Radar Diário de Ações - 11/08/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
A São Martinho processou 8,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no trimestre, alta de 4% a/a, beneficiada pela melhora da produtividade agrícola, enquanto a estratégia comercial foi marcada pelo adiamento de parte relevante das vendas de etanol para o segundo semestre da safra diante da queda dos preços no período. As receitas não foram o principal fator do desempenho abaixo das expectativas, mas sim a rentabilidade pressionada por custos, já que o custo caixa unitário recuou apenas 2% a/a, limitando os ganhos esperados de alavancagem operacional. Como resultado, o EBIT ajustado por tonelada de ATR ficou em R$ 156, forte queda em relação ao ano anterior e abaixo das estimativas. O segmento de etanol de milho permaneceu como destaque positivo, com EBIT de R$ 76 milhões e margem de 32,5%, representando a maior parte do EBIT consolidado. A companhia já fixou aproximadamente 70% da produção própria de açúcar da safra atual, enquanto a baixa cobertura para a próxima safra sugere potencial aceleração das operações de hedge diante da recente recuperação dos preços do açúcar. Apesar da melhora recente dos preços do açúcar e dos sinais de reação da demanda de etanol, permanecem preocupações de longo prazo relacionadas ao aumento da oferta de etanol.
Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- JBS (JBSS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 100,00
A JBS apresentou resultados do segundo trimestre ligeiramente acima das expectativas, com receita e margens superiores ao projetado na maioria das operações. O EBITDA consolidado atingiu US$ 1,4 bilhão no padrão IFRS, enquanto o lucro líquido ajustado somou US$ 218 milhões, em linha com as estimativas. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações de carne bovina, com destaque para os Estados Unidos, onde as margens apresentaram melhora em relação ao trimestre anterior sobre uma base de vendas recorde, e para a Austrália e o Brasil, que registraram forte crescimento de receita. Na Seara, as margens recuaram menos do que o esperado, apoiadas pelo fortalecimento das exportações para o Oriente Médio, enquanto a operação de suínos nos Estados Unidos performou em linha com as expectativas. A geração de fluxo de caixa melhorou em relação ao ano anterior, embora a alavancagem tenha aumentado para 3,1x Dívida Líquida/EBITDA, refletindo menor EBITDA nos últimos 12 meses e o pagamento de dividendos. Ainda assim, a companhia manteve uma estrutura de capital confortável, com prazo médio da dívida superior a 15 anos e custo de financiamento reduzido. O período também marcou o anúncio da transição de Wesley Batista Filho para o cargo de CEO global a partir de 2027, sucedendo Gilberto Tomazoni.
Financeiro (Eduardo Rosman / Ricardo Buchpiguel / Antonio Pascale / Bruno Henriques)
- Caixa Seguridade (CXSE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A Caixa Seguridade reportou lucro líquido gerencial de R$ 1,14 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 10% a/a, mas ligeiramente abaixo das estimativas devido ao desempenho mais fraco dos segmentos de seguro prestamista e seguro de vida. O seguro habitacional permaneceu como principal motor de crescimento, com avanço de 14% a/a nos prêmios emitidos, sustentado pela expansão da carteira de crédito imobiliário da Caixa. A sinistralidade consolidada apresentou melhora em relação ao ano anterior, embora tenha sido pressionada na comparação trimestral por ajustes metodológicos e maiores despesas assistenciais. Nos negócios de acumulação, a previdência privada continuou registrando forte crescimento de reservas e captação líquida positiva, enquanto os títulos de capitalização atingiram novo recorde de arrecadação. As cartas de crédito mantiveram crescimento das vendas e da carteira administrada, apesar da redução das receitas associadas ao amadurecimento dos contratos. O modelo de negócios permaneceu caracterizado por elevada previsibilidade, receitas recorrentes e forte integração com a rede de distribuição da Caixa, sustentando o crescimento dos resultados mesmo em um ambiente mais desafiador para as linhas mais cíclicas.
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- JSL (JSLG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 18,00
A JSL apresentou resultados ainda fracos no segundo trimestre, embora ligeiramente acima das expectativas, com receita líquida de R$ 2,5 bilhões (+5% a/a) e EBITDA ajustado de R$ 494 milhões, praticamente estável em relação ao ano anterior. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 30 milhões, abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, refletindo um ambiente operacional ainda desafiador. A divisão de Serviços Dedicados permaneceu resiliente, com crescimento de EBITDA e expansão de margem, apesar dos impactos da rescisão de contratos menos rentáveis e da transferência de operações de transporte de grãos. A unidade de Intralog registrou crescimento de receita impulsionado pela maturação de novos contratos, embora sua rentabilidade tenha sido afetada por eventos não recorrentes durante o trimestre. Já a JSL Digital apresentou forte crescimento de receita, mas com pressão sobre as margens devido à mudança de mix operacional. No balanço, a alavancagem recuou para 2,7x Dívida Líquida/EBITDA e o retorno sobre o capital investido permaneceu estável em 15%, enquanto a companhia adicionou R$ 2 bilhões em novos contratos com prazo médio de 60 meses.
