Crédito: riscos e resiliência nos Fiagros
Ver Relatório CompletoMargens sob pressão
Após três anos consecutivos de compressão de margens, o ano de 2026 indicava uma recuperação gradual para o setor agrícola, cenário que mudou de forma relevante com a eclosão do conflito no Oriente Médio. A interrupção parcial do fluxo global de petróleo e derivados no Estreito de Ormuz provocou forte alta nos preços de energia, combustíveis e fertilizantes, pressionando novamente a estrutura de custos do produtor rural. Em nossa visão, o atual ciclo deve manter a rentabilidade do setor em patamar pressionado ao longo dos próximos trimestres.
Custos sobem mais rápido que as commodities
O choque sobre diesel, gás natural e nitrogenados impacta diretamente a cadeia agrícola global, especialmente em culturas mais intensivas em insumos, como soja, milho e algodão. Enquanto fertilizantes, defensivos e combustíveis registram altas relevantes, os preços das principais commodities agrícolas seguem relativamente estáveis, limitando a capacidade de repasse dos custos ao longo da cadeia. Como consequência, observamos pressão adicional sobre as margens operacionais dos produtores, sobretudo daqueles com maior dependência de crédito, capital de giro e rolagem de dívidas.
Juros elevados e pressão sobre o crédito
Além do impacto operacional, o conflito também provocou uma reprecificação das curvas de juros globais, reduzindo as expectativas de cortes monetários nas principais economias. No Brasil, esse movimento tende a prolongar o ambiente de juros elevados justamente em um momento de maior fragilidade financeira para parte do setor agropecuário. O resultado é um cenário de crédito mais seletivo, maior custo de carregamento das dívidas e possível aumento de renegociações e eventos pontuais de estresse ao longo dos próximos trimestres.
Fiagros contam com amortecedores
Apesar do cenário mais desafiador, entendemos que os Fiagros sob nosso acompanhamento apresentam uma exposição relativamente equilibrada ao atual ciclo, sustentada pela combinação entre reservas acumuladas, maior pulverização das carteiras, redução gradual da concentração em produtores de grãos e duration mais curta das operações. Além disso, os descontos em relação ao valor patrimonial e o carrego ainda elevado das operações indexadas ao CDI oferecem uma margem adicional de “proteção”. Embora não descartemos novos eventos de crédito no médio prazo, avaliamos que parte desses riscos já está refletida nos preços atuais dos ativos.
