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Sacre Investimentos
17 de mar. de 20263 min

Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

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Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

Em fevereiro, manteve-se a narrativa de dólar mais fraco e rotação de fluxo de ativos de crescimento para valor, diante dos debates sobre os impactos da IA. Setores ligados à economia real, como commodities, capturaram esse movimento e registraram retornos expressivos. Ativos latino-americanos superaram outros emergentes em juros, câmbio e bolsa. No Brasil, PETR4 sobe cerca de 33% no ano e o Ibovespa 17%, com o USDBRL a 5,12 (-6,8% YTD).

Esse ambiente favoreceu a reancoragem das expectativas de inflação, com 12 meses em 3,9% e 2027 abaixo de 3,8%, segundo o Focus. Com alguma desaceleração econômica em curso, os preços dos núcleos de serviços têm mostrado um positivo processo de desinflação. Desta forma, o COPOM encontrou maior confiança para sinalizar o início do ciclo de corte de juros em março: mesmo sem fixar o pace, o mercado estima uma trajetória de -50bps/reunião nas próximas 5 reuniões, o que poderia levar a taxa Selic para 12,5% antes das eleições de outubro. Contudo, reforçamos que os dados mais recentes no mercado de trabalho e no mercado de crédito bancário podem manter a resiliência da atividade econômica por mais tempo.

O desafio fiscal se mantém presente, mas não esperamos grandes avanços no sentido de uma consolidação esse ano eleitoral. Além disso, um ambiente externo com volatilidade e crises geopolíticas também exige atenção redobrada.

Nesse mês não alteramos as alocações. Mantemos a visão de que é melhor ficar mais exposto em juros reais longos, dado que, no curto prazo, o carrego da inflação não compensará e poderá provocar uma abertura das taxas para fechar o gap com o juro de curto prazo.

No mercado de crédito privado, o mês de fevereiro foi marcado por uma leve abertura no IDA-IPCA Infra, que passou de -33 bps para cerca de -20 bps, refletindo uma recomposição moderada dos spreads após o fechamento mais intenso observado anteriormente. O ajuste ocorreu de forma disseminada entre diferentes emissores e riscos de crédito, em um ambiente de fluxos mistos na indústria: os fundos de crédito privado tradicional registraram resgates da ordem de R$ 7 bi no mês, enquanto os fundos de infraestrutura seguiram com captação positiva, próxima de R$ 3 bi, mantendo elevada alocação em debêntures incentivadas. Já o IDA-DI apresentou comportamento mais estável, encerrando fevereiro em torno de DI+1,28%, sinalizando maior equilíbrio no segmento. Em nossa visão, apesar da leve abertura no IPCA, os spreads permanecem em níveis historicamente pressionados, sobretudo nos emissores high grade, o que tende a limitar novos movimentos de fechamento no curto prazo e manter o mercado mais sensível à dinâmica de captação e resgates. Embora, de forma geral, o IDA-IPCA tenha permanecido em níveis comprimidos, partes específicas do mercado de crédito passaram a apresentar maior estresse, com elevação na percepção de risco para companhias com alavancagem elevada e perspectivas macro e setoriais menos favoráveis