Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia
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Em abril, o conflito no entre EUA X Irã continuou a pautar o noticiário e o preço do barril do petróleo segue sendo um fator de pressão altista para a inflação. Apesar das dúvidas sobre como vai ficar a gestão e a previsibilidade de fluxo no Estreito de Ormuz, curva futura do óleo segue em backwardation, sugerindo, implicitamente, que o destensionamento ocorrerá e em breve. Contudo, nas projeções de mercado, os impactos indiretos sobre os custos de produção e expectativas já começaram a ser incorporados e levam a um ambiente global de maior persistência inflacionária e juros mais altos por mais tempo.
Na reunião do Copom de abril, o BC cortou novamente 25bps, levando a taxa Selic para 14,50%. O Comunicado do comitê explicitou sua preocupação com a evolução do cenário inflacionário e deixou claro que “ajustes no ritmo e na extensão da calibração” podem ser feitos à luz de novas informações. No BTG, revisamos a Selic para o fim de 2026 para 13% a.a. e 10,50% a.a. para 2027.
No campo político, a PLDO 2027 foi encaminhada para o Congresso Nacional no dia 16/04. Apesar da manutenção das metas de resultado primário para os próximos anos, conforme o esperado, a credibilidade da trajetória da dívida depende da execução política e da capacidade de conter despesas obrigatórias e parafiscais ao longo da tramitação e da implementação. O desafio fiscal se mantém presente, mas não esperamos grandes avanços no sentido de uma consolidação neste ano eleitoral. Seguimos acompanhando novas pautas politicamente relevantes como o novo Desenrola 2.0 e fim da Escala 6X1 e PLP dos Combustíveis, que flexibiliza as regras fiscais, permitindo que a redução de impostos federais sejam compensados pelo aumento de arrecadação em função de um preço do barril do petróleo mais elevado.
Mesmo nesse cenário mais complexo não alteramos as alocações. Estamos na ponta mais otimista para a Selic de 2026/27, e por isso, seguimos menos posicionados em pós-fixados, por vemos o que o BC fará um orçamento maior do que está precificado na curva de juros. Entendemos que a evolução do noticiário geopolítico pode trazer volatilidade, mas continuamos positivos com os prêmios de risco de longo prazo, fundamentando nossas posições sobrealocadas em inflação de prazos mais longos.
No mercado de crédito privado, o mês de abril foi marcado por uma abertura mais relevante no IDA-IPCA Infra, que passou de cerca de +5 bps em março para +45 bps em abril, refletindo uma recomposição dos spreads após o período de prêmios mais comprimidos observado nos meses anteriores. O ajuste ocorreu de forma disseminada entre diferentes emissores e riscos de crédito, mas com maior intensidade nos papéis de menor qualidade creditícia, em um ambiente de maior seletividade e aversão a risco, influenciado por eventos específicos de crédito e pelos resgates na indústria de fundos. Já o IDA-DI apresentou comportamento mais estável, encerrando abril em torno de CDI+1,58%, praticamente em linha com março, apesar dos picos observados ao longo do mês, quando chegou a níveis próximos de CDI+1,71%. Em nossa visão, abril evidenciou uma recomposição mais clara dos prêmios no segmento de infraestrutura, enquanto o mercado tradicional de debêntures mostrou maior estabilidade no fechamento do mês. Ainda assim, a combinação de performance pressionada dos fundos, resgates e maior diferenciação entre emissores tende a manter o mercado sensível à dinâmica de fluxos nos próximos meses.
