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Sacre Investimentos
04 de nov. de 2026•4 min

Asset Strategy | Novembro 2026

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November rain

No cenário externo, outubro foi marcado pela descompressão nos juros longos nas principais economias desenvolvidas, devolvendo parte da forte alta registrada em setembro. Dentre os principais vetores, destacam-se movimentos de aversão a risco relacionados ao volume de capital investido em IA e uma moderação do discurso do Federal Reserve, em especial na estratégia de alta de juros mais espaçadas. Por outro lado, para os EUA, a dinâmica dos fundamentos de crescimento e inflação segue na mesma direção do mês anterior, ou seja, atividade robusta e inflação pressionada, ambos com viés altista.

No Brasil, o cenário tornou-se mais desafiador, com uma combinação menos favorável entre os dados macroeconômicos correntes (atividade, inflação e condições financeiras) e a deterioração das expectativas e preços dos ativos em decorrência da (falta de) sinalização fiscal por parte do governo reeleito. No campo macro, a desaceleração segue em curso e dados recentes da indústria, comércio e serviços vieram abaixo das nossas expectativas, motivo pelo qual vemos um PIB em -0,1% t/t no 3T26. Para frente, também ajustamos nossas projeções de crescimento: de 1,1% para 0,6% no PIB 2027, ajustes resultantes do efeito defasado dos juros elevados, maior comprometimento da renda das famílias e da deterioração no mercado de crédito. 

Do lado da inflação, a combinação da depreciação cambial, desancoragem das expectativas de inflação, fim da escala 6x1, reajustes nos preços dos combustíveis e recomposição de impostos sobre a gasolina impactaram a revisão do IPCA para 2027, de 4,8% para 5,9%. No campo das expectativas, vale destacar a desancoragem para horizontes mais longos. No último Relatório Focus, a mediana das expectativas para o IPCA de 2028 saiu de 3,75% para 4,0%, enquanto o IPCA de 2029 saltou de 3,5% para 4,0%. Em um cenário marcado por incerteza acima do usual, as indefinições em torno dos nomes para a Fazenda e para a diretoria de Política Econômica do Banco Central dão amplitude elevada para a cobertura dos temas macroeconômicos pela imprensa, que vão desde projetos para o ajuste fiscal até potenciais revisões sobre a meta de inflação. Neste contexto de maior volatilidade, os prêmios de risco se elevam e as expectativas de deterioram.

Neste ambiente, o Copom de novembro deveria encerrar o ciclo de corte de juros e manter a Selic em 13,75% sem explicitar os próximos passos. A elevação dos prêmios de risco associada às incertezas fiscais para os próximos anos devem refletir em uma elevação importante na projeção de inflação para o horizonte relevante de atuação da política monetária, reduzindo espaço para um corte adicional na taxa Selic sem uma deterioração nas expectativas e depreciação cambial. 

Vale ressaltar que neste cenário de indefinições sobre a equipe econômica do próximo governo e a não indicação para as diretorias (ainda) vagas no Banco Central ajudam a tornar o ambiente mais incerto que o usual. Nomeações de bons quadros e sinalização de plano um plano que busque a estabilização das contas públicas tem a capacidade de enfraquecer um posterior debate sobre alta de juros. Com tudo na mesa, ajustamos a nossa projeção de Selic para 13,75% ao final de 2027 – ante 12,50%.

Para as alocações, reduzimos risco encurtando duration. Como reflexo da incerteza no cenário doméstico, optamos por encerrar o overweight em títulos indexados a inflação de longo prazo, voltando ao nível neutro, e elevamos em 1 notch over as posições em inflação de curto prazo, reduzindo a duration de 6 para 5 anos no perfil balanceado. Também optamos por encerrar o overweight em bolsa de valores, que implementamos no meio do mês após o resultado do primeiro turno. Com a reversão de expectativas e a incerteza da magnitude da desaceleração econômico podendo impactar os earnings prospectivos, optamos por retornas a classe ao nível neutro.

Em anexo, nosso relatório completo.

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