Hapvida - Radar de Resultados 2T26
Hapvida (HAPV3)
(Participação BTG Equity Research) · Resultado 2T26
Comentário de Resultado
A receita líquida foi de R$ 8,0 bilhões (+3,9% a/a), enquanto o custo médico avançou para R$ 6,0 bilhões (+5,7% a/a), elevando a sinistralidade caixa para 75,2% (+1,3 p.p. a/a e +3,0 p.p. t/t), refletindo maior utilização e frequência sazonais no trimestre e maior nível de sinistros na rede credenciada após a utilização mais forte observada em março. Com isso, o lucro operacional caiu para R$ 44,8 milhões (-70,3% a/a), em um contexto também pressionado por maiores despesas corporativas, despesas de vendas e maior linha de contingências ligada à judicialização, enquanto o prejuízo líquido ampliou para R$ 217,1 milhões (vs. prejuízo de R$ 205,8 milhões no 2T25), com despesas financeiras líquidas em R$ 344,0 milhões, praticamente estáveis t/t. No operacional, a base de beneficiários de saúde recuou 16,0 mil vidas t/t, com queda concentrada no Sudeste (-17,0 mil), parcialmente compensada por +7,0 mil nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e, por canal, o corporativo seguiu como principal detrator (-27,0 mil), enquanto Individual (+11,0 mil) e Afinidade (+4,0 mil) melhoraram. Além disso, o ticket médio de saúde subiu 5,7% a/a para R$ 306 por mês. Em paralelo, o capex foi de R$ 173,0 milhões (-13% a/a), e a dívida líquida aumentou para R$ 5,4 bilhões (vs. R$ 5,2 bilhões no 2T25), levando a alavancagem a 1,61x dívida líquida/EBITDA (vs. 1,32x no 4T25), enquanto a liquidez total reportada foi de R$ 8,0 bilhões (incluindo ativo regulatório), com caixa de R$ 5,3 bilhões ao excluir ativos regulatórios, frente a aproximadamente R$ 2,2 bilhões em amortizações de dívida até 2027. Por fim, as pressões de judicialização seguiram relevantes, com depósitos judiciais cíveis em R$ 1,3 bilhão (vs. R$ 1,0 bilhão no 1T26) e provisões totais para contingências de R$ 359,0 milhões (4,5% da receita, +28% t/t).
Nossa Visão
Os resultados permaneceram pressionados pela elevada sinistralidade caixa (75,2% no 2T26, vs. 72,2% no 1T26 e 73,9% no 2T25), pelos custos médico-hospitalares de R$ 6,0 bilhões no trimestre e pelo aumento das despesas com judicialização e contingências — as provisões para riscos cíveis, trabalhistas e tributários chegaram a R$ 232,8 milhões no 2T26 (+189% a/a), além de R$ 109,5 milhões em indenização/multa ANS. A persistência de contratos com baixa rentabilidade continua limitando a recuperação operacional: o lucro operacional recuou para R$ 44,8 milhões (-87% t/t e -70% a/a) e a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 217,1 milhões no trimestre. Apesar da redução de capex no trimestre (-13% t/t), o fluxo de caixa permanece pressionado com as saídas recorrentes de contingências cíveis (R$ 255 milhões no semestre) e despesas financeiras ainda elevadas (R$ 863 milhões no 1S26), o que contribuiu para o aumento da dívida líquida. Apesar disso, a posição de liquidez permanece confortável frente às amortizações de curto prazo. A estratégia de revisão e reprecificação dos contratos menos rentáveis é um passo relevante para a recuperação da rentabilidade, porém seus efeitos ainda devem ocorrer de forma gradual, o que mantém uma perspectiva cautelosa para o perfil de crédito no curto prazo e reforça a necessidade de acompanhamento de perto dos próximos resultados da companhia.
Caixa consolidado 2T26: R$ 8.048 mn (Caixa Livre R$ 5.334 mn + Ativo regulatório R$ 2.714 mn).
Destaques Financeiros
| Indicador | 2T26 | 1T26 | Var. t/t | 2T25 | Var. a/a |
|---|---|---|---|---|---|
| Receita Líquida | 7.973,9 | 7.892,6 | 1,0% | 7.673,2 | 3,9% |
| Custo médico-hospitalar | (5.997,3) | (5.696,9) | 5,3% | (5.672,1) | 5,7% |
| Sinistralidade Caixa | 75,2% | 72,2% | 3,0 p.p. | 73,9% | 1,3 p.p. |
| Margem Bruta | 21,2% | 24,0% | -2,8 p.p. | n.d. | n.d. |
| Lucro Operacional | 44,8 | 346,2 | -87,1% | 151,1 | -70,4% |
| Lucro/Prejuízo Líquido | (217,1) | (154,3) | 40,7% | (205,8) | 5,5% |
| Margem Líquida | -2,7% | -2,0% | -0,7 p.p. | -2,7% | 0,0 p.p. |
| Dív. Líq./EBITDA | 1,61x | n.d. | n.d. | 1,32x* | 0,29x |
Valores em R$ milhões. *Alavancagem de referência do bridge: 1,32x em 4T25.
Caixa consolidado 2T26: R$ 8.048 mn (livre R$ 5.334 mn + ativo regulatório R$ 2.714 mn).
Os dados apresentados nas tabelas e gráficos foram elaborados com base nas informacoes divulgadas pela Companhia e podem divergir dos números reportados no relatorio de Equity Research, em função dos ajustes que a equipe de análise pode realizar a seu critério.
