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Sacre Investimentos
05 de mai. de 20268 min

Radar Diário de Ações - 05/05/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • LOG (LOGG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 35,00

A LOG reportou resultados em linha no 1T, com receita líquida de R$ 66 milhões (+19% a/a) e EBITDA ajustado de R$ 48 milhões (+21% a/a), com margem de 72%, mantendo forte desempenho operacional. O FFO somou R$ 7 milhões, abaixo dos R$ 10 milhões do ano anterior, pressionado por despesas financeiras elevadas. A companhia entregou dois projetos no trimestre, adicionando 65,5 mil m² de ABL, ambos integralmente locados. A vacância permaneceu em níveis baixos de 2,2%, com queda de 50bps a/a, sustentada pela forte demanda por ativos logísticos. Os aluguéis com mesmos clientes cresceram 2,8% em termos reais, impulsionados por renegociações contratuais e absorção líquida positiva. Mesmo com menor ABL, a receita cresceu cerca de 20% na comparação anual, reforçando a eficiência operacional. A companhia segue bem-posicionada para capturar o bom momento do setor logístico e avançar com crescimento orgânico e aquisições geradoras de valor. 

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Bradsaúde (ODPV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 18,00

A Bradesco Saúde reportou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no 1T, equivalente a cerca de 32% da estimativa anual, superando o padrão histórico de sazonalidade e indicando potencial viés positivo para 2026. A operação de seguros de saúde registrou crescimento de receita de 8,5%, impulsionado pelo aumento de 5,5% na base de vidas e ticket médio 3,7% maior. A sinistralidade melhorou em 140bps a/a, mesmo com aumento de 2% nos sinistros por beneficiário, sustentando expansão do lucro líquido de 34% a/a para R$ 1,22 bilhão. Na OdontoPrev, a receita cresceu 5% a/a, com expansão de 141 mil vidas e melhora de 310bps na sinistralidade, embora o lucro líquido tenha recuado 10% a/a. Nos hospitais Atlântica, R$ 2,8 bilhões já foram investidos de um total comprometido de R$ 4,8 bilhões, com contribuição positiva ao lucro. A companhia apresentou ROAE de 24,8% no trimestre, acima do trimestre anterior. O desempenho reforça a melhora operacional e a expansão da plataforma integrada de saúde. 

Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • BB Seguridade (BBSE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 37,00

A BB Seguridade reportou lucro líquido ajustado de R$ 2,2 bilhões no 1T, alta de 11% a/a e 2,5% acima das estimativas, impulsionado principalmente pelo forte resultado financeiro da BrasilPrev, que compensou o crescimento mais fraco da receita nas seguradoras. A BrasilSeg, principal subsidiária, registrou lucro de R$ 1,1 bilhão, pressionado pela menor emissão de prêmios no segmento rural e prestamista, além de custos maiores de aquisição. A BrasilPrev entregou lucro de R$ 538 milhões, com contribuições previdenciárias de R$ 14,7 bilhões e forte expansão do resultado financeiro. BrasilCap e BB Broker também superaram as projeções, com lucro líquido de R$ 81 milhões e R$ 876 milhões, respectivamente. Apesar do bom desempenho no trimestre, a dinâmica de lucro tende a enfrentar comparações mais difíceis ao longo de 2026 e 2027. Os prêmios emitidos da BrasilSeg estão próximos da faixa inferior do guidance, enquanto as reservas da BrasilPrev seguem próximas ao topo da faixa projetada. A recomendação permanece neutra, com preferência relativa por Caixa Seguridade no setor. 

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00

A GPS segue como uma das principais teses de consolidação no mercado brasileiro, com crescimento inorgânico como pilar central desde antes do IPO em 2021 e mais de 26 aquisições realizadas desde então, adicionando cerca de R$ 8 bilhões em receita bruta. Após a aquisição da GRSA em 2024, a maior de sua história, o ritmo de M&As desacelerou, com operações menores e mais oportunísticas, exigindo maior foco gerencial e maior uso da capacidade do balanço patrimonial. Entre os fatores para essa desaceleração estão juros elevados, que pressionam valuations e alongam negociações, enquanto o pipeline segue robusto em cerca de R$ 2 bilhões. A comparação com pares globais reforça o caráter cíclico desse movimento, sem alteração da tese estrutural. O mercado de terceirização no Brasil permanece altamente fragmentado, com participação de mercado da GPS em torno de 5% a 6%, ainda com amplo espaço para consolidação. Mudanças regulatórias e pressão financeira sobre concorrentes menores tendem a ampliar o pipeline de ativos. No curto prazo, as estimativas de receitas adquiridas via M&A para 2026 devem ser revisadas para baixo. 

