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Sacre Investimentos
07 de jul. de 20264 min

Commodities – Compasso da Semana – 07/07/2026

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Resumo semanal e discussão dos principais temas movendo os mercados agrícolas.

1. “Mother Nature always bats last”

Clima quente e seco no Corn-Belt americano: um agrônomo da BASF baseado em Nebraska nos lembra do adágio de que a natureza sempre tem a última palavra. Em meio ao “mercado climático” norte-americano, a discussão é praticamente unidimensional: clima. E o mês de junho reforçou a dispersão climática no Corn Belt: apesar de o USDA encerrar o mês com 67% do milho e 65% da soja em condições boas ou excelentes, os relatos de campo nos EUA mostram que a realidade regional foi muito mais heterogênea, com diferenças marcantes de temperatura, precipitação e ritmo de desenvolvimento entre os estados. 

O excesso de umidade concentrou os principais riscos agronômicos. Illinois, Iowa e Missouri registraram chuvas intensas, solos saturados e janelas reduzidas para manejo, favorecendo patógenos de solo no soja e, em casos mais severos, condições anaeróbicas que comprometeram o desenvolvimento do milho. Outro aspecto recorrente foi a elevada volatilidade das condições meteorológicas. Diversas regiões alternaram rapidamente entre calor intenso, períodos frios, chuvas excessivas e novos episódios de altas temperaturas. Esse comportamento produziu respostas bastante distintas entre as lavouras: enquanto o norte das Planícies acelerou fortemente o desenvolvimento graças ao rápido acúmulo de graus-dia, áreas de Iowa e Nebraska perderam vigor ao final do mês com a redução das chuvas. Eventos severos, incluindo granizo, ventos fortes e tornados, reforçaram essa heterogeneidade ao afetar de forma localizada o potencial produtivo.

Perspectiva segue construtiva, mas aumenta o foco sobre variabilidade dos yieldsapesar dos desafios climáticos, parte importante do leste do Corn Belt, especialmente Ohio e Kentucky, continua apresentando lavouras em boas condições para milho, sustentando uma visão ainda positiva para a safra caso o clima permaneça favorável durante polinização e enchimento de grãos. Ainda assim, o principal risco para o mercado deixou de ser a produtividade média nacional e passou a ser a crescente divergência regional de rendimento/yield, à medida que estresses localizados, dificuldades de manejo e diferenças no ritmo fenológico tendem a ampliar a variabilidade da produção final.

Mercado complacente? Um segundo adágio valioso para muitos é de que o sistema de preços é a melhor fonte de informação disponível (um quase-equivalente do “the tape never lies”). E o mercado castigou os preços de grãos em Chicago entre maio e junho, muito em função das condições nacionais das lavouras e das chuvas em início de campanha. No período, assistimos a um dos desmontes mais agressivos de posição por parte dos especuladores, que saíram de um net-long de 300k contratos no milho para um net-short de 37k (apesar de na última semana, data ref.: 30/06, os especuladores terem adicionado 8k contratos comprados, já sinalizando um início de reversão), e de um net-long de mais de 200k contratos no soja para algo próximo a 40k. O movimento foi intenso, rápido e algo precipitado dado que o calendário climático americano vai até agosto. A recuperação de preços recente é uma função da virada no tempo.

2. Café – fugazi ou fundamento? 

Excesso de chuvas no Brasil: eis o fundamento para a alta de ~30% ao longo de junho. A maior frequência de frentes frias que têm entrado pelo Sul do país reduziu as temperaturas médias no Centro-Sul (MG incluso), o principal efeito sendo o de manter o solo úmido, limitando as janelas de tempo firme. Mas pouco justifica a alta de 16% em NY no dia de ontem – talvez prova disso seja a queda de ~10% em hoje – o força do movimento de ontem, nos parece, vem da elevada sensibilidade de um mercado dominado por CTA’s, com forte viés de clima (em função da concentração produtiva em poucos países) e com estoques certificados baixos em NY, o que amplifica movimentos de alta em momentos de baixa liquidez no spot

Um junho excepcionalmente chuvoso no Brasil tende a representar mais um risco para a qualidade do café do que para o volume da safra. As precipitações frequentes durante o período de colheita atrasam os trabalhos no campo, dificultam a secagem dos grãos e elevam o risco de fermentação e defeitos, reduzindo a disponibilidade de cafés de melhor bebida. Embora chuvas moderadas possam aliviar o estresse hídrico das lavouras e favorecer a recuperação das plantas para a safra seguinte, um excesso de umidade costuma ser interpretado pelo mercado como um fator altista no curto prazo, sobretudo pelo potencial de comprometer a qualidade e retardar a entrada da nova oferta no mercado. Um dado importante a se monitorar é a exportação de café brasileiro: se vier muito abaixo da tendência, poderemos ver maior estresse no suprimento de café a nível global (caso outros grandes exportadores não compensem, e dada uma demanda constante) e, portanto, novas altas sustentadas nos preços. Caso contrário, o rally recente terá representado apenas uma boa oportunidade para travas e comercialização.