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Sacre Investimentos
04 de mai. de 20263 min

Asset Strategy | Maio 2026

Absorvendo choques  

A volatilidade presente no mercado após o início do conflito EUA-Irã surfa a incerteza da extensão e profundidade das tensões no Oriente Médio. Se de um lado os preços do petróleo seguem em patamares significativamente elevados, por outro, a curva futura do óleo segue em backwardation, sugerindo, implicitamente, que o distensionamento ocorrerá e em breve. Mesmo assim, economistas reajustam suas projeções de inflação ao redor do mundo, incluindo os impactos diretos (ex.: combustíveis) e indiretos (ex.:  bens industriais) nas estimativas de curto prazo. Ou seja: ainda que a curva futura de petróleo indique uma certa “normalização” do preço do barril já neste ano, os impactos sob os custos de produção e sob as expectativas, em razão dos efeitos inerciais da inflação, levam a um ambiente global de maior persistência inflacionária e, portanto, de juros mais altos por mais tempo.

No Brasil, o COPOM optou pela continuidade no ciclo de corte de juros, levando a Selic para 14,50%, mas incluindo uma série de alertas em seu comunicado de abril. O BC explicitou sua preocupação com: (i) a inflação corrente, vide o reconhecimento da deterioração das medidas subjacentes de inflação; (ii) as expectativas de inflação, incorporando nos riscos altistas para a evolução dos preços os impactos de segunda ordem na inflação doméstica; e (iii) a evolução da política monetária, incluindo que a calibração agora se dá, além do ritmo, mas pela extensão do ciclo de cortes. Em resumo,  nem mesmo a forte apreciação do real brasileiro frente o dólar americano foi capaz de manter inerte a precificação de corte de juros ao final deste ano. Se antes do conflito o mercado de juros estimava uma Selic em ~12% em dezembro de 2026, agora, para o mesmo período a mesma curva de juros prevê a taxa básica de juros em 14% ao final deste ano e 13,5% ao final de 2027. 

Fato é que há uma assimetria entre a curva de juros futuros doméstica e a curva de preços futuros de petróleo no mercado internacional. Uma Selic de 14% em 2026 significa apenas mais dois cortes de 25bps, ou seja, um BC passivo durante o 4T26, ambiente onde os preços esperados do petróleo estarão significativamente mais baixos, além da resolutiva no pleito eleitoral presidencial.

Admitimos que estamos na ponta mais otimista para a Selic de 2026/27 em comparação a curva de juros. Além da tendência baixista nos preços internacionais dos combustíveis, vemos uma evolução na desaceleração econômica do país, com sinais, ainda que modestos, vindos do mercado de crédito e no mercado de trabalho. O elevado endividamento das famílias somado a um crescimento na taxa de desemprego dessazonalizada pelo 3º mês consecutivo, devem reduzir o consumo das famílias neste ano, mesmo com o Desenrola 2.0.

Para este mês, mantemos a estratégia de Abril. Apesar do maior grau de incerteza nos preços dos ativos, seguimos subalocados em pós-fixados e juro real curto, sob a ótica de que o BC fará um orçamento maior do que está precificado na curva de juros. Continuamos positivos com os prêmios de risco de longo prazo, fundamentando nossas posições sobrealocadas em inflação e prefixados de prazos mais longos. Na renda variável, optamos pela continuidade na alocação neutra, em razão de uma reversão recente no fluxo do investidor estrangeiro. Em alternativos, fizemos pequenas reduções táticas a fim de reduzir volatilidade e/ou absorver retorno esperado de classes de ativos que temos maior convicção nos prêmios de risco.

Em anexo, nosso relatório completo.

BTG Pactual Portfolio Solutions