Asset Strategy – Ajuste na Alocação – 08 de outubro de 2026
Ver Relatório CompletoOs ativos brasileiros seguem descolados dos pares emergentes. Mesmo diante de um ambiente externo adverso (Treasury de 10 anos próxima de 5,3%, maior nível desde 2007, Fed e BCE de volta ao ciclo de alta e petróleo acima de US$ 100 por barril), o mercado local vem reprecificando de forma consistente seus prêmios de risco. Em setembro, enquanto a Treasury de 10 anos abriu 55 bps, os prefixados de mesmo prazo fecharam 62 bps, o real valorizou 0,2%, frente a uma depreciação média de 3,8% das moedas latinas, e o EWZ teve o melhor desempenho entre os emergentes. Na carta mensal, indicamos que exposição adicional a risco local dependeria de mais informações. Nas últimas semanas, a maior perspectiva de um ambiente de juros estruturalmente mais baixos intensificou o movimento de redução de prêmio de risco nos ativos locais. Com isso, julgamos proveitoso antecipar um movimento de ajuste nas carteiras, sem aguardar o próximo mês.
Neste ambiente, julgamos haver uma assimetria benigna em torno do nosso cenário atual para a política monetária. Seguimos projetando Selic de 12,50% ao fim de 2027, conjuntamente com um câmbio mais apreciado, com expectativas de inflação estáveis, fator que aumenta a probabilidade de antecipação e/ou intensificação do ciclo, justamente a direção da reprecificação recente. Somam-se a isso a desaceleração da atividade e a desalavancagem das famílias, ambos vetores baixistas para os juros. Do ponto de vista de alocação, esse novo ambiente para mercados aumenta a atratividade de classes de ativos que se beneficiam mais da redução do risco-país. Entendemos que a renda variável pode entregar retornos superiores no curto e médio prazo e passamos de neutros para sobrealocados na classe. Dentre os principais fundamentos para tal, destacamos: (i) Valuation descontado: o Ibovespa negocia a 9,1x P/L nos 12 meses à frente, com prêmio de risco (earnings yield menos juro de 10 anos) de 3,6%, e combina um dos ROEs mais altos com um dos múltiplos mais baixos entre os mercados globais; (ii) Alta elasticidade a juros: a bolsa brasileira é das mais sensíveis à queda de juros. Com prêmio de cerca de 490 bps nas taxas longas, ante média histórica de ~300 bps, há espaço relevante de fechamento da curva; (iii) Posicionamento leve: a alocação em Brasil nos fundos GEM caiu de 7,6% para 5,8% entre março e setembro. O retorno da alocação em emergentes à média de 10 anos implicaria entrada de cerca de US$ 14 bi na bolsa local. Além disso, o market cap do Ibovespa sobre o M4 está próximo dos níveis de 2016; (iv) Oferta de ações em contração: programas de recompra em nível elevado, 31 OPAs desde 2020 e praticamente nenhum IPO; (v) Lucros e proteção: projetamos crescimento de lucros ex-Petrobras e Vale de 11% em 2026 e 17% em 2027. Cerca de 21% do índice tem receitas indexadas à inflação e mais de 1/3 tem receita em moeda forte, o que mitiga o efeito da desaceleração doméstica sobre os setores mais cíclicos. Para financiar esse movimento, decidimos reduzir a alocação em pós-fixado (soberano e crédito, em igual proporção) e passamos a subalocar a classe. Mantemos a sobrealocação em juro real longo e as demais classes inalteradas.
Em resumo, vemos a renda variável brasileira com uma combinação pouco comum de fatores favoráveis: valuation descontado, alta sensibilidade a um ciclo de juros que entendemos ter espaço para continuar, posicionamento leve de investidores locais e estrangeiros e uma oferta de ações em contração. Somam-se a isso lucros em expansão, com proteção parcial via receitas indexadas à inflação e em moeda forte, o que sustenta nossa visão de que o balanço entre risco e retorno da classe justifica a sobrealocação.
Em anexo, nosso relatório completo.
