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Sacre Investimentos
13 de abr. de 20263 min

Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

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Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia

Em março, o conflito no entre Israel-EUA X Irã eclodiu e resultou não apenas na morte de lideranças iranianas, mas também no fechamento do Estreito de Ormuz. Como cerca de 20% do petróleo global passa por esse gargalo logístico, o preço do contrato futuro de Brent subiu cerca de 43%. Esse movimento, somado às incertezas sobre a duração da guerra, pressiona as expectativas de inflação e já levou a mudanças importantes nas tendencias de política monetária dos principais bancos centrais. Nos EUA, cortes de juros para esse ano foram retirados da curva e na Zona do Euro, o potencial movimento de afrouxamento foi revertido em precificação de novas altas.

No Brasil, os impactos também foram significativos. A inflação implícita de 2 anos saiu de 4,6% para 5,6%. Mesmo com a pressão dos preços internacionais, a Petrobras até o momento continua com uma forte defasagem, e o reajuste de R$ 0.38/L foi feito apenas para o diesel. O risco de desabastecimento é a maior preocupação do governo federal, que por sua vez, zerou PIS/Cofins sobre o diesel e apresentou medidas de subvenção. No fim, o resultado é um ambiente de maior desconfiança sobre os efeitos inflacionários do choque externo

Na reunião do Copom de março, o BC optou por iniciar o ciclo de corte de juros, em -25bps, levando a taxa Selic para 14,75%. Apesar de um corte mais conservador, entendemos que o BC deu menos peso para os dados mais recentes da atividade doméstica. Com uma comunicação do BC mais dovish mantemos a visão de uma Selic chegando a 12,5% ao final de 2026. A curva de juros local reprecificou a Selic terminal deste ano dos 12% anteriores ao conflito para os atuais 13,75%.

No campo político, o resultado da janela de transferência partidária e de desincompatibilização no inicio de abril dará uma visão melhor sobre tabuleiro eleitoral. O desafio fiscal se mantém presente, mas não esperamos grandes avanços no sentido de uma consolidação neste ano eleitoral.

Nesse mês não alteramos as alocações. Entendemos que a evolução do noticiário pode trazer uma redução das tensões geopolíticas, fator fundamental para o fechamento da curva de juros e melhor precificação dos ativos de duration longa, onde vemos grande prêmio de risco a ser capturado.

No mercado de crédito privado, o mês de março foi marcado por uma abertura dos spreads, após o período de maior compressão observado anteriormente. O IDA-IPCA saiu de cerca de -20 bps em fevereiro para +6 bps em março, refletindo uma recomposição dos prêmios no segmento indexado à inflação. Já o IDA-DI também acompanhou o movimento, encerrando o mês em torno de CDI+1,58% (vs. CDI+1,28% em fevereiro), com abertura de aproximadamente 30 bps no período. O ajuste ocorreu em um contexto de maior aversão a risco, com pressão mais evidente em créditos com fundamentos mais frágeis, mas também atingindo ativos com métricas ainda saudáveis, sugerindo um movimento mais técnico de contaminação, e não uma deterioração mais ampla do crédito. Dessa forma, a abertura mais abrupta em alguns emissores parece refletir eventos pontuais ou movimentos técnicos de venda, sem indicar uma piora estrutural do mercado de crédito como um todo. Em termos de fluxo, a dinâmica seguiu desbalanceada: os fundos de crédito privado tradicional continuaram registrando resgates relevantes, enquanto os fundos de infraestrutura mantiveram captação positiva e elevada alocação em debêntures incentivadas. No mercado primário, observou-se menor volume distribuído a mercado, refletindo maior seletividade dos investidores diante da abertura recente dos spreads.