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Sacre Investimentos
31 de mar. de 20263 min

Estratégia Brasil: Primeira leitura da temporada de resultados do 4T25

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Com a temporada de resultados do 4º trimestre já encerrada, apresentamos uma breve análise de como os resultados consolidados se compararam às nossas estimativas e aos trimestres anteriores. 

Com a temporada de resultados do 4º trimestre já encerrada, apresentamos uma breve análise de como os resultados consolidados se compararam às nossas estimativas e aos trimestres anteriores. À primeira vista, os resultados (excluindo Petrobras e Vale) parecem bons, com receita e EBITDA ficando 4,4% e 2,0% acima de nossas projeções, respectivamente, enquanto o lucro líquido ficou 14,8% abaixo do esperado. No entanto, ajustando pelos resultados da Braskem (que registrou um prejuízo de cerca de R$ 10 bilhões no trimestre), o lucro líquido teria ficado apenas 3,2% abaixo de nossas estimativas. Considerando apenas as empresas doméstica, os resultados ficaram ligeiramente acima de nossas expectativas. A receita, o EBITDA e o lucro líquido superaram nossas estimativas em 3,8%, 1,5% e 1,5%, respectivamente, sugerindo que as commodities foram o principal fator de desvio em nossas expectativas de lucro líquido.

Em comparação ao ano anterior, a receita (excluindo Petrobras e Vale) e o EBITDA cresceram 5,4% e 5,4%, respectivamente, enquanto o lucro líquido recuou 6,4%. Quando analisamos as empresas domésticas, as receitas cresceram 6% a/a e o EBITDA expandiu-se 7%, enquanto o lucro líquido também aumentou 5%. Embora os resultados tenham sido um pouco melhores do que esperávamos, é importante destacar a grande desaceleração no crescimento da receita observada no 4T25 em comparação com os trimestres anteriores. O crescimento da receita, excluindo a Petrobras e a Vale, foi de 10% no 3T25, 8% no 2T e 13% no 1T, em comparação com apenas 5,4% agora. Uma tendência semelhante pode ser observada entre as empresas nacionais, com o crescimento da receita desacelerando para 6% a/a, em comparação com 17% no 3T25, 12% no 2T e 14,5% no 1T.

Qualitativamente falando, os resultados do 4T25 deterioraram-se em relação ao trimestre anterior. A diferença entre resultados fortes e fracos diminuiu para 6 pp, ante 11 pp no 3T25 e 10 pp no 2T (mais detalhes abaixo). Taxas de juros extremamente altas estão afetando a atividade econômica em geral, e o consumo mais especificamente, prejudicando os resultados das empresas. Embora esperemos uma tendência semelhante no 1º trimestre de 2026, a isenção de imposto de renda de R$ 5 mil, válida a partir de 1º de janeiro, uma possível redução nas taxas de juros ao longo do ano (nossa projeção é de um corte de 250bps em 2026) e uma série de medidas tomadas pelo governo para injetar dinheiro na economia (como gás de cozinha gratuito para famílias de baixa renda, pagamentos em dinheiro a alunos do ensino médio de escolas públicas e outras) podem ajudar a reacelerar a atividade econômica em meados de 2026, acreditamos.