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Sacre Investimentos
01 de abr. de 20267 min

Radar Diário de Ações - 01/04/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Carteira recomendada de ações – 10SIM

O Brasil apresentou desempenho superior em um cenário de extrema volatilidade

O desempenho relativamente sólido das ações brasileiras em março, em um ambiente de extrema volatilidade nos mercados globais, mostra que o interesse dos estrangeiros pelo país permanece inabalável, mesmo em condições de aversão ao risco. De fato, os investidores estrangeiros injetaram mais R$ 9 bilhões em março, elevando o fluxo de entrada no acumulado do ano para R$ 51 bilhões.

A mesma estratégia, com alguns ajustes

Este mês, estamos fazendo alguns ajustes em nossa carteira sem alterar a estratégia geral. Temos 20% da carteira investida no setor Financeiro (Itaú e Nubank), 20% em geradoras de energia (Axia e Eneva) e 25% em ações com fluxo de caixa concentrados no logo prazo (Localiza e Motiva). Estamos aumentando nossa exposição ao setor de Petróleo & Gás para 15% (de 10%), nossa exposição a câmbio para 10% (de 5%) e mantendo o setor imobiliário em 10%.

A Petro está de volta, substituindo a PRIO; aumentando a exposição ao setor de Petróleo & Gás para 15%, de 10%

Decidimos substituir a Prio, uma produtora menor de petróleo e gás, pela Petrobras, que representa 15% da 10SIM. Embora ambas as empresas estejam expostas a preços mais elevados do petróleo, acreditamos que a Petrobras está mais protegida caso a guerra termine e os preços do petróleo caiam. Num cenário em que os preços do petróleo caiam para US$ 80 e a Petrobras não reajuste os preços da gasolina e do diesel, ainda vemos a empresa apresentando um yield de fluxo de caixa livre (FCF) de 9% e um dividend yield de 8%.

A Embraer está de volta, substituindo a Aura; adicionando construção civil de baixa renda por meio da Cury

Outra mudança que estamos fazendo é trazer a fabricante de aeronaves Embraer de volta à 10SIM, substituindo a produtora de ouro Aura. A Embraer é negociada a 9x P/L para 2026 e com um desconto de 40% em relação aos pares. Também decidimos recuperar a exposição ao setor de construção civil de baixa renda, adicionando a Cury com 5%, substituindo a adquirente Stone. Mantemos a operadora de shopping centers Allos, com 5% (reduzida de 10%), e nossa exposição geral ao setor imobiliário em 10%.

  • Carteira recomendada de ações – Small Caps

As novidades:

OdontoPrev e Banco Pine são as novidades deste mês.

Quem permanece e quem sai:

Copasa, GPS, Smartfit, 3tentos, Pague Menos, C&A, Tenda e Vitru mantêm suas posições, enquanto Aura e Sanepar deixam a carteira.

Estratégia (Bruno Henriques / Luis Mollo, CFA / Marcel Zambello)

  • Carteira recomendada de ações – Dividendos

Mudanças para março

Para nossa carteira de abril, retiramos a Caixa Seguridade (CXSE3), Direcional (DIRR3), Prio (PRIO3) e Odontoprev (ODPV3) para dar espaço para Vale (VALE3), Cury (CURY3) e Motiva (MOTV3).

Estratégia (Bruno Henriques / Arthur Mota / Luis Mollo, CFA / Marcel Zambello)

  • Carteira recomendada de BDRs

EUA: Fed Funds Rate deve encerrar 2026 no intervalo de 3,50%-3,75% 

Estamos revisando nossas projeções de política monetária para o Fed e alteramos nosso call de dois cortes para estabilidade, com a Fed Funds Rate encerrando o ano no intervalo de 3,50%-3,75%. O choque no preço do petróleo decorrente do conflito com o Irã elevou substancialmente nossas estimativas para o CPI e PCE entre março e maio, que devem rodar próximos de 3% no fechamento do ano. Em nossa visão, o componente supercore permanece pressionado por fatores estruturais não relacionados a tarifas ou energia. 

Além disso, as investigações do Departamento de justiça e a resistência no Congresso devem atrasar a nomeação de Kevin Warsh, mantendo a liderança menos dovish de Powell por mais tempo. Embora dados de inflação possam gerar ruídos sobre eventuais altas de juros nas próximas semanas a partir dos dados de abril, nossa visão é de manutenção da política monetária, baseada na sazonalidade fraca do mercado de trabalho e atividade no meio do ano, bem como desinflação no segundo semestre de 2026.

