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Sacre Investimentos
14 de ago. de 20264 min

Cenário Macro: Apresentação Mensal - Agosto de 2026

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Cenário Macro: Apresentação Mensal - Agosto de 2026

Cenário Global: Nos EUA, a reunião de julho do FOMC entregou, inicialmente, um hawkish hold, com três dissensos favoráveis a uma alta, mas o Q&A mais dovish enfraqueceu a mensagem inicial. A inflação de junho foi benigna na margem, mas o núcleo permanece elevado, enquanto a demanda doméstica e o mercado de trabalho seguem resilientes. Na Zona do Euro, o PIB surpreendeu positivamente no 2T26, reforçando a resiliência da atividade apesar do forte choque de energia e sugerindo menor sensibilidade da economia às oscilações das commodities. Diante do crescimento resiliente e da inflação ainda acima da meta, esperamos uma nova alta de juros pelo BCE em setembro. Na China, a economia em duas velocidades persiste, com exportações, indústria e tecnologia sustentando a atividade, enquanto a fraqueza do consumo, do crédito e do setor imobiliário aumenta a pressão por estímulos.

Cenário Doméstico:

Atividade econômica: A atividade econômica tem desacelerado no segundo trimestre, após o forte desempenho observado no início do ano. As principais pesquisas do IBGE registraram surpresas baixistas em relação às expectativas nos últimos dois meses, reforçando nossa avaliação de perda de ritmo da atividade. O mercado de trabalho, por sua vez, permanece apertado, embora a desaceleração dos rendimentos e a moderação da geração de empregos ao longo do segundo trimestre indiquem sinais de acomodação. Projetamos PIB de 2,0% neste ano. Para o próximo ano, nossa principal preocupação continua sendo o elevado endividamento das famílias, que deve limitar o consumo e reforça nosso viés baixista para a nossa previsão de 1,1%.

Inflação: A dinâmica recente da inflação se tornou mais benigna, com surpresas baixistas nas últimas divulgações e com dinâmica mais favorável dos núcleos. A deflação de alimentação no domicílio e dos combustíveis, o arrefecimento dos preços industrializados no atacado e os primeiros sinais de desaceleração da atividade devem contribuir para leituras mais moderadas tanto do índice cheio quanto das medidas subjacentes nos próximos meses. Nesse contexto, projetamos IPCA de 2026 em 5,0%, com um balanço de riscos mais simétrico. Para 2027, esperamos 4,4%, com assimetria altista diante do risco de um fenômeno El Niño mais intenso e mais duradouro afetar safras importantes.

Setor externo: Mantemos nossa projeção de superávit comercial em US$ 85 bilhões em 2026 e 2027. Os dados recentes reforçam essa trajetória, com o saldo acima de 2025 e do padrão histórico, impulsionado principalmente pelo avanço das exportações, em especial de petróleo, cuja produção atingiu recorde histórico em 2026. A reescalada do conflito no Oriente Médio representa um viés altista para nossa projeção. Esperamos que o déficit em transações correntes recue para 2,4% do PIB em 2026 e 2,2% em 2027, apesar dos déficits ainda elevados em serviços e renda primária. Mantemos a projeção de câmbio de R$ 5,40/US$ no fim de 2026, incorporando um cenário de dólar global mais forte diante da postura mais hawkish do Fed.

Política fiscal: O cenário fiscal segue pressionado pela deterioração do resultado dos governos regionais, em meio ao aumento de despesas associado ao calendário eleitoral. Revisamos o déficit primário do setor público em 2026 de 0,4% para 0,5% do PIB, enquanto a projeção para 2027 passou de 0,1% para 0,2% do PIB. Apesar da piora do agregado, o primário do governo central segue compatível com o cumprimento das metas fiscais de 2026 e 2027 em termos ajustados. Ainda assim, déficits mais elevados e o impacto dos créditos financeiros usados para financiar a política parafiscal levaram a nova revisão para cima da dívida bruta, para 82,6% do PIB em 2026 e 86,8% em 2027.

Política monetária: Mantemos a expectativa de dois cortes de 25 pb nas próximas reuniões, levando a Selic a 13,75% no fim de 2026. A função de reação observada na última decisão e a comunicação recente do BC seguem compatíveis com esse cenário. A inflação corrente mais benigna e os primeiros sinais de moderação da atividade e do mercado de trabalho abrem espaço para a continuidade do ciclo de calibração. O contraponto está no balanço de riscos para 2027 e 2028, que piorou com a guerra, os riscos para petróleo e cadeias globais, a maior probabilidade de um El Niño intenso e a nova deterioração das expectativas de longo prazo. Por outro lado, o balanço de riscos para a atividade em 2027 apresenta assimetria baixista, dado que o endividamento das famílias está em nível recorde, o que pode intensificar a desaceleração do consumo no ano.

BTG Pactual Macro Research