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Sacre Investimentos
01 de jul. de 20264 min

Asset Strategy | Julho 2026

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Asset Strategy | Julho 2026

Riscos para a inflação demandam ajustes na alocação – Parte 2

Em junho, o cenário global trouxe mudanças relevantes na dinâmica de política monetária e inflação, sobretudo nos Estados Unidos. Apesar de um acordo geopolítico que ajudou a aliviar pressões sobre o petróleo no curto prazo, a economia americana segue resiliente, com crescimento acima do potencial, mercado de trabalho ainda apertado e inflação persistente. Em resposta, o Federal Reserve adotou uma comunicação mais dura, reduzindo o peso do forward guidance e sinalizando a possibilidade de novas altas de juros, resultando em um ambiente de dólar forte. Para os mercados emergentes, o efeito é claramente negativo para as economias ‘commodity-related’. No gráfico 1, fazemos um exercício onde extraímos o movimento de Samsung, SK Nynix e TMSC (SST) do índice agregado de fluxo de capitais para economias emergentes: o resultado relativo ao DXY é um índice sem arbitragem em relação à moeda americana. Comparando o preço do EWZ com o EMXC, o ‘gap’ entre os ETFs é explicado justamente pela valorização dessas empresas de tecnologia da Coreia do Sul e Taiwam. Consequentemente, junho foi um mês de depreciação para quase todas as moedas emergentes e, também, para o real brasileiro. 

No Brasil, além da depreciação cambial de ~4% desde o início de maio, o cenário macro é de deterioração da inflação corrente, especialmente nos bens livres mais sensíveis aos choques de oferta do início do ano, como alimentação no domicílio e bens industriais. Apesar do esfriamento do conflito no Oriente Médio promover a redução do preço do petróleo e alguns fertilizantes, há uma persistência do choque recente na inflação de alimentos in natura e bens duráveis. Adicionalmente, a resiliência da atividade doméstica continua provocando revisões altistas no hiato do produto e, portanto, freando qualquer narrativa de desinflação nos preços de serviços. Olhando para frente, o balanço de riscos para a inflação é assimetricamente altista: (i) persistência indeterminada dos choques de oferta do 1º trimester, (ii) riscos na produtividade agrícola em decorrência de um potencial El Ñino forte, (iii) mercado de trabalho mais resiliente que o usual pressionando a demanda agregada e (iv) maior volatilidade cambial em decorrência da proximidade do pleito eleitoral.

Logo, não vemos, a preços de hoje, fatores que possam provocar surpresas baixistas na inflação que renovem o otimismo com o ciclo de política monetária no Brasil. Neste assunto, vemos um Copom com clara postura dovish: ao longo de todo o ciclo de cortes em 2026, o Comitê viu a projeção de inflação no horizonte relevante sempre deteriorar mais em relação à reunião anterior mesmo com uma trajetória de Selic mais alta e, mesmo assim, sempre optou pelo corte de -0,25p.p. Para a próxima reunião de agosto, o Relatório de Política Monetária do 2º trimestre já projetou IPCA de 3,2% no horizonte relevante. Em resumo, se este Comitê optou por cortes na Selic com 30bps, 50bps e 70bps de desancoragem em relação à meta, não deve ser com 20bps e 1 corta na trajetória de Selic que ele optará pela manutenção.

Para este mês, fizemos um novo ajuste. Se o cenário é de assimetria altista para a inflação e uma postura dovish da política monetária doméstica, é razoável continuarmos a estratégia de redução da volatilidade e encurtamento na duration, conduzindo nossas alocações de forma mais defensivas em relação àquelas deste primeiro semestre. Na parcela atrelada à inflação, voltamos ao neutro a posição tática da duration de curto prazo, mas mantendo a sobrealocação tática na duration longa, em razão dos elevados prêmios que se mantém nestes ativos. Financiamos a alteração da duration curta em inflação reduzindo parte da alocação em multimercados e outra parcela em pós-fixados via crédito privado.

Em anexo, nosso relatório completo.

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