Radar Diário de Ações - 05/08/26
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Bruno Carrenho)
- Lavvi (LAVV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A Lavvi apresentou resultados acima das expectativas no segundo trimestre, com receita de R$ 495 milhões (+3% a/a) e lucro bruto ajustado de R$ 186 milhões (+6% a/a). A margem bruta atingiu 37,5%, avanço de 130 pontos-base em relação ao ano anterior e acima das estimativas. O lucro líquido somou R$ 83 milhões, queda de 30% a/a, mas 13% acima do projetado, beneficiado por margens mais fortes e maior resultado de equivalência patrimonial dos projetos desenvolvidos em parceria com a Cyrela. O ROE anualizado permaneceu robusto em 23%. A companhia registrou consumo de caixa de R$ 27 milhões no período, refletindo principalmente aquisições de terrenos para recomposição do landbank, encerrando o trimestre com dívida líquida de R$ 529 milhões e alavancagem de 31% do patrimônio líquido. O desempenho operacional foi impulsionado pelo lançamento das primeiras fases do projeto Jardim da Hípica, mantendo a companhia em posição de destaque mesmo em um ambiente mais desafiador para o segmento de média e alta renda.
- Cyrela (CYRE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 40,00
A Cyrela assinou um memorando de entendimentos para vender um portfólio de ativos imobiliários composto por uma torre corporativa em São Paulo e quatro ativos logísticos por R$ 2,14 bilhões. Com base na participação da companhia nos empreendimentos, a expectativa é que a Cyrela receba aproximadamente R$ 1,4 bilhão, sendo metade em caixa no fechamento da operação e metade em cotas do fundo TRXF11. A transação implica um cap rate estimado de aproximadamente 8% e deve gerar lucro líquido próximo de R$ 700 milhões para a companhia. Esse valor representa cerca de 35% das projeções de lucro líquido para 2026 e aproximadamente 7% do valor patrimonial atual. A operação é considerada geradora de valor e deve fortalecer a posição financeira da empresa, além de potencialmente ampliar a distribuição de proventos aos acionistas. As ações continuam negociando a um múltiplo atrativo de aproximadamente 4x P/L projetado para 2027.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Bruno Henriques)
- Axia (AXIA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 74,00
A Axia reportou resultados razoáveis no segundo trimestre, com EBITDA ajustado de R$ 6,4 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 1,68 bilhão, números próximos ao consenso, mas abaixo das estimativas devido a um impacto ligeiramente maior da escassez hídrica. Em conjunto com os resultados, a companhia anunciou mais R$ 3,7 bilhões em resgates de Axia7, elevando o total anunciado no primeiro semestre para R$ 7,7 bilhões. A administração sinaliza um ano recorde em distribuição aos acionistas, podendo concluir todo o processo de resgate ainda neste ciclo, dependendo da conversão para ações Axia3. As mudanças no portfólio de energia foram limitadas, com pequena redução da faixa de energia livre em 2026 e ajustes marginais para 2027 e 2028, sem alterações nos preços projetados. A companhia mantém baixa alavancagem, com projeção de 2,9x Dívida Líquida/EBITDA neste ano e 2,1x no próximo, além de perspectiva de dividendos relevantes. O ativo também apresenta múltiplo atrativo e exposição ao mercado de energia, com EBITDA ajustado crescendo 11,9% a/a e margem de 63,8% no trimestre.
