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Sacre Investimentos
09 de mar. de 20263 min

Cenário Macro - Março de 2026

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Cenário Macro - Março de 2026

Cenário Global

Projetamos crescimento da economia americana de 2,5%, sustentado principalmente pelo consumo das famílias – impulsionado por reembolsos de imposto de renda no início do ano – e por investimentos ligados à infraestrutura de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a inflação segue pressionada, refletindo o repasse de tarifas e a resiliência do setor de serviços, o que tende a limitar o espaço para novos cortes de juros.

Cenário Doméstico

Atividade econômica: A atividade econômica desacelerou ao longo do segundo semestre de 2025, refletindo principalmente a queda dos investimentos e a estagnação do consumo das famílias. Para 2026, esperamos reaceleração da atividade a partir do primeiro trimestre, com destaque para a recuperação do consumo das famílias, sustentada por um mercado de trabalho aquecido e pela volta de um impulso fiscal positivo nos próximos trimestres.

Inflação: A manutenção do câmbio nos níveis atuais segue contribuindo para a desinflação de bens industriais, embora de forma menos intensa do que em 2025. No curto prazo, os preços de alimentação seguem benignos, mas esperamos alguma aceleração à frente. Já serviços permanecem como o grupo mais resiliente, refletindo um mercado de trabalho ainda apertado. O balanço de riscos tornou-se mais altista, com o preço do petróleo nos níveis atuais podendo adicionar cerca de 40 pb à nossa projeção de inflação em uma eventual alta da gasolina.

Setor externo: Projetamos superávit comercial de US$75 bilhões em 2026 e US$80 bilhões em 2027, acima dos US$68 bilhões de 2025, refletindo a desaceleração das importações, maior produção de commodities, especialmente petróleo, e maior diversificação dos mercados de destino. A alta do preço do petróleo representa um risco altista para o saldo comercial. Com Brent em US$80/barril, o superávit poderia chegar a US$84 bilhões em 2026 e US$94 bilhões em 2027. Ao mesmo tempo, a moderação da atividade doméstica deve contribuir para a redução do déficit em transações correntes.

Política fiscal: A meta fiscal deve ser cumprida novamente em 2026, o que não impedirá a dívida bruta de se elevar em 3 p.p., para 81,7% do PIB. O pagamento de precatórios no 2º bimestre deste ano, além de uma série de medidas sem impacto primário implementadas desde o fim de 2025, manterão a demanda pressionada. A alta do preço do petróleo representa um risco altista para a arrecadação, embora pressões políticas por medidas compensatórias possam reduzir esse efeito.

Política monetária: À luz da comunicação desde a última reunião e do nosso cenário prospectivo, mantemos a projeção de corte de 50 pb na reunião do Copom em março, com manutenção desse ritmo nas reuniões subsequentes e Selic terminal em 12% em 2026. Simulando o modelo de inflação do BCB, estimamos que no cenário de referência (Selic do Focus, taxa de câmbio de R$5,25/US$ e Brent a US$80/barril), a projeção de inflação para o 3T27 seria de 3,4%, acima dos 3,2% projetados na reunião de janeiro. Em uma trajetória suavizada para o preço do petróleo, a projeção seria de 3,25%.

BTG Pactual Macro Research