Radar Diário de Ações - 07/04/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Agronegócio
A dinâmica do açúcar e do etanol é fortemente influenciada pelo preço do Brent, com aumento nos preços de energia impactando outras commodities e sustentando o desempenho recente do setor. O movimento do petróleo fortalece a atratividade do etanol via preços de gasolina, o que pode levar a uma mudança no mix de produção das usinas e reduzir a oferta de açúcar, sustentando seus preços. No entanto, a efetividade dessa transmissão ao longo da cadeia é determinante, pois eventuais interrupções reduzem o potencial de valorização. O repasse para os consumidores pode ser limitado por fatores políticos, especialmente em ano eleitoral, com uso de impostos como instrumento de controle de preços. O cenário base considera Brent a US$90/barril, eliminação de impostos federais e preços de etanol e açúcar em linha com futuros, resultando em yields de fluxo de caixa de 9% e 13% para São Martinho e Jalles.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)
- MRV (MRVE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00
A companhia reportou resultados operacionais mistos no 1T, com lançamentos de R$2,91 bilhões (+1% a/a e 13% acima das nossas estimativas), concentrados em MCMV e média renda, e vendas líquidas de R$2,48 bilhões (+13% a/a, em linha com nossas estimativas), resultando em relação vendas sobre oferta de 24%. No Brasil, houve consumo de caixa de R$21 milhões, abaixo da expectativa de geração de R$100 milhões, impactado pela sazonalidade do trimestre e concentração de vendas em março, reduzindo repasses. O segmento de baixa renda gerou R$22 milhões, enquanto Urba e Luggo consumiram caixa. Nos EUA, a Resia apresentou geração de caixa de US$59 milhões, impulsionada pela venda de ativos e terrenos, além de melhora na pré-locação de projetos. Apesar do bom desempenho operacional e avanços na Resia, a geração de fluxo de caixa fraca no Brasil deve pressionar a reação do mercado. Mantemos recomendação de compra, com P/L de 6x para 2026, diante do momento positivo no segmento de baixa renda e potencial de melhora futura dos resultados.
- Moura Dubeux (MDNE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00
A companhia apresentou resultados operacionais sólidos no 1T, com vendas líquidas de R$1,02 bilhão (+86% a/a e 7% acima das nossas estimativas) e velocidade de vendas de 21,5%. As vendas brutas totalizaram R$680 milhões no segmento de condomínio e R$387 milhões em desenvolvimento, com cancelamentos de R$44 milhões. Os lançamentos somaram R$1,28 bilhão (+218% a/a e 25% acima das nossas estimativas), com 41% já vendidos, distribuídos entre alta renda, Beach Class, Mood e Ún1ca. Apesar dos resultados positivos, a participação de 35% nos projetos do MCMV foi uma surpresa negativa, considerando a estrutura de JV com a Direcional e a participação de 70% na Ún1ca. A companhia entregou quatro projetos no período, totalizando R$333 milhões, e reportou consumo de caixa de R$120 milhões, refletindo o crescimento de lançamentos e aquisição de terrenos.
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - saúd
Os dados da ANS indicaram crescimento líquido de 36 mil beneficiários no setor de saúde em fevereiro, revertendo parcialmente a queda de 115 mil no mês anterior. Entre as principais empresas, a Hapvida apresentou a maior redução, com perda de 34 mil vidas no mês e 59 mil no acumulado do ano, concentrada principalmente em São Paulo e Pernambuco. A SulAmérica adicionou 21 mil vidas no mês e 11 mil no acumulado, com destaque para Rio de Janeiro e Paraná. A Amil liderou o crescimento com 46 mil adições no mês e 43 mil no acumulado, seguida por Bradesco Saúde e Unimed Seguros, que também apresentaram crescimento relevante. No segmento odontológico, a OdontoPrev adicionou 157 mil beneficiários no mês, com o setor atingindo 35,7 milhões de membros.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Serviços Básicos
Atualizamos os modelos das empresas de geração sob cobertura para refletir resultados do 4T25, premissas macro atualizadas e aumento do preço de energia de longo prazo para R$250/MWh, ante R$200/MWh, diante de maior intermitência do sistema, metodologia de preço spot mais confiável, ausência de novos projetos de baixo custo variável e maior presença de térmicas. Incorporamos ganho de modulação hídrica de R$7/MWh, beneficiado pela maior volatilidade intradiária, com preços variando de R$57/MWh a R$1.611/MWh em um mesmo dia. Revisamos as premissas de curtailment para 15% em eólica e 25% em solar, ante 10%, refletindo dificuldades persistentes no segmento. Elevamos os preços-alvo para R$75, R$20 e R$33, respectivamente, mantendo recomendação de compra para Axia e Auren e neutra para Engie. Estimamos TIR real de 10,7%, 13,8% e 7,4%, com destaque para suporte a dividendos em Axia e desalavancagem gradual em Auren, ainda com ND/EBITDA de 4,9x.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- WEG (WEGE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00
A Casa Branca anunciou mudanças nas tarifas da Seção 232 sobre aço, alumínio e cobre, estabelecendo tarifa de 15% até 2027 para equipamentos industriais e de rede elétrica intensivos em metais, substituindo a anterior de 50% e representando um desfecho mais favorável. Produtos totalmente compostos por metais seguem com tarifa de 50%, enquanto derivados ficam em 25%, e itens com baixo conteúdo metálico são isentos. Para a companhia, cerca de 45% do CPV está exposto a esses metais, e a nova regra deve aplicar a tarifa apenas sobre o conteúdo metálico, reduzindo o impacto. A retirada da tarifa específica de 50% para o Brasil, agora em 10%, também contribui positivamente. O novo cenário deve simplificar a cobrança e reduzir o ônus tarifário total, com potencial de melhora de margens após reajustes de preços implementados. Apesar de benefícios também para concorrentes locais, a companhia segue bem-posicionada e reiteramos recomendação de compra mesmo com valuation de 31x P/L 2026.
