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Sacre Investimentos
18 de mar. de 20263 min

Copom Watch – Decisão do Copom Março 2026 | BTG Pactual

Corte dovish

IPCA 3T27: de 3,2% para 3,3%  - parece pouco. O Copom reduziu a Selic para 14,75% (-25bps) em meio a elevada incerteza externa (Oriente Médio), refletindo em alta significativa no preço do petróleo (+35% de apreciação no Brent em reais deste a reunião de janeiro), além de surpresas altistas nos dados de atividade doméstica referentes ao mês de janeiro, ignorados nesta comunicação ao mesmo tempo que o Comitê reforçou a desaceleração econômica, usando como parâmetro os indicadores do final de 2025.

Sobre as variáveis externas que impactam o modelo, não apenas o preço do Brent teve forte apreciação (de ~65 USD/boe para ~90 USD/boe) na média dos últimos 10 dias úteis da semana anterior ao Copom, mas também toda a sua estrutura de preços futuros. Se a metodologia não se alterou (curva futura para os próximos 6 meses e depois +2% a.a.), esperávamos um impacto maior na inflação projetada no 3T27 para um câmbio de R$/US$ 5,20.

No caso da atividade doméstica, a não comunicação da surpresas altistas de janeiro (ex.: produção industrial, vendas no varejo, concessões de crédito e mercado de trabalho) pode ser interpretado como dovish. É um consenso no mercado que há uma resiliência da economia maior que o esperado, dado o nível e o efeito defasado da taxa de juros aliado a um impulso fiscal que, teoricamente, se enfraquece ao longo do tempo. No entanto, o BC preteriu estes dados para dar luz ao PIB 4T25.

O resultado é um BC dando menos importância aos dados de atividade econômica, no curto prazo, para dar enfoque aos efeitos inflacionários provocados pela incerteza externa. 

Próximos passos: -25bps é cenário-base. Dado o ambiente de maior volatilidade, os diretores optaram por não guiar explicitamente o mercado para a próxima reunião, mas mantiveram a sinalização que o ciclo de corte de juros continuará ao falar, sobre os passos futuros, sobre o “processo de calibração da taxa básica de juros”. Logo, sem clareza sobre a extensão do conflito geopolítico e com dados mais fortes na atividade doméstica, o BC não deverá ter outra alternativa além de manter o ritmo atual de flexibilização monetária. Em um cenário alternativo, onde o fim abrupto do conflito retome os preços das commodities aos níveis pré-guerra e dados de atividade doméstica nos próximos meses retomem a confiança da desaceleração econômica, o corte de -50bps voltará à mesa. Por ora, Selic de 14,50% na próxima reunião de abril.

A Ata do Copom da próxima terça-feira (24) será importante para o BC detalhar melhor quais variáveis levaram a projeção de inflação no horizonte relevante reagir menos que o esperado.

BTG Pactual Macro Strategy