- Engie Brasil (EGIE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 33,00
A Engie Brasil apresentou resultados fortes no segundo trimestre, impulsionados principalmente pelo reconhecimento contábil do acordo UBP, ganhos não caixa em geração e transmissão e créditos de PIS/Cofins. O EBITDA reportado atingiu R$ 2,18 bilhões e o lucro líquido somou R$ 1,96 bilhão, mas, ajustando os efeitos não recorrentes, o EBITDA ficou em R$ 1,81 bilhão, praticamente em linha com as estimativas. A unidade de Transmissão apresentou desempenho acima do esperado, com EBITDA de R$ 234 milhões, enquanto a TAG também entregou resultados sólidos, com EBITDA de R$ 1,77 bilhão. Já o segmento de Geração ficou ligeiramente abaixo das projeções devido à menor produção hidrelétrica causada pela escassez hídrica no período. A companhia anunciou dividendos de R$ 771 milhões, equivalentes a R$ 0,544 por ação. Com a incorporação da Jirau concluída, posição de caixa mais robusta e geração previsível de caixa, a empresa segue apresentando um perfil defensivo em meio às incertezas macroeconômicas.
- Copel (CPLE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00
A Copel apresentou um bom desempenho no segundo trimestre, com EBITDA ajustado de R$ 1,61 bilhão, em linha com as estimativas e 20,8% superior ao registrado um ano antes. O lucro líquido alcançou R$ 1,05 bilhão, beneficiado por ganhos relacionados ao acordo UBP da Elejor e por maiores receitas de equivalência patrimonial, enquanto o lucro ajustado ficou em aproximadamente R$ 645 milhões. O segmento de Distribuição foi o principal destaque, com EBITDA de R$ 766 milhões, crescimento de 34,5% a/a, impulsionado pelo aumento de 7,3% nos volumes distribuídos, controle de custos e melhora dos indicadores de qualidade do serviço. Já os segmentos de Geração, Transmissão e Comercialização entregaram EBITDA de R$ 860 milhões, crescimento de 10% a/a, embora ligeiramente abaixo das estimativas devido a maiores provisões e aumento dos curtailments. Os custos gerenciáveis continuaram em trajetória favorável, com redução de despesas de serviços, previdência e outros custos operacionais. A companhia encerrou o trimestre com alavancagem de 2,9x Dívida Líquida/EBITDA.
Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)
- Bradesco (BBDC4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 22,00
O Bradesco reportou lucro líquido de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre, com ROE de 16,2%, alta de 3,5% t/t e 16,2% a/a, em linha com as expectativas. A carteira de crédito cresceu 4% t/t e 12% a/a, para R$ 1,14 trilhão, impulsionada principalmente por linhas com garantias e crédito imobiliário, elevando a participação dessas operações para 61% da carteira. A margem financeira com clientes atingiu R$ 20,2 bilhões, crescimento de 4% t/t e 14% a/a. A inadimplência acima de 90 dias avançou 10 pontos-base t/t para 4,3%, enquanto as provisões para perdas com crédito somaram R$ 10 bilhões. As receitas de serviços alcançaram R$ 10,5 bilhões e o resultado de seguros totalizou R$ 6,1 bilhões. As despesas operacionais cresceram moderadamente, o índice de eficiência melhorou para 48,4% e o patrimônio tangível avançou 18% t/t para R$ 32,9 bilhões. A administração destacou um ambiente de crédito mais desafiador, mas reiterou avanços na eficiência operacional, fortalecimento do balanço patrimonial e foco na geração de patrimônio tangível.
- Inter & Co (INBR32); COMPRA; Preço-alvo R$ 51,00
O Inter apresentou resultados acima das expectativas no segundo trimestre, com lucro líquido de R$ 421 milhões e ROE de 16,3%, altas de 7% t/t e 34% a/a. A carteira de crédito cresceu 4% t/t e 29% a/a, alcançando R$ 51,9 bilhões, impulsionada por crédito imobiliário, cartões, pequenas e médias empresas e consignado privado. A margem financeira atingiu R$ 2,04 bilhões, 5% acima das estimativas, enquanto a margem financeira líquida avançou para 10,1%, beneficiada por repricing, crescimento do consignado privado e maior participação de cartões que geram receita de juros. A qualidade dos ativos foi o principal ponto de atenção, com aumento da inadimplência e das provisões, especialmente relacionado ao consignado privado, embora a administração destaque ajustes operacionais e melhoria da qualidade da originação. Os depósitos cresceram 5% t/t e 22% a/a, alcançando R$ 56,7 bilhões, enquanto as receitas de serviços somaram R$ 593 milhões. As despesas operacionais avançaram abaixo do ritmo de crescimento das receitas, permitindo nova melhora do índice de eficiência para 42,1%. Os índices de capital também evoluíram, com o Tier 1 atingindo 12,7% e o índice de Basileia chegando a 14,4%, refletindo a superação da neutralidade de capital.
