Credit Pack - Caramuru e Cereal (4T25)
Ver Relatório CompletoCaramuru: Biodiesel e commodities potencializam resultados, reduzindo de forma significativa a alavancagem
A receita líquida consolidada da Caramuru alcançou R$ 8,1 bilhões em 2025 (+12%). Os principais fatores que direcionaram o aumento da receita no período foram os segmentos de (i) biocombustível (R$ 2,5 bilhões; +18% a/a) – devido ao maior volume de vendas (+7%) e preço realizado (+11%) por conta da mudança da mistura de biodiesel para o 14% (B14) e posteriormente 15% (B15) – e (ii) de commodities (R$ 2,3 bilhões; +20% a/a) em função do forte volume de vendas (+19% a/a), enquanto o preço ficou estável. A Caramuru reportou em 2025 um EBITDA ajustado recorde de R$ 812 milhões, aumento de 95% em relação a 2024 (R$ 417 milhões), com uma margem de 10,0% (vs. 5,7% em 2024). O aumento expressivo foi reflexo principalmente da (i) reversão de efeitos cambiais adversos registrados em 2024 por conta da valorização do dólar (-R$ 332 milhões), que foram compensados por ganhos de hedge e variações cambiais ativas no ano de 2025 (R$ 223 milhões); (ii) da melhor performance no segmento de commodities e no de biodiesel – sendo este com margens mais elevadas (27,7% em 2025); (iii) redução de 15% nas despesas operacionais e (iv) de uma melhora marginal no mix de produtos.
A alavancagem (Dívida Líquida / EBITDA ajustado) da Caramuru atingiu 1,5x, redução de 1,4x em relação ao 4T24 (2,9x) e a menor alavancagem desde 2018. Após atingir o pico de alavancagem no ano durante o 2T25 (3,3x) - reflexo do efeito sazonal de aquisição de estoques -, a Caramuru atenuou o maior consumo de capital de giro com uma liberação de aproximadamente R$ 1,1 bilhão de seus estoques ao longo do segundo semestre. A dívida líquida encerrou o 4T25 em R$ 1,2 bilhão, praticamente estável em relação ao 4T24. A Caramuru conseguiu reduzir de forma considerável o capex do período, que alcançou somente R$ 112 milhões (-56% a/a). Os principais investimentos foram aqueles destinados para a manutenção do business e para a ampliação da capacidade de esmagamento de soja na unidade de Ipameri-GO (aprox.900 mil/ton). A companhia encerrou dez-25 com uma posição de caixa de R$ 2,0 bilhões, montante suficiente para pagamento de seus passivos de curto prazo (R$ 1,4 bilhão).
Nossa opinião:
Em 2025, o segmento de biodiesel foi o principal catalisador do faturamento da Caramuru, impulsionado pelo crescimento simultâneo de produção, preço e volume de vendas — em contraste com a participação mais discreta observada em 2024. As perspectivas para o segmento seguem positivas, sustentadas pelo aumento do mandato de mistura obrigatória para B15 em ago-25, com possível elevação para B16 em 2026, o que, se confirmado, deverá prolongar a consistência de resultados nesse segmento. Esse movimento será ainda potencializado pela ampliação da unidade de Ipameri, que elevará a oferta de óleo de soja destinada à produção de biodiesel. Para 2026, o principal projeto de expansão é a construção de uma usina de etanol de milho em Nova Ubiratã (MT), desenvolvida por meio da JV entre a Caramuru (51%) e a Biocen (49%), com capex total estimado próximo de R$ 1,4 bilhão e conclusão prevista para o 1S28. A planta terá capacidade de processamento de 605 mil/ton, com produção de 261 mil/m³ de etanol, 15 mil/ton de óleo de milho e 172 mil/ton de farelo seco - projeto que deverá elevar o capex da companhia em aproximadamente 30-40% no ano. Os demais investimentos previstos incluem um novo armazém em Silvânia (60 mil/ton), a planta de SPC em Itumbiara (GO) e o terminal logístico em Itaituba (JV com a 3Tentos).
