Cenário Macro | Abril de 2026
Ver Relatório CompletoCenário Global: O conflito no Oriente Médio eleva preços de energia e incerteza global. A paralisação no Estreito de Ormuz reforça pressão inflacionária no curto prazo. Nos EUA, o choque de energia reforça o fim do ciclo de cortes de juros. Já víamos espaço limitado para flexibilização, diante da resiliência do núcleo de serviços. Com o petróleo, há poucos fundamentos para novos cortes em 2026, mas ainda sem espaço para discussão de altas. Na Europa, a maior exposição ao choque aumenta o risco de estagflação e reabre discussão sobre altas de juros. Na China, dados mais fortes na margem, mas com influência de sazonalidade; demanda doméstica segue fraca e dependente do setor público.
Cenário Doméstico
Setor externo: Petróleo leva a revisão altista relevante. Elevamos nossa projeção de superávit comercial (MDIC) para US$ 90bilhões em 2026 (de US$75bilhões). Para as transações correntes, revisamos o déficit para 2,3% do PIB (de 2,8% do PIB) em 2026. O Brasil segue relativamente bem posicionado por ser exportador líquido de petróleo – o superávit comercial de petróleo e derivados atingirá US$48bilhões em 2026, com produção recorde (~4,1 mb/d) e preços elevados. Mantemos nossa projeção de câmbio em R$ 5,20/US$ no fim de 2026 – a melhora dos termos de troca compensa o ambiente externo mais adverso.
Política fiscal: O impacto líquido do choque do petróleo sobre as contas públicas segue positivo. Revisamos nossa projeção de déficit primário do setor público em 2026 para R$49bilhões, ante R$57bilhões anteriormente, com melhora no resultado do governo central. A arrecadação segue forte, embora parte do ganho fiscal associado ao petróleo deva ser usada para amortecer o choque sobre combustíveis.
Atividade econômica: Os dados do início do ano reforçam nosso cenário de reaceleração da atividade no primeiro semestre de 2026. Houve crescimento disseminado entre os setores, com destaque para comércio e, principalmente, indústria de transformação. A composição do crescimento deste ano deverá ser mais equilibrada entre os componentes cíclicos e não-cíclicos, diferentemente do observado no ano passado, quando o crescimento foi sustentado principalmente pelo PIB agropecuário. Mantemos nossa projeção de crescimento do PIB de 1,7% em 2026. O mercado de trabalho segue resiliente – a alta da renda e a volta do impulso fiscal devem sustentar a expansão nos próximos trimestres.
Inflação: O processo de desinflação segue apoiado principalmente em alimentos no domicílio, mas o cenário de curto prazo tornou-se mais desafiador com a forte alta dos combustíveis e a defasagem elevada em relação aos preços internacionais. Além disso, os serviços subjacentes seguem resilientes e ainda não convergem para níveis compatíveis com a meta. Nesse contexto, revisamos nossa projeção de IPCA para 4,7% em 2026 (de 4,1%) e 4,1% em 2027 (de 3,8%).
Política monetária: A comunicação recente do Copom sugere continuidade cautelosa do ciclo de cortes iniciado em março. A combinação de choque de petróleo, deterioração das expectativas e atividade mais forte no início de 2026 reduz o espaço para uma flexibilização mais célere. Nosso cenário-base passou a contemplar cortes de 25 pb nas próximas reuniões, levando a Selic para 13,0% ao fim de 2026. O risco de um ciclo menor que o nosso cenário-base é relevante. Caso o conflito no Oriente Médio se prolongue, a inflação siga surpreendendo para cima – especialmente nos núcleos – e o processo de desancoragem das expectativas persista, sobretudo nos horizontes mais longos, o espaço para um ciclo de -200 pb em 2026 se reduziria de forma significativa.
Em anexo, o relatório completo
