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Sacre Investimentos
08 de abr. de 20266 min

Radar Diário de Ações - 08/04/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Agronegócio

Os dados de exportação de carnes no Brasil mostraram crescimento de volumes e preços a/a em todas as proteínas, embora a valorização do real tenha limitado os ganhos de rentabilidade. No segmento de aves, os volumes atingiram recorde no trimestre, com preços mais altos e redução de custos, resultando em melhora dos spreads, enquanto no mercado doméstico os ganhos vieram da queda de custos. Em suínos, houve forte queda de preços no ano, indicando início de ciclo negativo e compressão de margens. No bovino brasileiro, volumes e preços de exportação cresceram, mas spreads recuaram devido ao aumento do custo do gado, enquanto no mercado doméstico os preços compensaram parcialmente esse efeito. Nos Estados Unidos, os spreads de bovinos melhoraram no mês, mas seguem pressionados no trimestre, com exportações fracas. Em aves, margens permanecem abaixo do ano anterior, com tendência de normalização diante do aumento de oferta.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Ambev (ABEV3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 17,00

O cenário recente refletiu desconexão entre volumes da indústria e atividade econômica, com controle de despesas sustentando expansão de margem em ambiente de custos elevados. Para o 1T26 projeta-se queda de volumes e preços médios, resultando em receita de R$21,9 bilhões, EBITDA de R$7,1 bilhões e LPA de R$0,22, todos em queda a/a. No Brasil, espera-se retração de volumes, com pressão de custos elevando impacto sobre margem bruta, parcialmente compensado por ganhos em SG&A. Nas demais regiões, a dinâmica permanece fraca, com exceção de NAB, que deve apresentar crescimento de EBITDA. CAC deve mostrar recuperação de volumes, enquanto LAS e Canadá seguem pressionados. A expectativa é de normalização gradual ao longo do ano, com suporte de base de comparação e eventos como a Copa do Mundo. A tese permanece equilibrada, com suporte de geração de caixa e valuation, mas sem gatilhos claros de crescimento.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Antonio Pascale / Luis Mollo, CFA)

  • Multiplan (MULT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 28,00

A companhia reforçou o uso de gestão ativa do portfólio como principal alavanca de criação de valor, com melhoria na qualidade dos ativos e desempenho superior ao setor. A estratégia inclui otimização do mix de lojistas para aumentar fluxo e atratividade, além de antecipar tendências de consumo, com revitalização recente da maior parte dos ativos. A alavancagem atual é vista como adequada e permite flexibilidade na alocação de capital, apesar de um ambiente de juros mais restritivo para expansão mais acelerada. O pipeline inclui projetos de expansão e uso misto, com destaque para novos GLA e lançamentos relevantes. As margens permanecem elevadas, com NOI acima de 90%, sustentadas por captura de eficiência e recuperação de despesas. A reforma tributária é vista como positiva, com potencial de crescimento da DRE via maior poder de negociação com lojistas.

  • Tenda (TEND3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00

A companhia reportou fortes indicadores operacionais no 1T26, com vendas líquidas de R$1,53 bilhão, alta de 41% a/a e acima das estimativas, impulsionadas principalmente pelo segmento on-site. O VSO consolidado atingiu 28%, superior ao mesmo período do ano anterior. Os lançamentos somaram R$1,46 bilhão em PSV, crescimento de 59% a/a, também acima das expectativas, com predominância de projetos da marca Tenda. A companhia realizou 15 lançamentos no período, incluindo expansão geográfica com entrada em João Pessoa. Houve ainda cessão de recebíveis relevante para bancos, contribuindo para a geração de fluxo de caixa no trimestre. O desempenho operacional foi sustentado por forte atividade no negócio principal, enquanto a operação Alea teve menor relevância. Os resultados refletem maior dinamismo em vendas, lançamentos e velocidade comercial no período.

  • Moura Dubeux (MDNE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00

A companhia passou a deter 100% do capital da marca Ún1ca após adquirir a participação remanescente de 30%, anteriormente detida por controladores e executivos, revertendo a estrutura inicial. A decisão ocorreu após reação negativa do mercado e preocupações relacionadas à governança corporativa e potenciais conflitos de interesse. O valor estimado da aquisição da participação restante é de aproximadamente R$4 milhões, com base no valor contábil da operação, sendo considerado imaterial para a companhia. A nova estrutura inclui também a totalidade da participação nos projetos em joint venture com a Direcional. A mudança elimina a estrutura anterior e consolida integralmente o interesse econômico da companhia no ativo. A operação reforça a transparência e redefine a composição societária da unidade.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Nota Setorial - Educação

O 4T25 apresentou maior dispersão entre empresas, com impactos de itens não recorrentes, efeitos de calendário e mudanças regulatórias, embora a dinâmica geral permaneça construtiva. A receita líquida e o EBITDA cresceram 6% a/a, com margem estável, enquanto o lucro líquido ajustado atingiu R$756 milhões, alta de 17% a/a. A geração de fluxo de caixa foi mais fraca no trimestre por sazonalidade, mas permaneceu sólida no ano, reforçando a relevância da geração de fluxo de caixa como principal pilar. A alavancagem melhorou a/a, apesar de variações t/t, com níveis considerados confortáveis no fechamento do ano. A captação indica volumes mais fracos, especialmente no digital, compensados por melhora de mix com crescimento do híbrido e resiliência de medicina e premium. Margens seguiram positivas em algumas empresas, mas com pressão de custos acadêmicos. O setor entra em nova fase com maior foco em execução, qualidade de mix e disciplina de capital.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00

A companhia apresentou evolução na qualidade da frota de seminovos disponível para venda, com aumento da participação de veículos com menor quilometragem e redução da idade média, em linha com a estratégia de encurtar o ciclo dos ativos e reduzir depreciação futura. Em março, 55% dos veículos tinham menos de 45 mil km, acima da Movida, enquanto apenas 5% estavam acima de 65 mil km. A composição por modelos mostra maior exposição a hatches e menor a SUVs e picapes, com redução gradual de hatches e aumento de SUVs ao longo do tempo. Os preços médios subiram no ano, com destaque para sedãs, seguidos por hatches e picapes, enquanto SUVs ficaram estáveis. A quilometragem média apresentou melhora sequencial, com maior concentração abaixo de 45 mil km. Na composição por idade, a companhia aumentou a participação de modelos mais novos, aproximando-se dos pares. Esses movimentos indicam renovação da frota e melhora na qualidade dos ativos vendidos