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24 de set. de 2026•4 min

Cenário Macro: Apresentação Mensal - Setembro de 2026

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Cenário Macro: Apresentação Mensal – Setembro de 2026

Cenário Global: A discussão internacional segue centrada no Fed. Nos EUA, a atividade permanece resiliente, o PIB do 2T26 cresceu 1,5% t/t anualizado, com consumo em 3,4%, o mercado de trabalho opera próximo do pleno emprego e a inflação continua acima da meta, com o core PCE acelerando para 0,25% m/m em julho. Nesse ambiente, o debate sobre uma alta de juros permanece vivo. Na Zona do Euro, a atividade econômica segue resiliente, a despeito do choque de energia, enquanto a inflação continua rodando acima da meta, apesar de sinais mais benignos na margem. Na China, a economia em duas velocidades persiste, com exportações, indústria e tecnologia sustentando a atividade, enquanto a fraqueza do consumo, do crédito e do setor imobiliário mantém a pressão por estímulos. 

Cenário Doméstico:

Atividade econômica: O PIB do segundo trimestre cresceu 0,5% com ajuste sazonal após 1,1% com uma composição mais fraca, diante da queda do consumo das famílias. Revisamos nossa projeção de crescimento deste ano para 1,8%, diante da fraqueza dos indicadores antecedentes no terceiro trimestre. O cenário para o próximo ano está mais adverso, com a manutenção de uma taxa de juros em patamar ainda elevado e um impulso fiscal menor. Refletindo esse ambiente, esperamos crescimento de apenas 1,1% do PIB em 2027, com assimetria baixista, diante do elevado endividamento e inadimplência das famílias. 

Inflação: A dinâmica recente da inflação seguiu benigna nos últimos meses, o que foi confirmado na prévia da inflação de agosto, com o IPCA-15 surpreendendo para baixo o mercado. As métricas de núcleo continuaram arrefecendo, com destaque para a média dos núcleos que cedeu de 4,4% para 3,8% nos dados com ajuste sazonal e em média móvel de três meses anualizada. A sazonalidade favorável para alimentação no domicílio e combustíveis, bem como uma desaceleração da atividade econômica no final do segundo trimestre têm contribuído para uma leitura mais benigna de inflação no curto prazo. No entanto, a partir de setembro esperamos números menos favoráveis de inflação diante do fim da deflação de alimentos e do etanol. Projetamos IPCA de 5,2% neste ano e vemos uma assimetria altista por conta de combustíveis e alimentação no domicílio. Para 2027, esperamos 4,4%, também com risco para cima diantedo risco de um fenômeno El Niño mais intenso e mais duradouro afetar safras importantes no próximo ano. 

Setor externo: Mantemos nossa projeção de superávit comercial em US$ 85 bilhões em 2026 e 2027, sustentado pelo forte desempenho das exportações, especialmente de petróleo, cuja produção atingiu níveis recordes. Esperamos que o déficit em transações correntes recue para 2,3% do PIB em 2026 e 2,2% em 2027. O financiamento externo permanece confortável, com o IDP acima do déficit em conta corrente e o fluxo cambial positivo no ano, sustentado pelo segmento comercial. Mantemos a projeção de câmbio em R$ 5,40/US$ no fim de 2026. 

Política fiscal: O cumprimento das metas segue como nosso cenário base, mas a dinâmica da dívida continua piorando. Projetamos déficits primários de 0,6% do PIB em 2026 e 0,2% em 2027, deixando margem estreita para o cumprimento da meta no próximo ano. Revisamos a dívida bruta para cima, para 83,2% do PIB em 2026 e 87,6% em 2027, refletindo principalmente a revisão para baixo do PIB nominal, tanto por crescimento real quanto por deflator menores. Ao mesmo tempo, a execução abaixo do esperado de algumas medidas parafiscais reduz o impulso esperado para este ano, mas implica desaceleração mais moderada da atividade em 2027. 

Política monetária: Esperamos mais um corte de 25 pb em setembro, seguido de pausa, com a taxa encerrando 2026 em 13,75%. A probabilidade de continuidade do ciclo nas reuniões seguintes à próxima aumentou, já que dados de atividade e inflação recentes apontam para uma moderação mais disseminada. A continuidade do ciclo em 2026 não é nosso cenário base, já que acreditamos que o Copom utilizará a opcionalidade sobre os próximos passos para a incorporar as definições pós-eleitorais sobre a política econômica e para estabilizar as expectativas de inflação. Essa pausa ajudaria na credibilidade num ambiente desafiador, onde o mercado de trabalho segue apertado, a inflação continua pressionada e as expectativas longas de inflação desancoraram ainda mais nos últimos meses. O balanço de riscos segue adverso, com El Niño, combustíveis, renda, serviços e incerteza eleitoral e fiscal, o que limita a extensão do ciclo. A desalavancagem das famílias é um risco baixista para a atividade e para os juros mas pode, em ambiente de baixa credibilidade fiscal, elevar o prêmio de risco, depreciar o câmbio e restringir novos cortes caso a desaceleração seja abrupta.

BTG Pactual Macro Research