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Sacre Investimentos
10 de jul. de 20265 min

Radar Diário de Ações - 10/07/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Marcel Zambello)

  • MRV (MRVE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00

A MRV apresentou resultados operacionais mais fracos no segundo trimestre, com lançamentos de R$3,30 bilhões, queda de 11% a/a, e vendas líquidas de R$2,94 bilhões, retração de 7% a/a, refletindo desempenho abaixo do esperado principalmente nas operações brasileiras. Os lançamentos foram concentrados nos segmentos Minha Casa Minha Vida, Sensia e Urba, enquanto a velocidade de vendas permaneceu estável em 22%. Nas operações brasileiras, a companhia registrou consumo de caixa de R$39 milhões, influenciado pelo descasamento entre produção e repasse de unidades, com geração de caixa de R$20 milhões na baixa renda, parcialmente compensada por consumo de caixa na Urba e na Luggo. Nos Estados Unidos, a empresa registrou geração de fluxo de caixa para o acionista de R$15 milhões, sem incluir os recursos provenientes das vendas dos projetos Rayzor Ranch e Ten Oaks, cuja liquidação financeira está prevista para julho. Além disso, a taxa de pré-locação dos empreendimentos Memorial e Golden Glades continuou avançando no trimestre. Apesar do desempenho operacional abaixo das expectativas no Brasil, a companhia segue exposta ao forte momento do programa Minha Casa Minha Vida e à perspectiva de normalização gradual dos resultados ao longo dos próximos períodos.

Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Financeiro

O debate sobre qualidade de ativos voltou ao centro das atenções dos investidores diante dos juros reais elevados, das preocupações fiscais e da aproximação das eleições presidenciais de 2026, levando a comparações frequentes com a crise de crédito de 2015–2016. A deterioração observada naquele período foi resultado de anos de expansão acelerada do crédito liderada por bancos públicos, forte atuação do BNDES, fragilidade fiscal, inflação elevada e baixa diversificação das fontes de financiamento da economia. Embora o ambiente atual apresente semelhanças relevantes, como alto comprometimento de renda das famílias, juros reais acima dos níveis de 2014 e aumento das reestruturações corporativas, a configuração do sistema financeiro mudou substancialmente. Atualmente, bancos públicos e BNDES possuem participação menor no crédito, o mercado de capitais se tornou uma alternativa relevante de financiamento e o crédito às famílias encontra-se mais distribuído entre bancos tradicionais, fintechs, varejistas, marketplaces e plataformas digitais. Essas mudanças não eliminam os riscos de um novo ciclo de crédito, mas sugerem que eventuais choques tendem a se propagar de forma diferente daquela observada na última grande crise. Dessa forma, apesar das semelhanças com o cenário que antecedeu a recessão de 2015–2016, a arquitetura atual do sistema financeiro brasileiro apresenta características estruturais distintas que podem alterar a dinâmica de um eventual ciclo de deterioração de crédito.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00

Os dados de produção de carrocerias divulgados pela FABUS em junho mostraram aceleração dos volumes da indústria, mas com um mix menos favorável, marcado pela maior participação de micro-ônibus e miniônibus e por exportações mais fracas em relação ao ano anterior. A produção consolidada do setor atingiu 2.607 unidades, alta de 15% a/a, enquanto os volumes consolidados da Marcopolo, incluindo as marcas Marcopolo, Neobus e Volare, alcançaram 1.388 unidades, crescimento de 17% a/a. No mercado doméstico, a produção totalizou 2.634 unidades, com as marcas da companhia respondendo por 1.266 unidades, avanço de 26% a/a, sendo que microônibus e miniônibus representaram 66% do volume produzido. Nas exportações, o setor registrou 262 unidades, queda de 28% a/a, enquanto a Marcopolo contabilizou 122 unidades exportadas, retração de 32% a/a, com predominância dos ônibus rodoviários, responsáveis por 75% do mix exportado. Para o segundo trimestre, a expectativa é de melhora nos volumes em relação ao trimestre anterior, mas sem avanço proporcional nas margens devido ao mix menos favorável, à menor relevância das exportações e ao impacto da valorização do real. A companhia deve se beneficiar de uma recuperação gradual da demanda por ônibus ao longo do segundo semestre, impulsionada pela sazonalidade do setor e pela expansão das linhas de financiamento mais acessíveis, embora o desempenho ainda deva permanecer abaixo dos níveis excepcionalmente fortes observados em 2025.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Marcel Zambello)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

O segundo trimestre de 2026 permaneceu marcado por um ambiente de consumo desafiador, com juros elevados, renda disponível pressionada, endividamento das famílias ainda alto e poucos sinais de melhora relevante na acessibilidade dos consumidores. Nesse contexto, o setor deve apresentar crescimento moderado, com expansão estimada de 7% a/a na receita líquida e de apenas 4% a/a no EBITDA, excluindo Mercado Livre. Os principais destaques positivos do período ficaram concentrados em SmartFit e nas varejistas de vestuário, enquanto supermercados continuaram enfrentando baixo crescimento e o comércio eletrônico permaneceu dividido entre ganho de participação de mercado e preservação de margens. Entre as varejistas de moda, Renner, C&A e Riachuelo devem apresentar melhora operacional, impulsionadas por gestão de estoques, execução comercial e crescimento das vendas mesmas lojas, enquanto Grupo SBF também deve se beneficiar das vendas relacionadas à Copa do Mundo. No varejo alimentar, Assaí e Grupo Mateus seguem enfrentando consumo pressionado e baixa alavancagem operacional, apesar da inflação de alimentos mais elevada. No segmento farmacêutico, Raia Drogasil, Panvel e Pague Menos devem continuar entregando crescimento de vendas e rentabilidade saudável, embora em ritmo mais moderado do que nos trimestres anteriores. Já no comércio eletrônico, Mercado Livre continua registrando forte expansão do GMV, mas com pressão de margens decorrente dos investimentos em logística, fintech e aquisição de clientes, enquanto Magazine Luiza ainda enfrenta desafios de crescimento. Por fim, SmartFit deve continuar se destacando como uma das principais histórias de crescimento do setor, com aumento esperado de 24% a/a na receita e 26% a/a no EBITDA, sustentado pela expansão da rede, fortalecimento do TotalPass e ampliação de sua base de clientes.