GE Vernova (GEV) – Análise dos resultados do 2º trimestre de 2026
Ver Relatório CompletoNossa visão: A projeção de um FCF mais elevado e a visibilidade da carteira de pedidos sustentam as perspectivas, apesar da pressão contínua do segmento eólico
A receita ficou US$ 279 milhões acima do consenso (+2,6%), enquanto o EBITDA ajustado ficou US$ 40 milhões abaixo (-3,1%). O LPA diluído, de US$ 2,47, ficou US$ 0,61 abaixo da estimativa de consenso de US$ 3,08 (-19,9%).
A divulgação mais relevante é a revisão do guidance para o fluxo de caixa livre (FCF) para o ano inteiro: a administração elevou a faixa de US$ 6,5–7,5 bilhões para US$ 11,5–12,5 bilhões, um aumento de US$ 5 bilhões no ponto médio. Isso se deve ao FCF do primeiro semestre de US$ 9,9 bilhões, impulsionado por grandes adiantamentos recebidos em pedidos de equipamentos de turbinas a gás e pela dinâmica favorável do capital de giro comercial, além da confiança da administração nos cronogramas de entrega do segundo semestre. O guidance de receita foi elevada em US$ 1 bilhão no ponto médio, para US$ 45,5–46,5 bilhões; o guidance da margem de EBITDA ajustado, de 12%–14%, permaneceu inalterada.
O acréscimo sequencial de US$ 13,0 bilhões na carteira de pedidos elevou o total das obrigações de desempenho remanescentes para US$ 176,3 bilhões, ampliando a visibilidade da receita para vários anos. Os segmentos de Energia e Eletrificação ampliaram suas margens de EBITDA em relação ao mesmo período do ano anterior: o de Energia para 18,8% (+240 pontos-base) e o de Eletrificação para 18,4% (+390 pontos-base), refletindo disciplina de preços e alavancagem de volume. A energia eólica continua sendo o principal fator de pressão sobre os resultados: o prejuízo de EBITDA do segmento, de US$ 275 milhões (margem de -13,6%), ampliou-se significativamente em relação aos US$ -165 milhões do segundo trimestre de 2025, impulsionado por volumes menores de equipamentos de energia eólica onshore e custos mais elevados dos projetos de energia eólica offshore. As perdas de EBITDA do setor eólico no primeiro semestre, de US$ 657 milhões, já ultrapassaram o guidance da administração para o ano inteiro, de aproximadamente US$ 400 milhões, o que implica uma melhoria sequencial necessária no segundo semestre de cerca de US$ 257 milhões. A trajetória dessa recuperação é a principal incerteza nas perspectivas de lucros no curto prazo.
Ao preço atual da ação de US$ 1.078,81 (capitalização de mercado de US$ 287,3 bilhões), a GEV é negociada a 46,6x o P/L futuro. Esses múltiplos incorporam expectativas de expansão sustentada das margens e conversão de FCF que os segmentos de Energia e Eletrificação estão atualmente sustentando; o segmento eólico continua sendo a variável não resolvida.
A queda das ações provavelmente reflete três preocupações convergentes. Primeiro, o LPA ficou quase 20% abaixo do consenso. Em segundo lugar, os prejuízos do segmento Eólico no primeiro semestre já ultrapassaram o guidance para o ano inteiro, sem que houvesse revisão desse guidance, o que sugere uma recuperação no segundo semestre que o mercado pode considerar incerta. Em terceiro lugar, o desempenho acima do esperado no FCF foi impulsionado, em parte, por pagamentos antecipados em contratos de turbinas a gás, levantando questões sobre até que ponto a melhora reflete a capacidade de geração de lucros recorrentes em comparação com o calendário de recebimentos dentro do ciclo de pedidos.
