Asset Strategy | Março 2026
Ver Relatório CompletoO mês de fevereiro seguiu a mesma narrativa de janeiro: dólar US mais fraco, deterioração no preço das ações de software em razão dos estudos recentes do impacto de AI nas economias globais provocando uma rotação no fluxo de investimentos dos ativos de crescimento para ativos de valor. Neste cenário, ativos de economia real como o setor de commodities encontraram fluxo desta rotação e apresentaram retornos expressivos. Como consequência, e também pela escalada das tensões geopolíticas em outras regiões do mundo, ativos latinos ‘outperformaram‘ outras economias emergentes, seja no mercado de juros, câmbio ou bolsa de valores. Exemplificando, neste ano de 2026 as ações PETR4 valorizam ~33% enquanto o Ibovespa ~17%. Portanto, o ambiente manteve-se favorável para a moeda brasileira, fechando a cotação de fevereiro em USDBRL 5,12, menor nível desde maio de 2024, levando a uma apreciação de 6,8% YTD.
Reflexo deste cenário, as expectativas de inflação para os próximos 12 meses continuam a tendência de reancoragem (3,9%) e para fim de 2027, segundo o Relatório Focus, já está abaixo de 3,8%. Nas estimativas do mercado via precificação da curva de juros nominal e real, a inflação implícita de 2 anos, importantes para capturar o termômetro do mercado de juros sob a política monetária, se mantém em torno de 4,5%. Embora ainda distante da meta de inflação, as implícitas mais curtas vem reagindo bem à apreciação significativa da moeda brasileira, permitindo inflações correntes mais baixas via às aberturas mais sensíveis à taxa de câmbio.
Com alguma desaceleração econômica em curso, os preços dos núcleos de serviços têm mostrado um positivo processo de reancoragem, principalmente nas métricas dos últimos 3 e 6 meses com ajuste sazonal. Desta forma, o COPOM encontrou maior confiança para sinalizar o início do ciclo de corte de juros em março: mesmo sem fixar o pace, o mercado estima uma trajetória de -50bps/reunião nas próximas 5 reuniões, o que poderia levar a taxa Selic para 12,5% antes das eleições de outubro. Contudo, reforçamos que os dados mais recentes no mercado de trabalho e no mercado de crédito bancário podem manter a resiliência da atividade econômica por mais tempo.
No mercado de crédito, os dados de janeiro repetiram o forte desempenho da divulgação de dezembro, mostrando um novo crescimento nas concessões de crédito tanto para pessoas físicas (PF) quanto jurídicas (PJ) e com os devidos ajustes reais e sazonais para a devida comparação. Vale destacar que esta reaceleração no mercado de crédito corrobora as recentes surpresas altistas na demanda agregada, usando como proxy o IBC-Br ex-agro, medido pelo Banco Central do Brasil. O curioso é que as concessões crescem mesmo com taxas de juros significativamente elevadas e níveis historicamente elevados na taxa de inadimplência para pessoa física. Logo, parece existir um certo descompasso do efeito da política monetária no mercado de crédito: famílias cada vez mais inadimplentes demandando cada vez mais crédito é sinal de piora na qualidade da demanda atual e um problema a ser enfrentado à frente, com queda do consumo das famílias em um segundo momento.
Para este mês, mantemos a mesma estratégia de fevereiro. Entendemos que a composição de uma elevada alocação estrutural em ativos pós-fixados, mesmo em nível subalocado, ajuda a suavizar as posições neutras em ações e sobrealocadas em ativos atrelados à inflação com vencimentos mais longos. Recomendamos a leitura do relatório de trade idea “NTN-B: hora dos vencimentos longos”, onde detalhamos nossa preferência por duration longa em IPCA+, seja pelos prêmios excessivos, seja pelo timing atrativo.
Em anexo, nosso relatório completo.
BTG Pactual Portfolio Solutions
