Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
16 de abr. de 20265 min

Credit Pack – Oncoclínicas (4T25)

Ver Relatório Completo

Sequência de resultados fracos ao longo do ano

A companhia continuou a apresentando queda em seus resultados, de modo que a receita líquida atingiu R$ 5,7 bilhões em 2025 (-8% a/a), refletindo (i) a descontinuação de fontes pagadoras de menor qualidade, (ii) o impacto da interrupção de prestação de serviços para a Unimed FERJ e (iii) o desinvestimento de ativos hospitalares e projetos de BTS. Apesar do foco em melhorar a qualidade das fontes pagadoras, a provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) permaneceu elevada, somando R$ 218 milhões no ano, equivalente a 3,4% da receita bruta. O total de procedimentos realizados em 2025 foi de 633 mil (-8% a/a), refletindo menor volume de atendimentos na base comparável. Em contrapartida, o ticket médio apresentou leve crescimento, atingindo R$ 9.711 (+1,5% a/a). Os custos dos serviços prestados totalizaram R$ 4,0 bilhões (-5,1% a/a), com custo caixa equivalente a 68,6% da receita líquida (+190bps a/a), pressionando assim a rentabilidade. Além disso, o resultado no ano apresentou diversos impactos não recorrentes, principalmente impairment (R$ 2,3 bilhões), o que o que levou a um EBITDA ajustado de 720 milhões (vs R$ 1,1 bilhão em 2024). 

Violação de covenants e desafios à frente

Ao final do 4T25, a Oncoclinicas reportou uma dívida líquida financeira de R$ 2,9 bilhões (vs. R$ 3,2 bilhões em 2024), impactada pelo aumento de capital de R$ 1,4 bilhão no 4T25, majoritariamente via conversão de dívida em ações. O efeito positivo da conversão foi deteriorado pela perda de R$ 431 milhões em depósitos mantidos pela companhia em determinado banco. Considerando os ajustes determinados para verificação dos seus covenants financeiros, a alavancagem reportada encerrou em 4,3x e, portanto, acima do limite estipulado em 3,5x. A posição em caixa e equivalentes totalizou R$ 518 milhões, enquanto os passivos financeiros de curto prazo somavam R$ 3,2 bilhões, impactados pela reclassificação de R$ 1,5 bilhão da dívida para o passivo circulante, dado que os índices financeiros estabelecidos em contrato não foram atingidos. Mesmo excluindo esse efeito, os passivos de curto prazo totalizariam R$ 1,7 bilhão. . 

A sucessão de fatos que culminaram no cenário atual

A companhia vinha enfrentando dificuldades operacionais, sobretudo no recebimento por serviços prestados aos planos de saúde, com impacto relevante relacionado a Unimed FERJ (R$865 milhões). Esse cenário levou à perda de escala, à medida que a companhia passou a priorizar fontes pagadoras de maior qualidade, reduzindo o volume de atendimentos. A estratégia pressionou os indicadores operacionais, mas contribuiu para preservar caixa. Adicionalmente, a companhia avançou na descontinuação e desinvestimento de ativos, com destaque para a venda da UMC (Uberlândia Medical Center) concluída em fevereiro, enquanto o HVS (Hospital Vila da Serra – Belo Horizonte) segue em negociação, além da rescisão de contratos para construção de dois hospitais em São Paulo e Belo Horizonte. Apesar dessas iniciativas, a posição em caixa permaneceu insuficiente para honrar as obrigações de curto prazo, o que conjuntamente à quebra de covenants, gerou um cenário de pressão de liquidez. Dessa forma, a Oncoclinicas solicitou em mar-26 duas AGDs junto aos credores para (i) anuência de descumprimento do índice financeiro e (ii) prorrogação até junho dos pagamentos de parcelas referentes a principal e juros (stand still). Paralelamente, a companhia confirmou via Fato Relevante que recebeu propostas de aporte de diferentes investidores. Uma das alternativas - já encerrada e comunicada ao mercado - envolvia a criação de uma nova companhia com os ativos oncológicos em parceria com a Porto Seguro e Fleury, mediante a aporte de capital. 

Além disso, a Oncoclínicas também comunicou ao mercado o interesse de investimento da Mak Capital de aproximadamente R$ 500 milhões, condicionadas a mudanças na governança e esclarecimentos sobre a situação econômico-financeira. No entanto, diante da dificuldade em obter a totalidade das aprovações necessárias nas AGDs, em abr-26, a companhia divulgou via Fato Relevante que ingressou com pedido de tutela cautelar junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo, visando a suspensão dos efeitos de cláusulas de vencimento antecipado e de obrigações de pagamento relacionadas às dívidas. O objetivo inicial é proporcionar um ambiente mais estável para a condução das negociações com credores, sem interrupção das operações, como repactuação das dívidas com novo cronograma de amortização e taxas, além dos próximos passos a serem reportados aos debenturistas e titulares de CRIs. A tutela cautelar assegura um período de stand still de 90 dias dos efeitos suspensivos, além de ser o prazo para a companhia apresentar um plano de reestruturação. Portanto, a companhia deve enfrentar um processo complexo de reestruturação com seus credores e, embora existam indicações de propostas alternativas envolvendo acionistas de referência, a visibilidade permanece limitada neste momento. Seguiremos monitorando de perto os desdobramentos, os impactos sobre a estrutura de capital e a continuidade operacional.

Ademais, na data de hoje, a companhia ainda confirmou via fato relevante que o conselho de administração aprovou, nova proposta da MAK Capital e da Lumina Capital. A proposta prevê uma operação de fomento no valor de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões, destinada a financiar a aquisição de medicamentos pela companhia junto à OncoProd. A operação contará com garantia fiduciária de recebíveis provenientes de contratos com operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras. Adicionalmente, a implementação depende de outras condições específicas e aprovações. Como parte das exigências para a confirmação da proposta pela MAK Capital e da Lumina, houve mudanças no Conselho de Administração.