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Sacre Investimentos
18 de fev. de 20263 min

Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

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Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

O ano de 2026 começou com melhora relevante do apetite por risco em mercados emergentes. A desvalorização do DXY, em meio a tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, levou à realocação de portfólios para ativos alternativos e economias emergentes, especialmente latinas. A valorização expressiva do petróleo, superior a 15% em dólar até o fim de janeiro, reforçou a leitura de menor estresse global. Esse ambiente externo favoreceu o real, que apresentou forte apreciação chegando a níveis abaixo de USDBRL 5,18. A melhora das condições financeiras domésticas contribuiu para a redução das expectativas de inflação e das taxas implícitas, com impacto direto no fechamento da curva de juros prefixados.

Mesmo diante desse quadro, o Banco Central manteve a Selic em 15% em janeiro, adotando postura cautelosa. O Copom indicou o início do ciclo de cortes em março, condicionado à consolidação de sinais de desaceleração da atividade e à convergência mais clara da inflação, com atenção especial ao mercado de trabalho.

A dinâmica fiscal permanece como variável-chave para a ancoragem das expectativas. A capacidade de execução do arcabouço fiscal, em um contexto de mercado de trabalho ainda resiliente, será determinante para sustentar a desinflação e permitir um ciclo de afrouxamento monetário mais duradouro ao longo de 2026. É importante ressaltar que anos eleitorais, no geral, adicionam volatilidade aos mercados especialmente numa eleição que tende a ser acirrada. 

Nesse inicio de ano, os ambientes externo e doméstico ainda demandam cautela e, por isso, mantivemos as alocações. A volatilidade deve permanecer elevada e seletividade, em momentos como o atual, são essenciais para retornos compostos melhores no longo prazo.

Nesse mês ajustamos as alocações reduzindo a exposição em inflação de curto prazo, redirecionando o recurso para pré e CDI curto. Em um ambiente de elevado CDI real ex-ante e expectativas de inflação em reancoragem, entendemos que é melhor ficar mais exposto em juros reais longos, dado que, no curto prazo, o carrego da inflação não compensará e poderá provocar uma abertura das taxas para fechar o gap com o juro de curto prazo.

No mercado de crédito privado, no mês de janeiro vimos os spreads de crédito apresentarem um fechamento em relação ao final de dezembro (nova metodologia de cálculo), com o índice IDA-IPCA Infra atingindo -33 bps (vs. 4 bps em dez-25). O movimento de fechamento ainda é reflexo de um movimento mais técnico de mercado – principalmente atrelado à demanda dos fundos de crédito que permanece elevada – do que algum movimento fundamentalista de melhora do crédito das companhias. Inclusive, espera-se que a qualidade do crédito das empresas comece a demonstrar sinas de melhora com o inicio do clico de queda da Selic, que por sua vez deverá auxiliar na redução de despesas financeiras e assim perpetuar uma maior geração de caixa. Contudo, tendo em vista o atual patamar de spread pressionados principalmente de emissores high grade, não vemos por ora capacidade para fechamentos ainda mais relevantes, expondo uma possibilidade para novas abertura a partir do momento que investidores de varejo e institucionais enxergarem uma menor assimetria da relação de risco x retorno desses papéis.