Atualização Quinzenal - Mercado e Estratégia
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Em maio, o cenário macro trouxe novos riscos para os ativos domésticos. A piora da inflação, tanto em nível quanto em composição, reforça a necessidade de uma postura mais hawkish por parte do Banco Central. A inflação de alimentos segue pressionada pela alta dos fertilizantes (~57% YTD) e pelos efeitos secundários do choque do petróleo no 1T26, que elevaram os custos de transporte. Além disso, o risco de um "Super El Niño" no segundo semestre pode prolongar as pressões sobre os preços de alimentos.
A atividade econômica continua resiliente. Além do PIB forte no 1T26, o mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego baixo e salários reais elevados. Nesse contexto, esperamos que o Copom adote um tom mais cauteloso na reunião de 17 de junho, indicando uma possível interrupção do ciclo de cortes para preservar flexibilidade diante de um cenário mais adverso.
No campo político, o governo busca mitigar os impactos da alta do petróleo por meio de subvenções. Com parte desse suporte já implementado, a Petrobras reajustou a gasolina tipo A em R$ 0,44 por litro nas refinarias. Até o momento, as receitas extraordinárias do petróleo têm sido suficientes para financiar essas medidas. Ainda assim, o desafio fiscal permanece, e não esperamos avanços relevantes em reformas estruturais durante o ano eleitoral.
Diante desse cenário, ajustamos nossas alocações para junho. Aumentamos a exposição a ativos pós-fixados, refletindo o menor espaço para cortes de juros. Reduzimos a posição em prefixados, pois o aumento dos riscos inflacionários limita a atratividade da classe no curto prazo. Nos títulos indexados à inflação, reduzimos a duration, adotando uma postura mais conservadora.
No mercado de crédito privado, o mês de maio foi marcado por um fechamento mais relevante no IDA-DI, cujo spread atingiu CDI+1,37% ao final do mês, com duration média de 2,8 anos, representando compressão de 20 bps no período. Apesar da melhora observada ao longo de maio, os prêmios ainda permanecem acima dos níveis registrados no início de 2026. Já o IDA-IPCA Infra apresentou movimento mais moderado, com abertura de 2 bps frente às NTN-Bs no mês, alcançando spread de 47 bps. Maio reforçou o movimento de recuperação dos ativos indexados ao CDI após a volatilidade observada nos meses anteriores, enquanto o segmento de infraestrutura continuou demandando prêmios mais elevados. Ainda assim, os níveis atuais de spread seguem atrativos em termos históricos e refletem um ambiente de maior seletividade por parte dos investidores, especialmente nos ativos de prazo mais longo e maior sensibilidade às condições macroeconômicas.
