Cenário Macro - Junho de 2026
Ver Relatório CompletoCenário Global: O conflito no Oriente Médio segue no centro das discussões globais, com as restrições no Estreito de Ormuz mantendo no radar riscos inflacionários adicionais via energia e frete. Nos EUA, a combinação de inflação ainda elevada, mercado de trabalho firme e crescimento resiliente torna o balanço de riscos mais complexo para o Fed e intensifica o debate sobre o nível terminal apropriado da taxa de juros, embora nosso cenário-base ainda contemple manutenção ao longo de 2026. Na Zona do Euro, o choque energético tem pressionado mais os preços do que a atividade, o que deve levar o Banco Central Europeu a elevar juros na reunião deste mês. Já na China, a economia doméstica segue enfraquecida, com o crescimento ainda sustentado predominantemente pelo setor externo.
Cenário Doméstico
Setor externo: Alta do petróleo e maior quantum exportado — sobretudo de petróleo — reforçam o cenário de superávit comercial de US$90 bi em 2026 e 2027, com viés altista. O El Niño não altera nossa projeção, o déficit em transações correntes deve recuar para 2,3% do PIB e os fluxos comerciais fortes, combinados a termos de troca potencialmente melhores e diferencial de juros ainda elevado, sustentam nossa projeção de câmbio em R$4,90/US$ no fim de 2026.
Política fiscal: O acúmulo de estímulos à demanda reduziu o espaço para cortes na Selic, pressionando nossas projeções de déficit nominal e dívida pública. As medidas parafiscais anunciadas desde meados de 2025 já somam cerca de R$275 bilhões e devem injetar R$142bilhões adicionais na economia este ano. Projetamos déficit nominal de 8,9% do PIB em 2026 e 8,4% do PIB em 2027, refletindo juros mais altos. Como resultado, revisamos a dívida bruta para 80,9% do PIB em 2026 e 85,0% em 2027, ainda que o déficit primário permaneça compatível com o piso da meta fiscal.
Atividade econômica: PIB do primeiro trimestre confirmou a retomada da atividade econômica e os dados preliminares do segundo trimestre apontam para a continuidade da resiliência da economia. Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB deste ano para 2,0% (ante 1,9% anteriormente). Por outro lado, cenário para o próximo ano está mais adverso, com a manutenção de uma taxa de juros em patamar ainda mais contracionista e um impulso fiscal próximo da neutralidade. Refletindo esse ambiente, revisamos o PIB de 2027 para 1,1% (de 1,6%).
Inflação: Revisamos nossa projeção para o IPCA para 5,3% em 2026 (ante 4,9%) e 4,5% em 2027 (ante 4,2%), refletindo o choque recente do petróleo que tem impactado mais diretamente alimentos (alta do diesel) e bens industriais (aumento de custos e alta no atacado) e indiretamente serviços (maior inércia e desancoragem adicional das expectativas. Incorporamos impacto do El Ninõ forte nos nossos números. Assimetria segue altista pra este e para o próximo ano.
Política monetária: Apesar de a comunicação acumulada do Copom ainda sustentar um último corte de 25 pb em junho, a piora da inflação corrente, a resiliência da atividade e do mercado de trabalho, a deterioração das expectativas longas e a sobreposição de choques de oferta já recomendariam pausa; o principal risco é que seguir cortando amplifique a desancoragem e reduza o espaço para flexibilização em 2027. Como a comunicação do Copom continua apontando para a continuidade do processo de calibragem, nosso cenário-base é de um último corte de 25 pb em junho, levando a Selic a 14,25%, seguido de estabilidade até o fim de 2026.
BTG Pactual Macro Research
