Radar Diário de Ações - 08/06/26
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Petroleo & Gás
Petrobras
O programa de subsídios aos combustíveis continua beneficiando os preços realizados da Petrobras, com o subsídio médio ao diesel no 2T26 estimado em aproximadamente R$ 1,04/litro, alcançando R$ 1,12/litro a partir de junho, além de R$ 0,35/litro referentes à recomposição de PIS/Cofins. Esses valores sustentam preços realizados elevados para diesel e gasolina, favorecendo as margens de refino. Entretanto, a Petrobras acumulou cerca de US$ 2,5 bilhões em créditos a receber do governo até o final do trimestre, devido principalmente a atrasos operacionais na ANP e na Receita Federal. Caso os pagamentos não sejam efetuados até o final de junho, poderá haver aumento do capital de giro e limitação temporária dos dividendos trimestrais. Para as distribuidoras, a adesão ao programa permanece reduzida e ainda existem incertezas relevantes sobre sua implementação. Até que regras mais claras sejam definidas, o mecanismo segue beneficiando principalmente a Petrobras.
Braskem
A IG4 deverá assumir formalmente o controle compartilhado da Braskem com a Petrobras, introduzindo um novo acordo de acionistas e promovendo mudanças relevantes na governança da companhia. Um novo conselho de administração será eleito, seguido por alterações na diretoria executiva, com a IG4 liderando estratégia corporativa e finanças, enquanto a Petrobras ficará responsável pelas operações. A liquidez continua sendo uma preocupação importante, uma vez que a posição de caixa encerrou o 1T26 em US$ 1,1 bilhão e pode ter diminuído ao longo do 2T26. O aumento dos preços da nafta elevou as necessidades de capital de giro, pressionando a geração de caixa. A companhia deverá protocolar uma recuperação extrajudicial antes do final de junho para alongar vencimentos da dívida, sem previsão de desconto para credores ou aumento de capital. Apesar disso, ainda podem ser necessárias novas linhas de financiamento para solucionar integralmente a necessidade de liquidez.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Embraer (EMBJ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 126,00
A Azorra, empresa de leasing aeronáutico e parceira histórica da Embraer, realizou um pedido de até 30 aeronaves E195-E2, sendo 15 encomendas firmes e 15 opções, com valor estimado de US$ 1,4 bilhão para a parcela firme. Antes do anúncio, a Azorra possuía 39 pedidos firmes da família E2, dos quais 31 já haviam sido entregues, restando oito aeronaves na carteira. Com o novo acordo, o total de pedidos firmes da companhia alcançará 54 aeronaves, representando a terceira ampliação do compromisso original com o programa. A transação reforça a confiança da Azorra na proposta de valor do E2 no segmento de jatos “narrowbody” de menor porte, apoiada por sua competitividade operacional e pela melhora gradual das cadeias de suprimentos. O anúncio ocorre em um momento de preocupações do mercado com possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre a demanda do setor. Ainda assim, a Embraer continua registrando encomendas relevantes, evidenciando demanda resiliente e perspectivas favoráveis para o programa.
- GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 24,00
O STJ decidiu favoravelmente sobre o Tema 1.079, relacionado à base de cálculo das contribuições ao Sistema S, autorizando judicialmente a reversão de parte relevante das provisões registradas pela GPS. A parcela abrangida pela decisão representa aproximadamente 45% da provisão total associada ao tema, equivalente a cerca de R$ 340 milhões no1T. O julgamento foi concluído por maioria de 6 votos a 3 e manteve a modulação dos efeitos, reduzindo a probabilidade de desembolsos relacionados aos passivos históricos provisionados. As discussões envolvendo as contribuições ao INCRA e ao SEBRAE, que representam os 55% restantes da provisão, ainda não foram concluídas. A expectativa é que a companhia possa reverter entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões em provisões após a publicação da decisão final. O desfecho reduz incertezas jurídicas relevantes e contribui para uma apresentação mais limpa dos resultados futuros.
- Nota Setorial - Bens de Capital
O setor de locação de veículos apresenta uma estrutura mais saudável do que em ciclos anteriores, apesar das discussões atuais envolvendo depreciação, reforma tributária e execução operacional das empresas. A demanda permanece favorável, enquanto o mercado de seminovos continua oferecendo suporte às operações das locadoras. Além disso, o ambiente competitivo tornou-se mais concentrado, com participação crescente dos maiores operadores do setor. Esse processo de consolidação favorece maior disciplina na expansão de frotas, na definição de preços e na gestão da utilização dos veículos. A concentração também contribui para um ambiente concorrencial mais racional e equilibrado. Como resultado, os fundamentos do setor apresentam melhora relevante em relação aos ciclos anteriores, reforçando as condições para criação de valor no longo prazo.
