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Sacre Investimentos
15 de mai. de 20262 min

Crédito: riscos e resiliência nos Fiagros

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Após três anos consecutivos de compressão de margens, o ano de 2026 indicava uma recuperação gradual para o setor agrícola, cenário que mudou de forma relevante com a eclosão do conflito no Oriente Médio. 

Margens sob pressão

Após três anos consecutivos de compressão de margens, o ano de 2026 indicava uma recuperação gradual para o setor agrícola, cenário que mudou de forma relevante com a eclosão do conflito no Oriente Médio. A interrupção parcial do fluxo global de petróleo e derivados no Estreito de Ormuz provocou forte alta nos preços de energia, combustíveis e fertilizantes, pressionando novamente a estrutura de custos do produtor rural. Em nossa visão, o atual ciclo deve manter a rentabilidade do setor em patamar pressionado ao longo dos próximos trimestres. 

Custos sobem mais rápido que as commodities

O choque sobre diesel, gás natural e nitrogenados impacta diretamente a cadeia agrícola global, especialmente em culturas mais intensivas em insumos, como soja, milho e algodão. Enquanto fertilizantes, defensivos e combustíveis registram altas relevantes, os preços das principais commodities agrícolas seguem relativamente estáveis, limitando a capacidade de repasse dos custos ao longo da cadeia. Como consequência, observamos pressão adicional sobre as margens operacionais dos produtores, sobretudo daqueles com maior dependência de crédito, capital de giro e rolagem de dívidas. 

Juros elevados e pressão sobre o crédito

Além do impacto operacional, o conflito também provocou uma reprecificação das curvas de juros globais, reduzindo as expectativas de cortes monetários nas principais economias. No Brasil, esse movimento tende a prolongar o ambiente de juros elevados justamente em um momento de maior fragilidade financeira para parte do setor agropecuário. O resultado é um cenário de crédito mais seletivo, maior custo de carregamento das dívidas e possível aumento de renegociações e eventos pontuais de estresse ao longo dos próximos trimestres.

Fiagros contam com amortecedores 

Apesar do cenário mais desafiador, entendemos que os Fiagros sob nosso acompanhamento apresentam uma exposição relativamente equilibrada ao atual ciclo, sustentada pela combinação entre reservas acumuladas, maior pulverização das carteiras, redução gradual da concentração em produtores de grãos e duration mais curta das operações. Além disso, os descontos em relação ao valor patrimonial e o carrego ainda elevado das operações indexadas ao CDI oferecem uma margem adicional de “proteção”. Embora não descartemos novos eventos de crédito no médio prazo, avaliamos que parte desses riscos já está refletida nos preços atuais dos ativos.

Ativos Analisados

BT
BTAG11
BTG Pactual Crédito Agrícola
CP
CPTR11
Capitania Agro Strategies Fiagro Imobiliario
GC
GCRA11
Galápagos Recebíveis do Agronegócio
KN
KNCA11
Kinea Crédito Agro
RU
RURA11
Itaú Asset Rural
VC
VCRA11
Vectis Datagro Crédito Agronegócio
AG
AGRX11
AGRX11
RZ
RZAG11
Riza FIAgro
VG
VGIA11
Valora CRA
FG
FGAA11
Fg/Agro FIAgro FII
CR
CRAA11
Sparta FIAgro FII