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Sacre Investimentos
05 de out. de 2026•6 min

Financeiro - Principais conclusões da Conferência de CEOs de 2026 em Nova York

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Reunimos investidores com as administrações do Banco Pine, do Banco ABC e do Agibank durante a 2026 CEO Conference. O Pine chega ao trimestre com NIM acima de 13%, índice de eficiência abaixo de 20% e ROE em melhora sequencial; o ABC vê os spreads corporativos pararem de cair, com custo do risco em torno de 85 p.b. e middle market crescendo cerca de 30%.

Principais conclusões de Pine e ABC 

Nesta semana, realizamos a nossa CEO Conference de 2026 em Nova York, que trouxe discussões bastante ricas. Neste primeiro relatório, resumimos as principais conclusões das nossas reuniões com o Banco Pine e o Banco ABC. O Pine continua apresentando o momento de resultados mais forte no curto prazo, sustentado pela aceleração da originação, por uma margem financeira ajustada ao risco mais alta e pelo que esperamos ser um terceiro trimestre forte, ainda que a inadimplência do consignado privado deva seguir subindo à medida que a carteira amadurece. O ABC registrou uma melhora disseminada na atividade dos clientes ao longo do terceiro trimestre, enquanto a sua postura conservadora de provisionamento e a liquidez disponível no mercado de capitais devem ajudá-lo a navegar o ciclo de crédito corporativo. 

Pine: originação acelerando e sustentando outro trimestre forte

Esperamos um terceiro trimestre forte para o Pine, com o crescimento da carteira de crédito rodando acima das nossas expectativas iniciais, margem financeira acima de 13%, margem financeira ajustada ao risco se aproximando de 8%, retorno sobre o patrimônio melhorando na comparação trimestral e índice de eficiência (pela definição do Pine) caindo para menos de 20%. No consignado privado, as taxas do Pine nas novas originações subiram ligeiramente, de cerca de 4,2% para 4,3% por mês, à medida que alguns competidores se tornaram mais cautelosos e o mercado começou a se consolidar. A qualidade dos ativos segue como o principal ponto de monitoramento: o índice de inadimplência acima de 90 dias do consignado privado do Pine alcançou 6,8% em agosto e deve continuar subindo à medida que a carteira, ainda jovem, amadurece, embora o ritmo de deterioração tenha desacelerado e o índice de inadimplência entre 15 e 90 dias tenha se estabilizado. Até agora, o aumento da inadimplência foi absorvido pela precificação, como indica a expansão da margem financeira ajustada ao risco.

As safras mais recentes também vêm apresentando desempenho melhor após a decisão do Pine de focar em clusters de maior qualidade, com tempo de emprego e perfil do tomador entre as principais variáveis de concessão. A administração estima que de 30% a 35% da inadimplência do consignado privado esteja relacionada a questões operacionais, e não ao risco de crédito tradicional do tomador, incluindo problemas de reconciliação e empregadores que descontaram as parcelas da folha de pagamento, mas ainda não as repassaram ao banco. Neste último caso, a responsabilidade pelos valores é do empregador, e não do tomador. A religação automática de tomadores que trocam de empregador começa a ajudar a cobrança, ainda que o mecanismo ainda não cubra todos os casos, e o Pine também reforçou os esforços de cobrança junto aos empregadores que deixam de repassar os descontos. Apesar dos altos retornos do produto, o Pine pretende manter o consignado privado em torno de 30% da carteira de crédito expandida, uma escolha deliberada de construção de carteira para evitar concentração excessiva.

ABC: atividade melhor no terceiro trimestre; spreads de crédito pararam de cair

O ABC indicou que a atividade de negócios melhorou ao longo do terceiro trimestre, um pouco mais do que a sazonalidade positiva usual. A demanda por crédito começou a se recuperar, enquanto a retomada dos fluxos da mesa de energia, dos derivativos e do DCM deve contribuir para a expansão de receitas. Ao mesmo tempo, a boa notícia é que os spreads de crédito corporativo parecem estar ao menos se estabilizando depois de uma trajetória de queda.

O ciclo de crédito corporativo segue como a principal preocupação dos investidores. No entanto, mercados de capitais mais líquidos permitiram que as empresas alongassem suas dívidas, enquanto os fundos continuam com liquidez abundante, reduzindo o risco de um aperto de crédito. O ABC também posicionou o seu balanço de forma conservadora: a atual postura de provisionamento assume custo do risco próximo de 85 p.b., já perto do topo da faixa de 50 a 100 p.b. esperada pela administração, enquanto o banco ainda carrega provisões adicionais não alocadas. O ponto negativo é que cada mês adicional de Selic elevada deixa mais empresas sob pressão.

Olhando para 2027, a administração espera um ano de modo geral similar a 2026, com juros ainda altos e balanços corporativos mais pressionados, mas acredita que o ABC pode continuar crescendo em ritmo parecido, dada a sua participação de mercado relativamente pequena e a sua abordagem seletiva. A margem financeira deve se beneficiar do carrego da melhora do segundo semestre de 2026, enquanto o DCM e as receitas de serviços devem crescer em linha com a carteira de crédito, e o custo do risco pode permanecer similar ou melhorar ligeiramente. Assim, um retorno sobre o patrimônio de 15% a 16% ainda faz sentido no médio prazo e, dependendo do cenário macroeconômico, pode eventualmente superar esse nível, sustentado pelo crescimento da carteira de middle market, em que o ABC está expandindo a cerca de 30%, e por ganhos de alavancagem operacional.

O Pine é a nossa Top Pick entre os bancos small caps brasileiros

De modo geral, continuamos preferindo nos posicionar no segmento de bancos SMID brasileiros por meio do Banco Pine, dado o seu forte momento de resultados e o valuation descontado, abaixo de 4,5x preço/lucro projetado para 2026. Dentro do nosso universo de cobertura, o Pine foi o principal vencedor no novo negócio de crédito consignado privado. Com mais de 300 pessoas trabalhando exclusivamente nessa linha de negócio, o banco decifrou o código de um segmento novo no qual muitos incumbentes e bancos digitais encontraram dificuldade para entrar.

O ABC segue sendo um dos operadores mais consistentes do atacado bancário brasileiro, e reconhecemos o potencial relevante de alta em crescimento e em retorno sobre o patrimônio caso o cenário macroeconômico melhore. No entanto, por ora, a mesma liquidez do mercado de capitais que reduz o risco de um aperto de crédito também mantém os spreads comprimidos e desacelera a normalização. Até ganharmos confiança de que os spreads ajustados ao risco no crédito corporativo estão melhorando de forma significativa, vemos a relação risco-retorno como equilibrada a cerca de 0,9x preço/valor patrimonial mais recente e mantemos recomendação Neutra para a ação.

Ativos Analisados

Logo do ativo PINE4
PINE4
Banco Pine
COMPRA
Alvo: R$ 18.00
Logo do ativo ABCB4
ABCB4
Banco ABC
NEUTRO
Alvo: R$ 27.00