atuais 13,75%. Na reunião do Copom de março, o BC optou por iniciar o ciclo de corte de juros, em -25bps, levando a taxa Selic para 14,75%. Apesar de um corte mais conservador, entendemos que o BC deu menos peso para os dados mais recentes da atividade doméstica, que vem surpreendendo nos primeiros meses de 2026 e mantendo a inflação corrente ex-serviços em torno de 6% ao ano.
A comunicação do Comitê foi considerada dovish, dado que atrelou a surpresa altista nos dados de atividade cíclicos ao método de dessazonalização das séries históricas. Nas entrelinhas, o BC deixou claro que um distencionamento do conflito no Oriente Médio pode levar a uma aceleração no ritmo de corte de juros. Por estes fatores, mantemos a visão de uma Selic chegando a 12,5% ao final de 2026. Contudo, entendemos que a atividade doméstica precisa mostrar maior desaceleração ao longo do ano. Nos dados mais recentes do Caged, o saldo de empregos formais subiu em fevereiro nas médias móveis com ajuste sazonal, tanto trimestral quanto semestral. O enfraquecimento do mercado de trabalho, sobretudo no crescimento dos salários reais, é fundamental para que a desinflação ganhe uma composição melhor que a atual, onde apenas ítens atrelados ao câmbio tiveram redução nos preços.
Para este mês, mantemos a mesma estratégia de março. Entendemos que a evolução do noticiário recente pode trazer uma redução das tensões geopolíticas, fator fundamental para o fechamento da curva de juros e melhor precificação dos ativos de duration longa, as quais continuamos posicionados taticamente acima do estrutural, onde vemos grande prêmio de risco a ser capturado.
Em anexo, nosso relatório completo.
BTG Pactual Portfolio Solutions