  • Movida (MOVI3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00

A Movida reportou resultados sólidos no 1T, com receita líquida de R$ 3,8 bilhões (+6% a/a), EBITDA de R$ 1,6 bilhão (+17% a/a) e lucro líquido de R$ 125 milhões (+59% a/a), em linha com as estimativas. O ROIC atingiu 16%, com spread de 5,3 p.p., indicando retorno saudável sobre o capital investido. Em Seminovos, a receita líquida foi de R$ 1,6 bilhão (-7% a/a), com venda de 20,6 mil veículos e ticket médio maior de R$ 77,8 mil, sustentando margem de 1,1%. A frota consolidada encerrou em 267 mil veículos e o capex líquido foi negativo em R$ 112 milhões, enquanto a dívida líquida atingiu R$ 16,3 bilhões. A alavancagem ajustada recuou para 3,91x Dívida Líquida/EBITDA. O segmento RAC foi o destaque, com diárias crescendo para 7,1 milhões, tarifa média de R$ 168 e ocupação de 77%, elevando receita em 25% a/a. Para o 2T, a companhia projetou lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões, acima do consenso. 

  • Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00

A Marcopolo apresentou resultados mais fracos do que o esperado no 1T, com receita de R$ 1,7 bilhão, estável na comparação anual e 3% abaixo das estimativas, refletindo volumes mais fracos e câmbio mais valorizado. O EBITDA reportado foi de R$ 305 milhões (+16% a/a), com margem de 18%, impactado por ganho não recorrente de R$ 45 milhões relacionado à NFI. Excluindo esse efeito, o EBITDA ajustado foi de R$ 260 milhões (-9% a/a), com margem de 16%, abaixo das projeções. O lucro líquido reportado totalizou R$ 265 milhões (+9% a/a), também beneficiado pelo efeito não recorrente e ganhos cambiais. As vendas domésticas somaram R$ 900 milhões (-4% a/a), pressionadas pelo segmento rodoviário, enquanto urbanos e micros compensaram parcialmente. A receita internacional ficou em R$ 756 milhões, estável, sustentada por exportações e operações externas. A companhia espera melhora operacional ao longo dos próximos trimestres, impulsionada por entregas do Caminho da Escola e melhora no mix de produtos. 

  • Hidrovias (HBSA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 4,50

A Hidrovias do Brasil reportou resultados abaixo do esperado no 1T, com receita operacional líquida de R$ 445 milhões (-9% a/a), impactada por volumes mais fracos e tarifas menores. O EBITDA ajustado recorrente totalizou R$ 182 milhões, abaixo dos R$ 235 milhões do ano anterior, já ajustado por efeito não recorrente de impairment de R$ 12 milhões em Navegação Costeira. O prejuízo líquido foi de R$ 34 milhões, pior que os R$ 2 milhões negativos do ano anterior, refletindo pior desempenho operacional e resultado financeiro pressionado por juros mais altos. O volume consolidado transportado somou 3,2 mil toneladas, com queda de 6% a/a em base comparável, principalmente pela fraqueza no Corredor Norte. As receitas no Brasil totalizaram R$ 249 milhões, enquanto Paraguai registrou R$ 196 milhões, ambos com queda anual. O capex foi reduzido para R$ 37 milhões, mas a alavancagem subiu para 2,7x Dívida Líquida/EBITDA. Os próximos trimestres devem ser acompanhados pela evolução de preços, execução de capex e avanços regulatórios no setor.

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00

Os preços de veículos usados monitorados pela FIPE seguiram comportamento normalizado em abril, com queda média de 0,4% m/m, dentro da faixa histórica de -0,3% a -0,5%, enquanto os preços de veículos novos recuaram 0,2%, influenciados pela valorização do real. O spread entre carros usados e novos recuou para 0,2%, frente a 0,6% no mês anterior. Na análise por ano-modelo, os veículos 2026 recuaram 0,5%, os de 2025 caíram 0,6%, os de 2024 recuaram 0,2% e os de 2023 caíram 0,3%. Entre os modelos, as maiores quedas foram registradas no Renault Kardian, Chery Tiggo 7 e Jeep Compass. No crédito automotivo, a carteira para pessoas físicas cresceu para R$ 412 bilhões, alta de 17% a/a, enquanto a carteira corporativa permaneceu estável em R$ 140 bilhões. O saldo consolidado atingiu R$ 551 bilhões, alta de 12% a/a. A estabilidade na depreciação reforça maior previsibilidade para estimativas de lucro e reduz risco de revisões negativas. 

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)

  • Pague Menos (PGMN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00

A Pague Menos apresentou resultados acima das estimativas no 1T, com crescimento sólido de vendas mesmas lojas de 13% a/a, ainda que em desaceleração frente aos trimestres anteriores, sustentado pelo bom desempenho de genéricos e medicamentos de marca. As vendas brutas consolidadas cresceram 14,4% a/a, alcançando R$ 4,14 bilhões, com ganho de participação de mercado para 6,7%. A exposição aos medicamentos GLP-1 subiu para 9,1% da receita líquida, ampliando o efeito positivo sobre vendas. O lucro bruto somou R$ 1,2 bilhão, com margem de 29,5%, alta de 80bps a/a, beneficiado por efeito pontual positivo junto a fornecedores. O EBITDA pré-IFRS16 atingiu R$ 205 milhões, alta de 36% a/a, com margem de 4,9%, refletindo disciplina em custos de vendas e despesas. O lucro líquido ficou em R$ 55 milhões, acima das estimativas, impulsionado por melhor resultado financeiro e tributário. A alavancagem recuou para 1,9x Dívida Líquida/EBITDA, mesmo com geração de fluxo de caixa negativa no trimestre.