Asset Strategy | Janeiro 2026
Ver Relatório CompletoGlobal: A normalização da divulgação dos indicadores atrasados nos EUA revelou um quadro de atividade significativamente mais robusto no 3T25. O PIB do período acelerou bem acima do esperado, com alta de 4,3% t/t anualizado (vs. 3,3% consenso), sustentado por uma recuperação generalizada na demanda das famílias e continuidade da expansão de investimento fixo não residencial (usualmente atrelado à IA). No que diz respeito aos mandatos do Fed, as leituras do Payroll de outubro e novembro, ainda que marcadas por ruído estatístico, continuam apontando para um mercado de trabalho com ritmo de contratação moderado, o que sustenta o argumento de uma pausa estratégica no ciclo de cortes de juros na reunião de janeiro. No front inflacionário, apesar das dificuldades de interpretação das leituras do CPI de outubro e novembro, em função das lacunas de dados, o recado permanece o mesmo: a necessidade de monitorar atentamente os repasses tarifários e a inércia da inflação de serviços, que segue distante da meta.
Brasil: Focus e curva de juros retiram precificação de corte em janeiro. Em dezembro, o real brasileiro apresentou não apenas a maior depreciação dentre as moedas emergentes como também, no último dia útil do ano (30-12-25), CAGED e PNAD divulgaram dados fortes sobre o mercado de trabalho em novembro, reduzindo significativamente as apostas sobre o corte de 25bps da taxa Selic na reunião do Copom do dia 28 de janeiro. Ambas as leituras trouxeram enorme surpresa aos formadores de preços, uma vez que demais dados antecedentes do emprego indicavam uma contínua desaceleração no mercado de trabalho. Logo, a taxa de desemprego renovou sua mínima histórica (5,2% e 5,48% a.s.) e o saldo de empregos formais deu um salto, na média móvel trimestral com ajuste sazonal, de 79,1 mil para 90,3 mil empregos líquidos mensais.
Neste ambiente, a comunicação do Banco Central vira um nó difícil de desatar, caso os diretores do Copom optem pelo corte na próxima reunião. Ainda que existam chances deste movimento acontecer, é inevitável concluir que a atividade doméstica continua sobreaquecida no mercado de trabalho.
O efeito a curto prazo, portanto, é uma apreciação da moeda brasileira. Como não teremos novas divulgações de CAGED e PNAD até a próxima reunião do Copom, é possível que a regressão entre taxa de câmbio USDBRL versus as precificações de cortes na reunião de Janeiro reduzam seu grau de explicação. Em outras palavras: é possível o BC cortar a Selic, mesmo com um nível de câmbio mais apreciado, dado um cenário tão aquecido no mercado de trabalho local? Do nosso ponto de vista, é mais prudente o BC esperar março para iniciar o ciclo de corte de juros, fato que, por ora, não altera nosso call de Selic terminal.
Para este mês, mantemos as posições táticas e percentuais de alocação do mês anterior. Entendemos que as mudanças recentes tem entregado o melhor risco/retorno para as nossas carteiras. Em 2025, nossas estratégias entregaram retornos acima do CDI para todos os perfis. Para os próximos passos, entendemos que nossas posições capturarão retornos expressivos à medida que se consolide o ciclo de corte de juros no Brasil. Portanto, apesar de toda volatilidade de curto prazo, ainda acreditamos que o corte na taxa de juros é apenas uma questão de tempo.
Em anexo, nosso relatório completo.
BTG Pactual Portfolio Solutions
