Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
02 de fev. de 20264 min

Asset Strategy | Fevereiro 2026

Ver Relatório Completo
Fluxo estrangeiro define retorno em janeiro

O ano de 2026 começa favorável para ativos emergentes, sobretudo em países latinos. A queda abrupta do DXY, reflexo das tensões geopolíticas provocadas pelo governo americano, promoveu um ambiente de redução de exposição à moeda americana, redirecionando, portanto, o fluxo de investimentos para outros ativos, como o ouro, e países emergentes, como o Brasil. Outro sinal de arrefecimento dos conflitos globais, o petróleo marcou mais de 15% de retorno em dólar até o último dia útil de janeiro.

Com dólar globalmente mais fraco e petróleo em alta, o real brasileiro teve forte apreciação, chegando a cotar abaixo de USDBRL 5,18 no intraday – menor patamar desde maio de 2024. Até o dia 30 de janeiro, a moeda brasileira tinha a melhor performance no ano dentre as principais moedas emergentes. Neste cenário, as expectativas de inflação e inflações implícitas continuaram sua trajetória de redução do gap em relação à meta de inflação, provocando novos fechamentos das taxas de juros prefixadas ao longo de toda a curva de juros.

Contudo, estes fatores não foram suficientes para o Banco Central do Brasil iniciar o ciclo de corte da taxa Selic em janeiro. A autoridade monetária optou por uma atuação mais conservadora e em linha com as variações marginais que o Comitê vem implementando nas comunicações mais recentes: manteve a Selic em 15%, mas sinalizou o início do ciclo de corte de juros para a próxima reunião, dia 18 de março. Ao atrelar a magnitude do corte de juros (-25 bps ou -50 bps), a depender “da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante”, o Copom está dizendo que é preciso uma convergência mais homogênea dos dados de atividade econômica, a fim de que a desaceleração econômica não seja dúvida para nenhum dos agentes.

O desafio, nas entrelinhas, se chama mercado de trabalho. Ainda que ele possua um lag maior do que outras variáveis, como o mercado de crédito, para sentir os efeitos da política monetária, fato é que ignorar esta variável pode ser um erro crucial para a reancoragem das expectativas de inflação.

Em agosto de 2023, o BC comprou o risco: iniciou um ciclo de cortes em -50 bps sob a narrativa da defasagem e inércia da inflação de serviços e que, mesmo com o corte, a taxa de juros ainda era contracionista para o ciclo econômico. Pois bem, a Selic caiu, o real voltou a se desvalorizar e a contração da atividade (e do mercado de trabalho) nunca aconteceu. Como resultado, o BC precisou reabrir um ciclo de alta de juros, o único dentre os emergentes, pois tomou um risco desnecessário. Cortar os juros com base no câmbio, e não no mercado de trabalho, pode dar certo, mas é um risco que o BC expõe à economia brasileira. Em resumo, se as próximas leituras de CAGED e PNAD não apresentarem claro sinal de enfraquecimento do mercado de trabalho, é melhor optar pela cautela dos -25 bps.

Para este mês, ajustamos as carteiras, reduzindo exposição em inflação curta e fundos imobiliários, e realocamos parte em crédito privado pós-fixado e outra parte em prefixados. Em um ambiente de elevado CDI real ex-ante e expectativas de inflação em reancoragem, entendemos que é melhor ficar mais exposto em juros reais longos, dado que, no curto prazo, o carregado da inflação não compensará e poderá provocar uma abertura das taxas para fechar o gap com o juro de curto prazo. No geral, as carteiras vêm performando muito bem. Em janeiro, o perfil sofisticado entregou uma rentabilidade de 3,8% (vs. 1,2% CDI), enquanto, no acumulado de 12 meses, tivemos um retorno de 16,4% (vs. 14,5% CDI).

Em anexo, nosso relatório completo.

BTG Pactual Portfolio Solutions