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Sacre Investimentos
21 de jul. de 20264 min

Commodities – Compasso da Semana – 21/07/2026

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Resumo semanal e discussão dos principais temas movendo os mercados agrícolas.

1. Clima no Corn Belt; forte demanda pela soja; geopolítica do Mar Negro

Clima no Corn Belt: o risco climático permanece concentrado nas Planícies e no oeste do Corn Belt. Chuvas recentes beneficiaram a porção oriental de Iowa e áreas adjacentes, mas Dakotas, Nebraska e oeste de Minnesota seguem com déficit de umidade sob uma crista de calor que pode persistir até o fim de julho. O alívio potencial no início de agosto ainda depende da convergência dos modelos. Os ratings nacionais – milho em 67% e soja em 66% bom/excelente – escondem essa divergência regional e, nesta fase, ainda são um indicador imperfeito de produtividade final.

Milho EUA e a divergência entre clima e ratings: o milho carrega prêmio climático, mas ainda enfrenta uma narrativa de oferta mais confortável do que a da soja. Modelos privados projetam produtividade acima da tendência – em alguns casos próxima de 189 bu/acre –, em contraste com o risco de estresse nas Planícies; agosto será decisivo para resolver essa divergência. O suporte externo, porém, melhora: o milho brasileiro parece ter formado piso sazonal mais cedo, a seca na França eleva a demanda potencial de importação europeia e abre espaço para exportações americanas no inverno. Compras efetivas da China seriam o catalisador capaz de transformar esse suporte em uma reprecificação mais relevante, mas até aqui temos visto apenas consultas, não vendas efetivas.

Soja EUA suportada por demanda interna e externa: a soja tem o fundamento mais construtivo do complexo. As vendas antecipadas estão substancialmente acima do ano passado, com a China já tendo adquirido cerca de 2,26 mt rumo à meta indicativa de 25 mt, enquanto basis doméstico e margens de esmagamento permanecem firmes. A recente consolidação após máximas acima de US$ 12 parece realização tática, não mudança de fundamento. Se o calor e a falta de chuva alcançarem o período de enchimento de vagens, a combinação de demanda chinesa, crush forte e menor capacidade de ajuste nas exportações tende a elevar rapidamente a sensibilidade do balanço.

Trigo, veículo geopolítico do complexo de grãos: as restrições no estreito de Kerch reduzem a fluidez das exportações russas, enquanto danos e interrupções mantêm cerca de um terço da capacidade exportadora ucraniana indisponível; o resultado é alta do físico europeu e redirecionamento de demanda para outras origens, como Romênia. O prêmio, contudo, depende da duração dessas restrições: a infraestrutura russa parece mais paralisada do que destruída, e o estoque/uso americano próximo de 38% limita uma alta sustentada até máximas de contrato. Hormuz complementa o quadro como risco de custos – diesel, frete e fertilizantes –, adicionando inflação ao produtor sem constituir, por si só, um fator altista direto para o trigo.

2. Brasil – clima heterogêneo; perspectiva positiva para oferta; margens

Clima: o cenário climático no Brasil segue bastante heterogêneo. No Sul, o RS enfrenta uma semana de elevado risco hidrológico, com previsão de 100-200 mm em parte do Estado, temporais, granizo e possibilidade de alagamentos, enquanto o PR registrou predominância de tempo seco na semana passada, favorecendo a colheita do milho safrinha, mas começando a gerar sinais de estresse hídrico no trigo em áreas onde a falta de chuva persiste. Após a passagem dos sistemas, uma massa de ar mais frio reduz as temperaturas no Sul, mantendo o monitoramento voltado aos impactos sobre lavouras de inverno e pastagens.

Culturas: o milho segue com fundamentos produtivos muito positivos: MT já passou dos 80% de área colhida para o segunda safra, com produção estimada em 57,1 milhões de toneladas, enquanto o PR já ultrapassa 30% da colheita, beneficiado pelo tempo seco. Na soja, o destaque continua sendo o forte esmagamento nos EUA e a demanda global resiliente, que sustenta os fundamentos do complexo em Chicago – as exportações da soja brasileira para a China sustentam os prêmios por aqui; o ponto de atenção é o custo de produção da safra 2026/27, que deve aumentar cerca de 3% no MT; riscos climáticos associados ao evento de El Niño devem, igualmente, influir nas decisões de plantio para a safra seguinte e impactar margens. No trigo, o quadro permanece favorável, com o plantio praticamente encerrado no RS (93%) e concluído no PR, onde 98% das lavouras estão em boas condições; o foco passa a ser a evolução do clima, com excesso de umidade no RS e restrição hídrica em parte do PR durante fases críticas da cultura. Na pecuária, o inverno pressiona o manejo no Sul, enquanto no MT o avanço dos custos de produção continua comprimindo as margens da recria e da engorda.