Radar Diário de Ações - 10/06/26
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Serviços Básicos
A crescente participação das fontes intermitentes e a adoção da precificação horária têm ampliado significativamente a volatilidade dos preços de energia, tornando a modulação da geração um diferencial cada vez mais importante. Nesse contexto, as hidrelétricas são as principais beneficiárias, pois conseguem gerar mais energia nos horários de pico de preços, enquanto as eólicas também vêm capturando ganhos crescentes. Por outro lado, as usinas solares têm sido prejudicadas pela geração concentrada em períodos de excesso de oferta e pelo risco de curtailment. Em maio, os spreads de modulação permaneceram positivos para hidrelétricas (R$17,5/MWh) e eólicas (R$9,1/MWh), enquanto seguiram fortemente negativos para a geração solar (-R$75,9/MWh).
Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)
- Inter & Co (INBR32); COMPRA; Preço-alvo R$ 51,00
A visita à sede do Inter reforçou uma visão mais construtiva para a companhia, com a administração indicando que a trajetória de crescimento de resultados e expansão do ROE permanece intacta, apesar do ambiente macroeconômico mais desafiador. O banco espera continuidade da expansão da margem financeira (NIM), crescimento das receitas de tarifas próximo de 20% a/a, maior alavancagem operacional e melhora gradual do ROE, que pode atingir 17-18% até o 4T26, com potencial para superar 20% nos próximos anos. A qualidade dos ativos segue sob controle, com benefícios adicionais esperados do Desenrola 2.0, enquanto produtos como crédito consignado privado e home equity devem continuar impulsionando a rentabilidade. Além disso, o Inter vem priorizando maior engajamento e rentabilidade por cliente, em vez do simples crescimento da base. Após a recente correção das ações, a administração demonstrou confiança na execução da estratégia, e a combinação entre crescimento de lucros, balanço sólido, carteira de crédito amplamente garantida e valuation atrativo (7,5x P/L para 2026) sustenta uma visão mais positiva para a tese de investimento.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A Rumo reportou um volume recorde de 8,2 bilhões de TKU em maio, alta de 8% a/a, impulsionado principalmente pelo forte desempenho do Corredor Norte, que operou próximo de sua capacidade máxima. Mesmo sem volumes relevantes de milho no período, o transporte de soja, farelo de soja, fertilizantes e açúcar sustentou os resultados, enquanto o Corredor Sul também apresentou crescimento resiliente. A companhia segue se beneficiando de uma estratégia comercial mais competitiva adotada ao longo do último ano, e a expectativa é que o início do transporte de milho no 2S26, aliado às recentes expansões de capacidade, forneça suporte adicional aos volumes. Embora persistam riscos relacionados à contratação e precificação de grãos, à entrada em operação de novos terminais e a potenciais impactos climáticos, os fortes volumes ajudam a compensar esse cenário mais desafiador. Diante disso, a visão permanece positiva para a companhia, com a ação negociando a um valuation atrativo de 6x EV/EBITDA para 2026.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
As chamadas "insurgent brands" vêm se destacando como um dos poucos pontos positivos do consumo brasileiro, impulsionando crescimento principalmente por ganho de volume, e não apenas por repasses de preços. Segundo estudo da Bain, enquanto as categorias de bens de consumo cresceram, em média, 5% entre 2024 e 2025, essas marcas expandiram suas receitas em 61%, com crescimento de 38% em volume, contrastando com a queda de 2,2% observada nas marcas tradicionais. O sucesso dessas empresas está menos relacionado à ampla distribuição e mais à forte conexão com necessidades específicas dos consumidores, apoiada por poucos produtos-chave, marketing digital, influenciadores e canais diretos ao consumidor. Para as empresas incumbentes, esse movimento representa tanto uma ameaça quanto uma oportunidade, reforçando a importância de incorporar maior agilidade, foco no consumidor e disciplina de portfólio. Em um ambiente de consumo ainda pressionado, no qual o crescimento das categorias depende cada vez mais de aumentos de preços, as marcas insurgentes parecem bem posicionadas para capturar uma parcela desproporcional do crescimento do setor nos próximos anos.