- Hidrovias do Brasil (HBSA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 4,50
A Hidrovias do Brasil apresentou resultados do segundo trimestre em linha com as expectativas, apesar de um lucro líquido abaixo das estimativas. A receita líquida operacional atingiu R$ 664 milhões, enquanto o EBITDA ajustado recorrente somou R$ 322 milhões, refletindo principalmente o encerramento da operação de navegação costeira. Em bases comparáveis, a receita cresceu 7% a/a, enquanto o EBITDA ajustado recorrente recuou 1%, pressionado por maiores custos e despesas operacionais. Os volumes transportados totalizaram 4,2 milhões de toneladas, alta de 5% a/a, impulsionados pelo forte desempenho das operações de Santos e Paraguai, enquanto o Corredor Norte apresentou retração. As operações brasileiras registraram crescimento de receita, com EBITDA estável, enquanto o Paraguai apresentou avanço de receita e ligeira queda na rentabilidade. O capex foi de R$ 23 milhões no trimestre e a alavancagem recuou para 2,4x Dívida Líquida/EBITDA. A companhia segue acompanhando a dinâmica competitiva do Corredor Norte, a execução dos investimentos em andamento, o ambiente regulatório e possíveis impactos climáticos sobre suas operações.
- Movida (MOVI3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00
A Movida apresentou resultados em linha com as expectativas no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 3,8 bilhões, EBITDA de R$ 1,7 bilhão e lucro líquido de R$ 136 milhões, beneficiado por uma menor alíquota efetiva de impostos. A divisão de Seminovos registrou receita de R$ 1,5 bilhão, com venda de 19,4 mil veículos e margem estável de 1,1%, enquanto a companhia indicou risco limitado para os valores residuais da frota diante da entrada de novos concorrentes no mercado automotivo. A frota consolidada alcançou 286 mil veículos e a alavancagem ajustada apresentou leve melhora na comparação trimestral, encerrando em 3,89x Dívida Líquida/EBITDA. O segmento de aluguel de carros manteve forte crescimento, com aumento das diárias, da ocupação e da receita, preservando margens elevadas. A operação de gestão e terceirização de frotas também apresentou expansão de receita e rentabilidade, sustentada por reajustes de preços e crescimento da demanda. Além dos resultados, a companhia divulgou guidance de lucro líquido para o terceiro trimestre entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões, apoiado pela continuidade da demanda, ganhos de eficiência operacional e sazonalidade favorável.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Bruno Carrenho)
- Grupo SBF (SBFG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 16,00
A Grupo SBF apresentou um forte segundo trimestre, impulsionado pelo efeito da Copa do Mundo sobre as vendas de Centauro e Fisia, com receita líquida consolidada de R$ 2,22 bilhões, crescimento de 22% a/a. A Centauro registrou crescimento de 19% na receita líquida e aceleração das vendas mesmas lojas para 24%, enquanto a Fisia avançou 27%, com destaque para os canais digital e atacado. A companhia comercializou mais de 1,5 milhão de itens relacionados à Copa do Mundo até julho, incluindo 1 milhão de camisas da seleção brasileira. O ganho de escala operacional contribuiu para a expansão da margem bruta para 50% e para o crescimento de 49% do EBITDA ajustado, enquanto o lucro líquido ajustado avançou 63% a/a. A geração de fluxo de caixa foi pressionada pelo aumento do capital de giro associado ao ciclo de vendas da Copa do Mundo, resultando em geração de fluxo de caixa ligeiramente negativa após capex. Com o encerramento do evento, o foco passa a ser a trajetória de crescimento e rentabilidade normalizada no segundo semestre, sustentada pela evolução operacional de Centauro e Fisia.
- Natura (NATU33); NEUTRO; Preço-alvo R$ 12,00
A Natura apresentou resultados fracos no segundo trimestre, mas em linha com as expectativas, refletindo uma forte desaceleração das operações no Brasil, menor alavancagem operacional e impactos de itens não recorrentes relacionados a desligamentos e à transição fiscal. A receita líquida consolidada atingiu R$ 5,2 bilhões, queda de 10% a/a, pressionada principalmente pela retração das vendas no Brasil, enquanto a unidade Hispana registrou recuperação acima do esperado, impulsionada pelo desempenho do México e pela melhora gradual da Argentina. O EBITDA contábil somou R$ 620 milhões, com margem de 12%, enquanto o EBITDA ajustado foi impactado pela redução da diluição de custos e pela pressão sobre a margem bruta. O lucro líquido ajustado alcançou R$ 58 milhões, refletindo maiores despesas financeiras decorrentes dos custos de hedge da dívida em dólar. A dívida líquida recuou R$ 179 milhões na comparação trimestral, reduzindo a alavancagem para 2,35x Dívida Líquida/EBITDA nos últimos 12 meses. Diante do cenário operacional ainda desafiador, a companhia revisou para baixo suas metas para 2026 e a recuperação da tese de investimento passa a depender da melhora da execução operacional, do fortalecimento da estratégia comercial e da retomada da alavancagem operacional.
