Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia
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Nos EUA, a divulgação dos indicadores atrasados, revelou um quadro de atividade significativamente mais robusta, mesmo que algumas leituras ainda estejam poluídas pela lacuna de dados durante o shutdown. O PIB do 3T25 acelerou bem acima do esperado, com alta de 4,3% t/t anualizado (vs. 3,3% consenso. O Payroll de outubro e novembro continuam apontando para um mercado de trabalho com ritmo de contratação moderado. E no front inflacionário, ainda há necessidade de monitorar atentamente os repasses tarifários e a inércia da inflação de serviços, que segue distante da meta. Esse conjunto de indicadores sustenta o argumento de uma pausa estratégica no ciclo de cortes de juros na reunião de janeiro
Por aqui, Focus e curva de juros retiram precificação de corte em janeiro. Em dezembro, o real brasileiro apresentou não apenas a maior depreciação dentre as moedas emergentes como também, no último dia útil do ano (30-12-25), CAGED e PNAD divulgaram dados fortes sobre o mercado de trabalho em novembro, reduzindo significativamente as apostas sobre o corte de 25bps da taxa Selic na reunião do Copom do dia 28 de janeiro. A taxa de desemprego renovou sua mínima histórica (5,2% e 5,48% a.s.) e o saldo de empregos formais deu um salto, na média móvel trimestral com ajuste sazonal, de 79,1 mil para 90,3 mil empregos líquidos mensais
Na política fiscal, na reta final antes do recesso parlamentar, o governo conseguiu aprovar o PLP 128/2025, reduzindo benefícios, tributários, aumentando a tributação de Fintechs e Bets além de elevar o IRRF sobre JCP de 15% para 17%. Com um reforço de receitas na ordem de R$ 20 bi, o Orçamento foi aprovado e o governo deve conseguir cumprir o limite inferior da meta estabelecida para 2026 (déficit zerado). O início do ano eleitoral, por outro lado, vai adicionar ainda mais ruídos ao mercado, uma vez que ainda não temos o tabuleiro político completamente desenhado. A composição das alianças e a competitividade dos candidatos nas pesquisas eleitorais devem fazer mais preço a partir de abril, quando termina a janela de transferência partidária e o período de desincompatibilização.
Nesse inicio de ano, os ambientes externo e doméstico ainda demandam cautela e, por isso, mantivemos as alocações. A volatilidade deve permanecer elevada e seletividade, em momentos como o atual, são essenciais para retornos compostos melhores no longo prazo.
No mercado de crédito privado, ao longo do mês de dezembro observou-se que o índice IDA-IPCA Infra encerrou o período com uma leve abertura de spread over, em torno de 4 bps, após registrar -5 bps em novembro. Esse movimento reflete tanto fatores estruturais, como a melhora da liquidez e a ampliação da base de investidores, quanto fatores técnicos, com destaque para a exigência regulatória de alocação mínima dos fundos incentivados. Esses fundos devem atingir 85% do patrimônio em ativos enquadrados na Lei 12.431 no prazo de até dois anos, o que pode representar um estoque aproximado de R$ 38 bilhões até o final de 2026. Além disso, um eventual aumento do fluxo comprador por parte do investidor de varejo pode contribuir para limitar movimentos adicionais de abertura dos spreads. Apesar de os spreads permanecerem em níveis historicamente pressionados, diante da retomada das discussões sobre uma eventual tributação de ativos atualmente isentos, entendemos que a alocação nesses instrumentos ainda faz sentido, especialmente considerando a incerteza e o horizonte dessas discussões.
