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Sacre Investimentos
08 de set. de 20263 min

Global Asset Strategy | Setembro 2026

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Crescimento forte, setembro em aberto

Cenário EUA
Agosto foi marcado pelo endurecimento do tom de Kevin Warsh em Jackson Hole, reforçando a meta de 2% no PCE e alertando que a estabilidade de preços não é automática nem a inflação reverte necessariamente à média. A atividade americana segue resiliente: embora a segunda leitura do PIB do 2T26 tenha confirmado avanço de 1,5% anualizado, as vendas finais a compradores domésticos privados foram revisadas para cima, alcançando 4,2% (maior ritmo em mais de três anos), com o consumo das famílias em 3,4% e continuidade da expansão do capex em IA. Do lado da inflação, enquanto o CPI de julho desacelerou para 3,4% no cheio e 2,5% no núcleo, o PCE cheio sustentou 3,7% e o núcleo acelerou para 0,25% m/m (3,34% a/a), com difusão ampla (54% dos componentes da cesta acima de 3% a/a) e supernúcleo elevado. Diante de condições financeiras longe de estarem restritivas, a reunião de 15 e 16 de setembro permanece viva (com o mercado precificando cerca de 60% de probabilidade de alta), e mantemos a chamada de elevação de 25 bps em setembro (condicionada ao CPI de agosto), avaliando que outubro é pouco provável pela proximidade das eleições e que dezembro dependerá do passo mensal do núcleo.

Cenário Europa & Ásia
Na Zona do Euro, o ECB volta a se reunir em setembro após a pausa de agosto, com comunicação convergindo para uma alta de 25 bps na taxa de depósito, de 2,25% para 2,50%, encerrando o ciclo de aperto. A atividade surpreendeu positivamente (PMI composto em 52,1), enquanto a energia e o gás mantêm a inflação sob pressão (HICP de julho em 2,9% no cheio e 2,5% no núcleo). Na China, a economia segue dividida: produção industrial (4,5% a/a) e tecnologia mostram resiliência, mas o consumo (varejo em 0,6% a/a) e o setor imobiliário continuam frágeis, sustentando nossa projeção de crescimento de 4,7% para 2026 via suporte de crédito estatal. No Japão, o comitê do BoJ coordenou um tom mais duro em agosto diante da aceleração do CPI (1,9% a/a), salários firmes e iene depreciado, tornando a reunião de setembro o momento mais provável para uma nova alta de juros, para 1,25%.

Estratégia Renda Fixa & Renda Variável
Em renda fixa, mantemos a sobrealocação na classe com foco no carry elevado e duration inalterada entre 5,0 e 5,5 anos, abaixo do benchmark de sete anos. Preservamos a preferência por títulos soberanos, TIPS (com juro real atrativo de 2,34% em 10 anos) e crédito de Grau de Investimento (spread em 78 bps e yield de 5,41%), enquanto a compressão adicional de spreads em High Yield (para 263 bps) reduz a atratividade pelo risco na base da estrutura de capital.
Em renda variável, mantemos postura neutra para a classe e visão construtiva para os Estados Unidos, que permanecem como o núcleo da alocação geográfica, complementados por Ásia emergente. A forte safra de balanços do 2T26 (86% das empresas superando estimativas de lucro no S&P 500) e a recuperação do mercado em agosto (alta de 2,9%, levando o índice a 7.707 pontos) confirmam a solidez do ciclo de capex em IA, enquanto o recuo do múltiplo projetado para 21,5 vezes melhora o valuation relativo frente ao patamar de juros elevados.