Carteira para Abril /26 | Entram Johnson & Johnson e Coca-Cola; saem Broadcom e Royal Caribbean Cruises; aumento em TSMC e Bank of America

O S&P 500 recuou 5% em março, refletindo um ambiente macro mais adverso após a intensificação do conflito no Irã, que impulsionou os preços do petróleo e elevou as expectativas inflacionárias. Esse movimento levou à reprecificação da curva de juros nos EUA, com a taxa de 10 anos atingindo 4,3%, resultando em compressão de múltiplos no índice, de aproximadamente 23x para 20x P/L. Como consequência, observou-se uma redução do posicionamento dos investidores e aumento da aversão ao risco, ainda que a correção tenha levado os múltiplos do S&P 500 para níveis próximos à média de 5 anos, tornando também os múltiplos das mega techs mais atrativos nos níveis atuais.

Diante desse contexto, realizamos trocas pontuais na carteira com viés marginalmente mais defensivo. Incluímos Johnson & Johnson e Coca-Cola, refletindo o forte poder de precificação das companhias e o objetivo de aumentar a resiliência do portfólio. Fizemos adições marginais, com aumento de posição em TSMC e Bank of America, após o sell-off recente criar pontos de entrada mais atrativos em ambos os ativos. Retiramos Royal Caribbean Cruises, diante de sinais de enfraquecimento do sentimento do consumidor norte-americano após o início do conflito no Oriente Médio, e Broadcom, devido à elevada exposição da companhia ao setor de software em um ambiente atual de maior competição, impulsionado pelo avanço de novas soluções de IA.

Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)

  • Vale (VALE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 85,00

A equipe de Metais Básicos da Vale apresentou um Investor Day com foco em cobre e níquel, com o objetivo de melhorar o entendimento do mercado sobre o negócio e apoiar uma potencial valorização ao longo do tempo. O cobre se destaca como o principal vetor de crescimento, com a ambição de atingir ~700 mil toneladas de capacidade até 2035, a partir de ~380 mil toneladas em 2026, o que poderia suportar múltiplos de 7–10x EBITDA versus 4–5x atualmente. O níquel segue como segmento menos atrativo, mas com estratégia de reposicionamento para geração de fluxo de caixa para o acionista, enquanto o mercado ainda atribui valor negativo. A estratégia enfatiza execução e preserva opcionalidade para um eventual IPO, sem urgência no curto prazo. O crescimento do cobre é sustentado por projetos brownfield, com base de recursos robusta de ~39 milhões de toneladas e mais de 65 anos de vida útil, além de alta eficiência de capital e projetos com TIR acima de 25%. O cenário de cobre permanece apertado no longo prazo, com demanda crescente e restrições de oferta, enquanto o níquel depende mais da disciplina de oferta, especialmente na Indonésia. A execução operacional tem sido destaque, com produção e custos melhores que o guidance, ganhos de eficiência superiores a US$400mn e melhoria relevante na base de custos. O guidance indica um FCFE entre US$0,4 bilhões e US$1,9 bilhões em 2026, com EBITDA projetado acima de US$4,5bn e aumento da participação da divisão para até 35% do EBITDA do grupo até 2035. 

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Ecorodovias (ECOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 11,00

A Ecorodovias venceu o leilão da concessão Rota das Gerais com um desconto de 19%, superando o consórcio Atlas em disputa acirrada após empate inicial. O ativo compreende 735km das rodovias BR-116 e BR-251, com investimentos estimados entre R$7,3bn e R$9,5bn ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, novas faixas e melhorias estruturais. A concessão apresenta TIR real regulatória de 14% e potencial de geração de caixa imediata devido ao perfil brownfield, contribuindo para alavancagem no curto prazo. A companhia estima tráfego superior ao cenário do governo, opex menor e capex maior, refletindo premissas próprias mais detalhadas e ajustes operacionais. O projeto pode atingir TIR real alavancada próxima de 19%, considerando estrutura de capital com 90% dívida e custo de financiamento ao redor de 8%. Apesar do mercado ter reagido negativamente ao nível de agressividade da proposta, a companhia vê potencial de captura de valor via crescimento de tráfego, sinergias operacionais e otimização de capex. O ativo apresenta baixa concentração de investimentos no início e forte geração de EBITDA desde o início da operação, prevista para agosto. A visão mantém recomendação de compra, apoiada no histórico de execução, demanda resiliente e oportunidades regulatórias, apesar do contexto de maior alavancagem.