Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
03 de ago. de 20264 min

Asset Strategy | Agosto 2026

Ver Relatório Completo
Dados correntes mais favoráveis, balanço de riscos inalterado

No cenário externo, o mês de julho trouxe um ambiente mais desafiador para os mercados internacionais. Uma nova escalada do conflito no Oriente Médio voltou a adicionar volatilidade ao preço do petróleo e, consequentemente, provocou novas aberturas nas taxas de juros das treasuries americanas, elevando a pressão dos mercados por uma postura mais hawkish do Federal Reserve. Ao final do mês, o FOMC optou pela manutenção dos fed fund rates, mas com divergência de três membros do comitê, que votaram por uma alta de 25 bps. Em resumo, seguimos com a previsão de alta de juros em setembro, em linha com as precificações na curva de juros americana. Vale destacar, adicionalmente, que os ativos de value apresentaram desempenho relativo superior aos ativos de growth, em linha com a abertura dos juros americanos. A apreciação de commodities, como petróleo e soja em grãos, também ajudou no fluxo de capital para economias emergentes, refletindo positivamente na performance da moeda brasileira.

No Brasil, além da apreciação das commodities favoráveis à nossa pauta de exportação, a forte surpresa altista no investimento estrangeiro direto (junho: US$ 9,1 bi vs. consenso: US$ 5,6 bi) pelo 3º mês consecutivo pode provocar reduções nas projeções de déficit em conta corrente, fator positivo para o nosso risco soberano e para a moeda. Nos dados de atividade econômica, surpresas baixistas no comércio ampliado (maio: -0,2% m/m vs. consenso: 0,8% m/m) e no volume de serviços (maio: -0,4% m/m vs. consenso: -0,1% m/m) reforçam a tese de desaceleração econômica no país. Do lado da inflação, uma rodada de surpresas baixistas no IPCA de junho e no IPCA-15 de julho, tanto no headline quanto nas aberturas, trouxe uma composição qualitativamente melhor: parte resultado de um arrefecimento nos preços de serviços, parte decorrente da reversão nos preços de bens industriais e alimentos após o choque de oferta ocorrido no 1º trimestre. A combinação desses eventos vem em boa hora para o Comitê de Política Monetária, uma vez que as precificações de mercado (curva de juros e opções) já imputam maior probabilidade de um corte de 25 bps também na reunião de setembro.

Essa melhora, contudo, não altera de forma material a distribuição de riscos no cenário. Três vetores sustentam a leitura de que as taxas de juros devem permanecer em níveis elevados por período ainda indefinido. O primeiro é externo: a elevada probabilidade de retomada do ciclo de alta pelo Fed comprimiria o diferencial de juros e reintroduziria pressão cambial no mercado local. O segundo é o risco de reinflação associado à maior intensidade prevista para o El Niño no último trimestre, com implicações para a produtividade agrícola e, por extensão, para os preços de alimentos — precisamente o grupo que respondeu por parcela relevante da surpresa favorável recente. O terceiro é fiscal: apesar da expectativa de cumprimento das metas fiscais neste ano, o superávit primário necessário para estabilizar a trajetória da relação dívida/PIB ainda é um desafio estrutural presente no cenário, o que tende a manter os prêmios de risco elevados na curva de juros.

Diante desse balanço, mantemos a alocação inalterada em relação ao mês anterior. A carteira construída em julho já incorpora uma alocação mais defensiva, que consideramos apropriada a um ambiente de assimetria bidirecional, e não identificamos, no conjunto de dados do mês, informação suficiente para justificar novo ajuste tático em qualquer das direções. Permanecemos neutros em pós-fixado, neutros na duration curta indexada à inflação, sobrealocados na duration longa em IPCA+ em função dos prêmios que se mantêm acima da média histórica nesses vencimentos e neutros em prefixados e em ações. Ao nível corrente de carrego, entendemos que o custo de oportunidade de aguardar novas rodadas de dados é reduzido, o que favorece a manutenção das estratégias atuais.

Em anexo, nosso relatório completo.

BTG Pactual Portfolio Solutions