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Sacre Investimentos
15 de abr. de 20266 min

Credit Pack – MRV e Tenda (4T25)

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MRV – Resultados de 2025 e prévia do 1T26

A MRV encerrou 2025 com receita líquida de R$ 10,9 bilhões (+21% a/a), refletindo R$ 11,5 bilhões (+23% a/a) em lançamentos, 41,8 mil unidades vendidas (+10,5% a/a), R$ 9,9 bilhões de vendas líquidas (+2% a/a) e um VSO de 54% (-15 p.p. a/a). O lucro bruto atingiu R$ 3,2 bilhões (+35% a/a), com expansão da margem para 29,3% (+2,9 p.p. a/a), beneficiada também pela melhora da margem ex-juros (32,7%). As despesas comerciais cresceram 21% a/a, porém estáveis como percentual da receita (8,8%), enquanto as despesas gerais e administrativas recuaram 7% a/a, confirmando o esforço da companhia por controle de despesas. Com isso, o EBITDA totalizou R$ 1,2 bilhão (+18% a/a), ainda com leve compressão de margem para 10,6% (-0,2 p.p. a/a). Apesar da melhora da margem bruta, o prejuízo líquido consolidado do grupo aumentou para -R$ 1,0 bilhão (vs. -R$ 503 milhões em 2024), impactado por maiores despesas financeiras e remarcação de ativos na Resia. O resultado financeiro atingiu -R$ 1,04 bilhão (+36% a/a).

No balanço, a dívida líquida atingiu R$ 6,4 bilhões (+2% a/a), com uma relação sobre o patrimônio líquido de 41% (+2,3 p.p. a/a). Consolidando a operação da Resia, essa relação atingiu 104%. O principal impacto decorreu da redução do patrimônio líquido (-18% a/a), ocasionada pelo prejuízo líquido de R$ 1,4 bilhão na Resia, relacionado principalmente a ativos que tiveram seu valor recuperável reajustado. Para fins de covenant, a métrica (Dívida Líquida + Imóveis a Pagar) sobre Patrimônio Líquido atingiu 0,56x, abaixo do limite de 0,65x.

Prévia do 1T26: Vendas líquidas de R$ 2,5 bilhões (+13% a/a), lançamentos de R$ 2,9 bilhões (+1% a/a) e VSO de 24% (vs. 18% no 1T25). Apesar da melhora nos indicadores operacionais, a MRV reportou queima de caixa de R$ 21 milhões, impactada por sazonalidade, com vendas concentradas em março e repasses a bancos ocorrendo fora do fechamento do trimestre.

Em paralelo, a companhia anunciou que sua subsidiária Resia vendeu o projeto Tributary por aproximadamente US$ 73 milhões, em linha com a estratégia de desinvestimento de ativos nos Estados Unidos. No ano, a Resia já realizou vendas totais de US$ 92 milhões e, para cumprir integralmente seu plano de desinvestimentos, devem alienar cerca de US$ 560 milhões até o final do ano. 

Nossa visão: A companhia vem adotando medidas para reduzir seu endividamento, combinando melhora operacional com a venda de ativos. Ainda que em ritmo gradual, já foram confirmadas alienações de ativos na Resia e, no segmento de incorporação Brasil, a MRV apresenta sinais de recuperação, com avanço na margem bruta e reforço de caixa via cessão de recebíveis. Por outro lado, a liberação de capital de giro foi pontualmente pressionada por mudanças no critério de repasse para a Caixa e atrasos em programas regionais. Adicionalmente, o elevado nível de endividamento segue impactando negativamente os resultados via despesas financeiras. Em contrapartida, o momento favorável do MCMV e o volume de receita a apropriar sustentam a expectativa de recuperação, com margens REF próximas a 35%. Em termos operacionais, a companhia vem promovendo maior eficiência, reduzindo sua presença de cerca de 180 para 130 cidades. Ainda assim, a percepção de risco permanece atrelada à execução do plano de desalavancagem, seja por meio de novas vendas de ativos da Resia ou pela consolidação da melhora na geração de caixa operacional.

