Cenário Macro | Maio de 2026
Ver Relatório CompletoCenário Global: O conflito no Oriente Médio segue ditando as discussões globais. Apesar do cessar-fogo, o fluxo no Estreito de Ormuz permanece paralisado, e o petróleo segue acima de US$ 100/barril, reforçando pressões inflacionárias e levando a uma reprecificação mais hawkish dos ciclos de política monetária. Nos EUA, o PCE de março mostrou impacto relevante da gasolina, enquanto o núcleo segue pouco benigno e deve encerrar 2026 ao redor de 3%, reduzindo o espaço para cortes adicionais do Fed. Na Zona do Euro, a alta da inflação e a deterioração das expectativas tornam uma alta de juros pelo BCE já em junho o cenário base. Na China, o impacto direto do choque é mais limitado, mas a demanda doméstica segue fraca e o risco vem sobretudo pelo canal indireto das exportações para países asiáticos mais expostos ao petróleo do Golfo.
Cenário Doméstico
Setor externo: mais favorável com a alta do petróleo. Projetamos superávit comercial de US$ 90 bilhões em 2026, com viés de alta. Para transações correntes, projetamos déficit de 2,3% do PIB no ano, ante 3,0% em 2025. O fluxo cambial voltou a acelerar em abril, com entrada de US$ 9,3 bilhões, melhor resultado para o mês desde 2018. A recuperação do fluxo e a apreciação do real refletem a posição externa relativamente mais favorável do Brasil ao choque energético. Revisamos a projeção de câmbio (R$/US$) para 4,90 no fim de 2026, ante 5,20, refletindo dólar global mais fraco, melhora dos termos de troca e diferencial de juros ainda elevado.
Política fiscal: Medidas parafiscais se acumulam e ampliam o impulso sobre a demanda. A projeção de déficit primário do setor público em 2026 ficou praticamente estável, em 0,4% do PIB. Para fins de cumprimento da meta, o resultado ajustado segue positivo, com superávit de R$21 bilhões. A dívida bruta de 2026 foi revisada para 80,6% do PIB, refletindo câmbio mais apreciado, PIB mais forte e deflator mais elevado. O impulso parafiscal avançou para cerca de R$140 bilhões, enquanto incorporamos R$ 43 bilhões em medidas para amortecer o choque de combustíveis. O impacto fiscal líquido do petróleo segue positivo.
Atividade econômica: Atividade começa a ganhar tração. Os dados do início do ano surpreenderam positivamente e reforçam o cenário de reaceleração no 1S26, com destaque para comércio e indústria de transformação. Projetamos crescimento de 1,9% do PIB em 2026, com avanço de 1,0% t/t no 1T26, após estabilidade no 2S25. O mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego nas mínimas e massa real de salários acelerando. O impulso fiscal deve seguir sustentando a atividade, mas a política monetária restritiva já pesa sobre o crédito, com desaceleração do saldo, queda das concessões, inadimplência e comprometimento de renda em níveis elevados.
Inflação: Cenário inflacionário piora na margem. Revisamos o IPCA de 2026 para 4,9%, ante 4,7%, e o de 2027 para 4,2%, ante 4,1%. A piora reflete a combinação de núcleos em aceleração disseminada, serviços subjacentes ainda resilientes e bens industriais mais pressionados desde dezembro. Além disso, a defasagem dos combustíveis permanece em nível desconfortável – ao redor de 45% para gasolina e diesel antes de subvenções – mantendo assimetria altista para o IPCA. Nosso cenário contempla compensação pelo governo em eventual reajuste da Petrobras, mas o balanço de riscos permanece para cima.
Política monetária: Copom deve manter a continuidade do ciclo no curto prazo, mas a função de reação ficou menos clara. Mantemos o cenário base de cortes de 25 pb nas próximas reuniões, já que a comunicação não trouxe uma pausa iminente para a mesa. O cenário mais adverso para a inflação reforça a expectativa de ritmo gradual e elevou o risco de Selic terminal acima do nosso cenário base, caso o BC mire estritamente a meta de 3% no horizonte relevante. Ainda assim, como as projeções perderam poder informacional sobre a extensão do ciclo e há margem para maior tolerância temporária, mantemos nossa projeção de Selic terminal em 13%.
Em anexo, o relatório completo