- Banco ABC (ABCB4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 28,00
O ABC Brasil reportou lucro líquido de R$ 257 milhões no segundo trimestre, alta de 12% t/t e 5% a/a, mas ligeiramente abaixo das expectativas. A carteira de crédito expandida cresceu 3,7% t/t e 8,3% a/a, alcançando R$ 56,5 bilhões, impulsionada principalmente pelos segmentos Corporate e Middle Market. A margem financeira total atingiu R$ 659 milhões, crescimento de 9% a/a, porém abaixo do esperado devido a uma recuperação mais fraca da margem financeira com clientes e ao desempenho ainda limitado das receitas de mercado de capitais. As provisões para perdas com crédito ficaram abaixo das estimativas, beneficiadas por recuperações de crédito mais elevadas, embora os indicadores de inadimplência e cobertura tenham mostrado deterioração. As receitas de serviços se recuperaram em relação ao trimestre anterior, mas continuaram pressionadas pela atividade mais fraca no mercado de dívida. As despesas operacionais permaneceram controladas e o índice de eficiência melhorou para 41,2%, enquanto o índice CET1 avançou para 11,9% após o reforço de capital. O ambiente mais desafiador para o crédito corporativo e a menor visibilidade para receitas de mercado de capitais continuam limitando uma visão mais positiva para o banco.
Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Carrenho)
- Totvs (TOTS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 55,00
A Totvs apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida consolidada de R$ 1,97 bilhão, crescimento de 14% a/a, e EBITDA ajustado de R$ 484 milhões, alta de 22% a/a. O principal destaque foi o lucro líquido ajustado de R$ 240,6 milhões, 17% acima das estimativas, além da forte geração de fluxo de caixa de R$ 295 milhões, avanço de 50% a/a. No segmento de Software, a receita cresceu 13,3% a/a, apoiada pelo avanço das receitas recorrentes e por adições recordes de ARR, impulsionadas pelos chamados habilitadores de IA, relacionados à migração para nuvem, modernização de aplicações e estruturação de bases de dados. A margem EBITDA do segmento permaneceu em sólidos 25,4%, mesmo após a incorporação da Linx. A Techfin apresentou crescimento de receita acima do esperado, mas a rentabilidade foi impactada por maiores provisões para crédito devido a um cenário de crédito mais desafiador. A companhia também reforçou sua estratégia de retorno ao acionista por meio de recompras de ações, encerrando um programa de 20 milhões de ações e anunciando autorização para recomprar mais 30 milhões.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Bruno Carrenho)
- Vivara (VIVA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 36,00
A Vivara apresentou um segundo trimestre mais fraco, com receita líquida de R$ 833 milhões (+9,5% a/a), impactada por efeitos de calendário, incluindo Copa do Mundo e feriados, que reduziram o crescimento das vendas. As vendas mesmas lojas da marca Vivara cresceram 6,5% a/a, enquanto a Life avançou 4,3% a/a, ou 6,3% ajustada pelos efeitos de calendário. A margem bruta ficou em 71,7%, queda de 50 pontos-base a/a, enquanto o EBITDA pré-IFRS16 atingiu R$ 205 milhões, crescimento de 5% a/a, com margem pressionada por maiores investimentos em marketing, fretes e abertura de lojas. O lucro líquido pré-IFRS16 somou R$ 157 milhões, ficando ligeiramente abaixo das estimativas. Por outro lado, a geração de fluxo de caixa após capex alcançou R$ 123 milhões e o ciclo de estoques apresentou melhora, recuando para 582 dias, com estoques de R$ 1,54 bilhão. A alavancagem permaneceu baixa em 0,18x Dívida Líquida/EBITDA, enquanto a companhia segue focada na rentabilidade e na otimização do capital de giro em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
