Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
02 de abr. de 20265 min

Radar Diário de Ações - 01/04/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Construção Civil

O setor apresentou resultados sólidos no 4T25, com destaque para o segmento de baixa renda impulsionado pelo programa habitacional, que gerou crescimento expressivo em receita, lucro líquido e retorno. As vendas cresceram 19% a/a, enquanto a receita avançou 36%, com margens brutas saudáveis e melhora relevante de rentabilidade, especialmente em empresas em reestruturação. No segmento de média e alta renda, os resultados também foram positivos, embora com sinais de desaceleração, principalmente nas pré-vendas. A receita cresceu 14% a/a e as margens permaneceram estáveis, enquanto o crescimento do lucro líquido foi concentrado em poucos players. O ambiente macro mais desafiador começou a impactar a demanda e elevar estoques ao final do período. A visão segue construtiva para baixa renda, sustentada por condições favoráveis do programa habitacional. Para média e alta renda, a abordagem é mais cautelosa diante da sensibilidade ao cenário macro. Destaques incluem empresas com melhor execução e posicionamento competitivo em ambos os segmentos.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Nota Setorial - Saúde

O trimestre apresentou crescimento resiliente de receita, mas com pressão em margens, menor qualidade de lucro e maior impacto sobre geração de caixa e balanços. Operadoras de saúde mostraram desempenho heterogêneo, com piora relevante em sinistralidade e resultados mais fracos em alguns casos, incluindo queda significativa de EBITDA e geração de caixa negativa. Por outro lado, houve melhora relevante em algumas empresas, com redução de sinistralidade e crescimento expressivo de resultados. Hospitais mantiveram crescimento sólido de receita, apesar de margens menos robustas, com destaque para aumento de ocupação e desempenho forte em oncologia. O segmento de diagnósticos permaneceu estável, embora sem sinais claros de alavancagem operacional, com algumas empresas apresentando desempenho inferior. No segmento farmacêutico e distribuição, os resultados foram mistos, com crescimento em algumas empresas e queda relevante em outras, além de pressão de custos. A alavancagem segue elevada em alguns casos, mantendo o foco no balanço. O cenário geral reflete execução desigual, com algumas companhias se destacando em eficiência e crescimento, enquanto outras enfrentam desafios operacionais e financeiros.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Motiva (MOTV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00

A companhia apresentou em reunião recente atualização de sua estratégia com foco na resiliência do seu modelo de negócios diante da crise energética e do cenário de juros elevados, destacando impacto limitado no fluxo de caixa, estimado entre 3% e 5%, com efeitos vindos de menor crescimento do PIB e tráfego mais fraco. A exposição do capex aos preços do diesel é de cerca de 14% do total, com impacto estimado de 1,5% para alta de 10% no preço, embora mitigado por contratos e possibilidade de reequilíbrio. O tráfego segue relativamente estável no ano, com crescimento próximo de 2%, apesar de volatilidade recente e efeitos sazonais. A adoção do sistema free flow segue avançando, com meta de atingir 100% de pagamentos sem dinheiro até o fim do ano. A estratégia de reciclagem de capital permanece central, com foco na divisão de mobilidade urbana e busca por parceiros estratégicos. A companhia continua priorizando aditivos contratuais como principal alocação de capital, com potencial relevante de capex e foco em concessões existentes. A transformação corporativa segue em andamento, com iniciativas de eficiência operacional e avanços em tecnologia visando redução de custos.

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00

Os preços de carros usados voltaram a níveis normalizados, com queda de 0,3% m/m em março, enquanto os preços de carros novos subiram 0,3% m/m, refletindo inflação e repasses das montadoras. O spread entre veículos usados e novos recuou para 0,6%, após 0,9% no mês anterior. A análise por ano-modelo mostrou quedas generalizadas, com destaque negativo para modelos como BYD Dolphin, Peugeot 2008 e Chevrolet Onix. O crédito automotivo segue resiliente, com estoque total de R$550 bilhões, crescendo 12% a/a, sustentado principalmente pelo segmento de pessoa física. Apesar da melhora recente nos preços de usados após um fevereiro mais fraco, a dinâmica macroeconômica continua sendo o principal fator de influência no curto prazo. A depreciação permanece controlada e a companhia segue apresentando ganhos de eficiência operacional e expansão de margens. Ainda assim, o ativo mostra maior sensibilidade ao cenário macro, especialmente ao ciclo de juros. A combinação de execução operacional e possível redução do custo de capital pode sustentar oportunidades futuras.

  • Ecorodovias (ECOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 14,00

Os resultados do 4T25 vieram em linha com as estimativas, refletindo um ano marcado por execução consistente em custos e capex, reforçando sua posição como operadora eficiente no setor. A companhia manteve postura conservadora na alocação de capital, priorizando desalavancagem ao longo de 2025. A perspectiva futura aponta crescimento sustentável apoiado por demanda resiliente, execução operacional e melhora do perfil de alavancagem após iniciativas de gestão de passivos. As estimativas foram revisadas com aumento relevante de receita e EBITDA para 2026 e 2027, embora com margens ligeiramente menores e redução do lucro líquido projetado. O custo de capital foi elevado, impactando parcialmente o valuation, ainda que o preço-alvo tenha sido revisado para cima. A companhia segue focada em aditivos contratuais como principal alocação de capital, mantendo cautela em novos ativos. O setor continua atrativo, impulsionado por atividade econômica forte e avanços regulatórios. A empresa se destaca como uma forma eficiente de exposição ao setor de infraestrutura, com potencial de captura de valor em ambiente de queda de juros.