Radar Diário de Ações - 11/06/26
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Saúde
Os dados financeiros do 1T26 divulgados pela ANS mostram que o setor de saúde suplementar segue operando em níveis de rentabilidade superiores aos observados antes da pandemia, embora os sinais indiquem que o ciclo de melhora iniciado em 2022 esteja perdendo força. A sinistralidade (MLR) da indústria ficou em 77,5%, praticamente estável em relação ao ano anterior e abaixo da média histórica pré-Covid, enquanto os prêmios cresceram 9% a/a, impulsionados pelo aumento do tíquete médio e da base de beneficiários. Apesar disso, o lucro líquido do setor caiu 10% a/a, com o ROE dos últimos 12 meses atingindo 16,3%, ainda acima dos níveis históricos. Entre as operadoras não listadas, a Amil permaneceu como principal destaque, consolidando uma forte recuperação operacional, enquanto Prevent Senior apresentou deterioração relevante da sinistralidade. De forma geral, os dados reforçam a visão de que os grandes players integrados, como SulAmérica, Bradesco Saúde e Amil, estão mais bem posicionados para ganhar participação de mercado e entregar resultados superiores. Nesse contexto, a Rede D'Or continua sendo a principal recomendação no setor, sustentada pela execução consistente nos segmentos hospitalar e de seguros, melhora contínua da rentabilidade e múltiplas avenidas de crescimento, incluindo a joint venture com o Bradesco e potenciais oportunidades de M&A.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)
- Engie Brasil (EGIE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 33,00
A Engie propôs a incorporação da participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau, com a operação avaliando o ativo em aproximadamente R$5,7 bilhões, valor definido com desconto de 5% em relação ao ponto médio do laudo independente. Os acionistas minoritários participarão do aumento de capital com um aporte de R$2,6 bilhões, enquanto a aprovação da transação será votada em assembleia extraordinária marcada para 2 de julho. Caso a incorporação seja rejeitada, o controlador indicou que pretende manter o aumento de capital, realizando integralmente o aporte em caixa. Do ponto de vista financeiro, a operação deve contribuir para a redução da alavancagem da companhia em cerca de 0,4x, ajudando a compensar o impacto do pagamento antecipado de R$2,4 bilhões relacionado à obrigação da UBP, considerado pela administração como uma decisão positiva de alocação de capital devido ao desconto obtido junto ao governo. Se o aumento de capital ocorrer integralmente em caixa, a redução da alavancagem poderá alcançar 1,2x.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
O monitoramento de tráfego de aplicativos mostrou tendências distintas entre os setores de consumo no Brasil. No e-commerce, plataformas internacionais continuaram liderando o crescimento, com destaque para Shein (+34% a/a em MAUs) e AliExpress (+27%), enquanto Mercado Livre (+17%) e Amazon (+16%) também apresentaram forte desempenho. No varejo de vestuário, os players locais mostraram resiliência, com Riachuelo (+26%) e Renner (+10%) registrando expansão de usuários ativos. Em cuidados pessoais, o cenário permaneceu desafiador, com queda de tráfego para Natura (-5%) e Boticário (-13%). Já o setor de farmácias seguiu como destaque positivo, com crescimento expressivo dos MAUs em todas as empresas monitoradas, incluindo Pague Menos (+38%) e Raia Drogasil (+27%). Entre as academias e agregadores, o TotalPass praticamente dobrou sua base de usuários (+94%), sugerindo ganho relevante de participação de mercado, enquanto a SmartFit apresentou crescimento mais moderado. Por fim, no segmento de fintechs, o Mercado Pago liderou em crescimento de usuários (+22%), enquanto o Nubank manteve a maior intensidade de uso, reforçando sua forte relação com os clientes. De forma geral, os dados sugerem ganhos de participação para empresas com propostas de valor diferenciadas e alto engajamento digital.