Tenda – Resultados de 2025 e prévia do 1T26

A Tenda encerrou 2025 com R$ 5,3 bilhões em lançamentos (-2% a/a), impactada por menor volume em Alea, vendas líquidas de R$ 4,7 bilhões (+5% a/a) e VSO de 54% (-3,5 p.p. a/a). A receita líquida atingiu R$ 4,1 bilhões (+27% a/a) com lucro bruto de R$ 1,3 bilhão (+36% a/a) e margem bruta de 32,1% (+2,1 p.p. a/a), refletindo um controle de custos em um cenário de início de pressão de mão de obra e leve aumento do preço médio +4% a/a. As despesas cresceram 21% a/a, encerrando o ano em -R$ 635 milhões, o que levou o EBITDA para R$ 686 milhões (+43% a/a), com uma elevação de margem para 16% (+1,8 p.p. a/a). Com a melhora operacional, o lucro líquido foi impulsionado para R$ 506 milhões (vs. R$ 106 milhões em 2024), representando uma margem líquida de 12,1% (+8,9 p.p.). A receita a apropriar totalizou R$ 2,8 bilhões (+19% a/a), com uma margem a apropriar de 33,8% (+1,1 p.p. a/a), sinalizando um bom nível de lucro bruto a ser capturado à medida que a receita for reconhecida.

A geração de caixa operacional no período foi de R$ 90 milhões (Alea -R$ 148 milhões, Tenda R$ 238 milhões), beneficiada por R$ 115 milhões em cessão de recebíveis. Retirando seu efeito, o consumo de caixa corresponderia a -R$ 24 milhões. Ao incluirmos dividendos e recompra de ações, a queima de caixa atingiu -R$ 190 milhões no ano. Ainda assim, o nível de endividamento (Dívida Líquida/Patrimônio) permaneceu relativamente estável em 22% (+2,0 p.p.). Para fins de covenant (ex. passivos de SFH), o índice reportado permanece em -4,5%, posição confortável em relação ao limite de 15%. 

Prévia do 1T26: A Tenda reportou forte desempenho operacional no 1T26. Vendas líquidas atingiram R$ 1,5 bilhão (+41% a/a), sendo R$ 1,4 bilhão na Tenda (+45% a/a) e R$ 105 milhões na Alea (+5% a/a). O VSO ficou em sólidos 28% no trimestre (vs. 26% no 1T25). No período, a companhia lançou 15 projetos somando R$ 1,4 bilhão em VGV (+59% a/a), com 13 projetos pela marca Tenda (R$ 1,4 bilhão; +72% a/a) e dois pela Alea (R$ 47 milhões; -51% a/a). Destaca-se o primeiro lançamento em João Pessoa, com expectativa positiva para expansão devido à menor concorrência. Adicionalmente, a companhia cedeu R$ 1,1 bilhão em recebíveis a bancos (+44% a/a), o que deve suportar uma geração de fluxo de caixa sólida no 1T26.

Nossa visão: A Tenda vem apresentando resultados sequencialmente melhores. O bom momento do segmento Minha Casa Minha Vida vem dando suporte à recuperação da companhia; porém, a operação de Alea ainda é detratora de caixa nos últimos resultados. De todo modo, o endividamento da companhia permanece em um patamar saudável, demonstrando estabilidade mesmo após a distribuição de dividendos em 2025. O bom momento da companhia deve continuar, dado o cenário favorável para o programa Minha Casa Minha Vida e os bons indicativos da prévia operacional. A cessão de recebíveis anunciada no 1T26 deve auxiliar no aumento de liquidez da companhia. As discussões sobre o uso do FGTS para outros programas que não o MCMV devem ser acompanhadas; porém, com o nível de endividamento atual, a companhia tem espaço para enfrentar possíveis impactos de funding no programa.