Asset Strategy | Junho 2026
Ver Relatório CompletoRiscos para a inflação demandam ajustes na alocação
Em maio, o cenário macro trouxe novos riscos para os ativos domésticos, sobretudo por indicar uma piora consistente na composição e nível da inflação brasileira, que vem demandando uma postura ainda mais hawkish do Banco Central do Brasil. A forte deterioração na inflação de alimentação no domicílio vem respondendo a forte elevação no preço de fertilizantes (~57% YTD) além dos efeitos secundários do choque no petróleo do 1T26, impactando custos de fretes. Para frente, o risco de um ‘Super El Niño’ no segundo semestre pode manter os preços de alimentos mais altos no país por período prolongado.
A compensação deveria ocorrer com a desinflação dos preços menos correlacionados com estes fatores externos, como os preços do segmento de serviços, mas isto não ocorre pois a atividade doméstica se mantém mais resiliente do que se esperava dado o nível de taxa de juros. A demanda forte no 1T26 foi refletida não apenas nos dados do PIB da última semana, mas também mostram que o 2T26 seguirá com um mercado de trabalho forte, com desemprego baixo e salários reais elevados.
Outro fator de risco importante é a taxa de câmbio brasileira. O forte movimento de apreciação do real se encerrou em maio, com a moeda depreciando cerca de 1,6%. Acreditamos que a redução no preço do petróleo e o momentum favorável para ativos de growth no mundo devem retirar fluxo de economias com maior exposição às commodities. Adicionalmente, a proximidade das eleições presidenciais em ambiente marcado por forte incerteza traz, geralmente, maior volatilidade cambial.
A soma destes fatores, choques de oferta externos, atividade doméstica mais resiliente e potencial depreciação cambial, tornam a continuidade do ciclo de corte de juros no país muito difícil. Neste ambiente, o Copom deverá mudar o tom do comunicado na próxima reunião (17 de junho) a fim de indicar que o ciclo de corte, caso ainda exista espaço para tal, será interrompido com objetivo do Comitê ganhar tempo (graus de liberdade) à luz do cenário mais adverso.
Para este mês, ajustamos as carteiras para reduzir parte do risco de inflação. Optamos por ajustar parte do pacote ‘risco-Brasil’ reduzindo a posição overweight prefixado para o nível neutro, possibilitando o retorno dos títulos pós-fixados de underweight para neutro. Adicionalmente, reduzimos a duration das posições atreladas à inflação, mas mantendo os níveis sobrealocados em vencimentos longos e subalocados em vencimentos curtos. Em renda variável, mantemos o mesmo nível neutro, mas zerando todas as posições em small caps de todos os perfis.
Em resumo, estamos menos construtivos com risco doméstico a curto prazo, ainda que vemos grandes prêmios de risco a serem capturados em prazos mais longos e, portanto, ainda não revisamos para o neutro as posições em inflação. Contudo, taticamente o momento é de potencial desancoragem das expectativas de inflação, postura ainda mais cautelosa da autoridade monetária brasileira e incertezas no ambiente eleitoral. Por estas razões, reduzimos a volatilidade das nossas carteiras.
Em anexo, nosso relatório completo.
BTG Pactual Portfolio Solutions