- Smart Fit (SMFT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 31,00
A Smart Fit apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 2,2 bilhões (+22% a/a), impulsionada pelo avanço da base de clientes, expansão da rede e aumento do ticket médio, embora os números tenham ficado ligeiramente abaixo das expectativas. O EBITDA atingiu R$ 712 milhões (+24% a/a), com margem de 32,7%, refletindo ganhos de rentabilidade mesmo diante dos investimentos em novas unidades e na expansão do TotalPass. A plataforma encerrou o trimestre com 2,2 milhões de clientes e continuou ampliando sua relevância dentro do ecossistema da companhia, contribuindo para crescimento de receita e aumento do ticket médio. O lucro líquido recorrente ajustado foi de R$ 204 milhões, impactado por despesas financeiras relacionadas à gestão de passivos. A geração de caixa operacional permaneceu robusta, totalizando aproximadamente R$ 2,4 bilhões nos últimos 12 meses. Apesar da leve decepção operacional no trimestre, a companhia manteve forte crescimento nos mercados da América Latina e segue sustentada pela expansão do TotalPass, pela escala regional e pelo potencial de crescimento de longo prazo.
- MercadoLibre (MELI34); COMPRA; Preço-alvo R$ 115,00
O MercadoLibre apresentou forte crescimento operacional no segundo trimestre, com receita líquida de US$ 10,2 bilhões (+50% a/a), GMV de US$ 21,9 bilhões (+44% a/a) e volume total de pagamentos de US$ 101 bilhões (+56% a/a). O desempenho foi impulsionado principalmente pelo Brasil, onde o GMV cresceu 39% a/a, além da contínua expansão do ecossistema de comércio eletrônico, pagamentos e crédito. A carteira de crédito avançou 75% a/a para US$ 16,4 bilhões, enquanto a base de compradores ativos chegou a 89,3 milhões. Apesar do forte crescimento, as margens permaneceram pressionadas devido aos investimentos em preços, fretes, aquisição de clientes, expansão do crédito e IA. O EBIT atingiu US$ 683 milhões, com margem de 6,7%, enquanto o lucro líquido somou US$ 466 milhões, ambos abaixo das estimativas. A receita de publicidade cresceu 62% a/a, a plataforma financeira alcançou 88 milhões de usuários ativos mensais e os investimentos em IA continuaram avançando, sustentando a estratégia de fortalecimento de longo prazo do ecossistema.
- Guararapes (RIAA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 14,00
A Riachuelo apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida consolidada de R$ 2,7 bilhões (+3,3% a/a) e desempenho destacado da operação de vestuário, cujas vendas mesmas lojas cresceram 7,8% a/a. O principal destaque foi a expansão das margens, com a margem bruta de mercadorias avançando 3,2 pontos percentuais para 56,6%, beneficiada por ganhos de eficiência industrial, menor necessidade de remarcações, melhorias de precificação e um mix de produtos mais favorável. O EBITDA consolidado atingiu R$ 461 milhões (+13% a/a), acima das expectativas, com margem de 17%. O lucro líquido alcançou R$ 168 milhões, crescimento de 36% a/a. Por outro lado, a geração de fluxo de caixa foi negativa em R$ 132 milhões, impactada pelo maior consumo de capital de giro e pelo aumento dos investimentos em tecnologia, digitalização, centro de distribuição e modernização de lojas. A dívida líquida ajustada encerrou o trimestre em R$ 943 milhões, equivalente a 0,5x Dívida Líquida/EBITDA.
