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Sacre Investimentos
25 de mai. de 20263 min

Commodities – Relatório Temático - El Niño 2026

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Temático El Niño 2026

Volatilidade climática, fragmentação agrícola e reprecificação global

O mundo está entrando em uma nova fase de transição climática relevante, marcada pela rápida reversão de La Niña para El Niño – este último, potencialmente “forte” ou “muito forte” no 4T26.

Mais importante do que a intensidade absoluta do evento é a velocidade da transição e a aparente desorganização atmosférica associada ao processo. O ambiente descrito pelos modelos climáticos – especialmente ECMWF e ensembles internacionais – sugere aumento expressivo da volatilidade meteorológica global, reorganização abrupta dos fluxos de umidade e ampliação da dispersão regional de produtividade agrícola.

Nosso entendimento é que o principal efeito econômico do El Niño 2026 pode não ser necessariamente uma quebra sincronizada da produção global, mas sim uma elevação estrutural da volatilidade climática, agrícola e macroeconômica.

Nesse contexto, mercados passam a enfrentar maior dificuldade de precificação, spreads agrícolas tendem a se tornar mais instáveis e ativos emergentes podem apresentar sensibilidade crescente a choques climáticos.

Em última instância, o evento climático do El Niño vem se somar aos diversos motores de alta que temos observado no fundamento das principais commodities agrícolas sob nossa cobertura – no atual contexto de mercado, o El Niño pode ser mais um fator de alta para soja e milho no horizonte dos próximos 6 a 12 meses.

No link acima e nos anexos, você encontrará uma apresentação completa sobre os efeitos globais e locais do El Niño, a atual discussão em torno dos modelos probabilísticos e estatísticas descritivas do efeito-preço gerado por este fenômeno.

Contexto climático global

Os sinais observados no Oceano Pacífico indicam aceleração importante do aquecimento subsuperficial, fortalecimento do acoplamento oceano-atmosfera e intensificação de rajadas de vento de oeste (“westerly wind bursts”), dinâmica frequentemente associada a episódios relevantes de El Niño.

Diversos modelos passaram a projetar ONI (“Oceanic Niño Index”) potencialmente acima de +2,5°C e, em cenários extremos, acima de +3°C – magnitude compatível com grandes eventos históricos como 1972, 1982, 1997 e 2015.

Historicamente, episódios dessa intensidade estiveram associados a profundas alterações na circulação atmosférica tropical, redistribuição global das chuvas e aumento da frequência de eventos hidrológicos extremos.

Entretanto, o aspecto mais relevante do cenário atual parece ser o caráter caótico da transição climática. O ambiente observado sugere menos um novo equilíbrio climático e mais uma fase de elevada instabilidade entre regimes atmosféricos.

Isso amplia:

  • a incerteza dos modelos; 
  • o risco de eventos extremos; 
  • e a dificuldade de hedge e precificação por parte dos mercados. 

Brasil – Fragmentação climática e assimetria regional

O padrão climático projetado para o Brasil sugere forte fragmentação regional. De maneira geral, o padrão clássico de El Niño parece prevalecer: excesso hídrico no Sul; e maior risco de calor e seca progressiva no Brasil Central. 

O Sul do país tende a enfrentar:

  • maior frequência de frentes frias; 
  • excesso de precipitação; 
  • tempestades recorrentes; 
  • e aumento da volatilidade térmica. 

Isso cria riscos relevantes para:

  • logística; 
  • qualidade de grãos; 
  • armazenagem; 
  • infraestrutura; 
  • e pressão fitossanitária. 

Além disso, eventos hidrológicos extremos podem gerar deterioração rodoviária, interrupções ferroviárias e atrasos portuários, ampliando custos operacionais e volatilidade de fluxos exportadores.

Já o Centro-Oeste e partes relevantes da fronteira agrícola podem enfrentar:

  • encurtamento da estação chuvosa; 
  • maior evapotranspiração; 
  • calor persistente; 
  • e risco de atraso do início das chuvas. 

Isso possui implicações importantes para:

  • soja; 
  • milho safrinha; 
  • formação de pastagens;  
  • e disponibilidade hídrica. 

O ponto central é que o modelo agrícola brasileiro depende fortemente da previsibilidade climática. A expansão da segunda safra foi construída sobre elevada compressão temporal e regularidade pluviométrica. Caso a variabilidade climática aumente estruturalmente, o país poderá enfrentar maior dispersão regional de produtividade e redução da previsibilidade exportadora.