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Sacre Investimentos
01 de out. de 2026•4 min

Asset Strategy | Outubro 2026

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Entre a cautela e a oportunidade

No cenário externo, setembro foi marcado pela pressão altista sobre os vértices médios e longos das principais curvas de juros, com o Treasury de 10 anos próximo a 5,3%, maior nível desde 2007. Embora não haja um único fator por trás do movimento, o pano de fundo combina atividade global resiliente, e pressões inflacionárias adicionais, reforçadas pela permanência do petróleo acima de US$ 100 por barril. Nesse ambiente, os EUA iniciaram um novo ciclo de alta de juros, enquanto Zona do Euro e Japão deram continuidade ao aperto monetário. Nas economias emergentes este movimento já começou, com a Banco Central da Colômbia elevando sua taxa básica de juros em 25bps,  para 12,25%.

No Brasil, a eleição presidencial vem fazendo preço nos ativos domésticos, razão pela qual houve uma significativa descorrelação dos ativos de juros, câmbio e bolsa no país em relação ao cenário externo. Como exemplo, as taxas de juros nominais soberanas entre Brasil e US: enquanto a Treasury de 10 anos apresentou uma abertura de 55bps, no Brasil, as taxas prefixadas de mesmo vencimento fecharam 62bps. No mercado de câmbio, enquanto as moedas latinas depreciaram, em média, 3,8% em setembro, o real brasileiro valorizou 0,2%. Na nossa avaliação, as divulgações de uma série de pesquisas de intenções de voto apresentando, na sua grande maioria, um empate técnico em um potencial 2º turno entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, refletem a possibilidade de qualquer resultado nas urnas ao longo do mês de outubro, colocando os investidores ou em compasso de espera ou assumindo mais riscos.

Do lado macro, a reunião do Copom de setembro trouxe um Comunicado (e Ata) com poucas alterações em relação ao encontro de agosto e manteve a continuidade do ciclo de corte de juros (-25bps). O Comitê reconheceu uma conjuntura mais clara para a desaceleração doméstica, mostrando preocupação adicional com o mercado de crédito bancário para as famílias, além de sinalizar uma melhora nas aberturas subjacentes da inflação. Ademais, o texto foi o mesmo, em uma possível estratégia de minimização de ruídos por parte do Comitê. No entanto, o comunicado poderia ter dado mais informações sobre o cenário externo, uma vez que a postura mais hawkish do FOMC surpreendeu os mercados e adiciona riscos para as economias emergentes. Outro aspecto importante deste mês foi a divulgação do Relatório de Política Monetária do 3º trimestre, onde o BC reduziu a sua projeção de inflação para o 2T28 (horizonte relevante das próximas duas reuniões) de 3,2% para 3,1%. Em um ambiente externo mais adverso, mantém-se a recomendação de uma postura mais cautelosa pelo Copom. Contudo, as precificações a mercado dão maior probabilidade para um novo corte de 25bps em novembro e, no Boletim Focus, a mediana das expectativas do mercado aponta para uma Selic em 13,50% em 2026.

Na curva de juros, vemos prêmios particularmente atrativos nos vértices longos. Estimamos dois modelos, um de term premium (217bps) e um de inflation risk premium (280bps) onde, somados, mostram um prêmio total de 487bps nas taxas nominais longas, com média histórica em ~300bps. No exercício de decomposição do prêmio por fatores macro, o risco fiscal (167bps) e externo (164bps) são os fatores com maior potencial de explicação dos atuais níveis destes prêmios de longo prazo no Brasil.

Apenas do prêmio acima do usual, o cenário recomenda cautela. Na combinação de um ambiente externo mais adverso e uma perspectiva bidirecional para os ativos domésticos nos próximos meses, optamos pela manutenção da estratégia de alocação: neutros em todas as classes de ativos, mas taticamente sobrealocados em juros reais longos. Entendemos que a atual composição do Asset Strategy, para todos os perfis, já captura retornos excessivos ao CDI em ambientes pró-risco local e que uma exposição adicional nesta direção, seja em duration, seja em bolsa, dependerá de mais informações do cenário nos próximos meses.

Em anexo, nosso relatório completo.

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