Cereal: Resultados sólidos, mantendo a estrutura de capital confortável
A Cereal manteve uma sequência de resultados positivos em 2025, com a receita líquida atingindo R$ 5,2 bilhões no ano (+22% a/a). O crescimento ocorreu principalmente devido a (i) maior originação de grãos (2,1 milhões/ton; +23% a/a); adicionando retomada definitiva da unidade de esmagamento Planta I (1,2 mil ton/dia), que voltou a ficar operacional em out-24, adicionando 33% à capacidade instalada da companhia; (iii) melhor performance no segmento de biodiesel (aprox.+25% a/a), reflexo do maior preço e volume de vendas por conta do aumento obrigatório na mistura de biodiesel para 14% e, posteriormente, para 15%; e (iv) melhor performance no segmento de farelo de soja (+24% a/a) por conta do maior volume vendido. O EBITDA Ajustado atingiu R$ 441 milhões (+60% a/a), com margem de 8,4% (vs. 6,4% em 2024). O resultado reflete, principalmente, o melhor desempenho no segmento de biodiesel - que possui margens operacionais mais elevadas - e pelo custo médio de grãos controlado ( aprox.+3% a/a), fatores que compensaram o aumento das despesas operacionais (+38%), especialmente aquelas comerciais provenientes do maior volume de vendas.
A alavancagem da Cereal (Dívida Líquida / EBITDA Ajustado) alcançou 0,1x em 2025, redução de 1,0x em relação a dezembro de 2024 (1,0x). A dívida líquida encerrou o 4T25 em R$ 18 milhões (-93% a/a), reflexo da geração de caixa positiva no período (R$ 137 milhões), principalmente da maior liberação de capital de giro (R$ 105 milhões). Em 2025 o capex atingiu R$ 225 milhões (+17%), sendo a maior parte direcionada para expansão da capacidade estática, atualmente em torno de 700 mil/ton com 15 unidades de armazenagem. A companhia tem o plano de atingir até 2030 uma capacidade próxima de 1,2 milhões/ton. Portanto, para 2026, os principais investimentos serão destinados para aquisições de armazéns (aprox. R$ 150 milhões), assim como ampliar a capacidade de produção de biodiesel de 650 m³/dia para 1,0 mil m³/dia (aprox. R$ 50 milhões). O grupo encerrou dez-25 com uma posição de caixa de R$ 1,9 bilhão, montante bastante confortável em relação aos passivos de curto prazo (R$ 429 milhões), refletindo também a estratégia de liability management para alongamento dos passivos, que hoje estão majoritariamente concentrados no longo prazo (aprox. 80%) e por meio de CRAs.
Nossa opinião:
O Brasil deve encerrar a safra 2025/26 com uma produção de soja recorde, em torno de 178 milhões/ton (+4% a/a). A área plantada foi um dos pilares desse crescimento. A Conab estima expansão de 2,8% na área cultivada, passando de 47,4 para 48,7 milhões de hectares na safra 2025/26. Do ponto de vista de produtividade, a Conab revisou para cima sua estimativa, chegando a um recorde de 3,675 toneladas por hectare - acima da máxima histórica registrada na temporada anterior. Dessa forma, para 2026, a expectativa é que a oferta continue elevada e ainda com preços estáveis para aquisição de grãos (aprox. 70% dos grãos para esmagamento já originados), mas ao mesmo tempo, com margens mais limitadas nos segmentos de venda de commodities. Por outro lado, o business de biodiesel deve se manter aquecido e com demanda consistente, preços favoráveis e, portanto, com margens mais elevadas, o que deve auxiliar a suportar as margens consolidadas do grupo. A companhia espera manter sua política de investimentos conservadora e condicionada ao seu lucro, o que, por sua vez, deverá manter a estrutura de capital da Cereal em patamares confortáveis.
